Você sente que está lutando o suficiente?

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Imagem da série “The Good Doctor”, recomendo imensamente para quem busca motivação em dias difíceis, leia os motivos para assistir essa série… (risos)

Salve, caros! Tudo bem?
Não se assustem com a pergunta aparentemente intimidatória. É um questionamento que sempre me fiz e que agora faço à vocês. E aí? Vocês sentem que estão se lutando o suficiente?

É um erro comum responder essa questão por uma análise imediata, baseada no que fizemos até aqui e visando apenas o retrospecto de 2018. Todavia, muitos esquecem de analisar o que foi caminhado desde o momento em que dissemos para nós com toda a convicção que nos fez escolher essa profissão: “vou estudar para passar em medicina!”
No meu caso, considero que tudo o que sei até agora, seja no aspecto teórico ou na experiência pessoal, é fruto do momento em que eu disse com convicção que seria médico. Antes eu até cogitava fracamente a possibilidade de querer incorporar a profissão mais disputada desse país. Só que no momento em que eu assumi isso sinceramente para mim, o caminho ficou mais evidente e o sofrimento até o momento da aprovação, é compensado pelo que será essa trilha que eu quero seguir até a minha expiração.
Não é apenas vocação, não é uma “benção” que iluminou minha vida e me fez querer medicina. Acho que foi muito mais por minha aptidão pelas biológicas do que por acaso, mesmo tendo algumas coincidências com a tal “brincadeira” do destino.
Só posso dizer que medicina é a única profissão que me faz perder o fôlego e me imaginar a vida inteira fazendo isso, tendo o pagamento afetivo, o sucesso da realização pessoal, as questões financeiras, a superação das minhas dificuldades como indivíduo e todo o complexo que é viver a medicina. Em todas as suas nuances. Sem hipocrisia, pois temos vários motivos para nos tornarmos médicos, não apenas um, mas sim, vários, quem diz o contrário não está sendo inteiramente sincero aqui ou consigo. E tenho plena consciência de que será difícil na graduação (talvez pior que o vestibular, ou igual em alguns momentos), tenho alguns amigos que me contam coisas que fazem o vestibular se tornar um “nada” perto do relatado, mas vale a pena passar por essas situações difíceis, quando se está respirando o que você sempre sonhou ser.

Mas… Voltando ao cerne da questão, sem tangenciar…!

Eu estou fazendo o meu melhor? Eu sinto que estou lutando suficientemente para passar em medicina?

Minha resposta é: sim!
Todos esses anos lutando contra diversos empecilhos, no final, eu sempre consigo me empenhar no máximo que posso suportar para cada ano. Esse ano tenho mais condições favoráveis, mas não quer dizer que por esse motivo já devo sair comemorando a vitória antecipadamente. É incrível dizer isso, mas já cometi esse erro – num ano não tão distante -. E não foi nada aprazível, tive uma sensação horrível. Contudo, não foi mais horrível que a necessidade que eu sentia em justificar as coisas da minha vida para as pessoas.
É inútil quando você quer justificar tudo o que não funcionou no que considerava “o seu ano” para os outros, quando na verdade, quem precisa de respostas é você, que anda cheio de questões e precisando recolher os cacos para seguir em frente de forma assertiva.
Esse ano tive boas provas de que a probabilidade de aprovação é real (conversei sobre isso com um amigo que se sente na mesma situação), se o provável se confirmar, ao ser aprovado, direi como foram os dias que antecederam o maravilhoso nome na lista, obviamente, farei um texto gigantesco da minha aprovação no blog, com muita coisa, minhas notas nesses anos, minha evolução e o que fiz exatamente em cada ano pra ir melhorando. No entanto, enquanto isso faz parte apenas do plano ideológico e das minhas projeções imaginativas, prefiro usar esse otimismo realista como impulso para continuar obtendo resultados.
Posso apenas dizer que mudei muita coisa em relação ao que estava derrubando meu rendimento. E isso me deixa leve. Só que dar certo ou não… É questão de probabilidade. Espero que o meu empenho e a matemática me ajudem, porque contar com a “sorte”, nunca funcionou para mim (risos). Construir solidez é algo bem difícil nessa vida de vestibulando. Mas, pode ser trabalhado com uma rotina bem definida e que respeite a sua humanidade.

Considerações finais

Espero que o ano esteja proveitoso para vocês e que durante as crises existenciais – com certeza você já tiveram várias, assim como eu (risos) – vocês tenham lembrado do que eu disse numa parte perdida no texto, que a aprovação de vocês não depende desse ano, ela começou a se aproximar no exato momento em que foram sinceros sobre o que desejavam, sem abrir leque para “se não conseguir, vou cursar isso”, honestidade é a melhor forma de tirar a pior de todas as algemas na vida de quem quer a aprovação: a algema da indefinição. Existem pessoas que conseguem fazer um plano “B” e depois alcançarem o plano “A” sem sequer ter findado o plano “B” ? Sim. Mas, não se baseie pela exceção. Sei que é duro dizer isso. Porém, é melhor ficar mais um ano tentando em vez de fazer outra coisa e esquecer muito do que você aprendeu até certo ponto como vestibulando. Será bem mais difícil e desmotivador retomar. Não digo impossível. Mas, pode levar mais tempo e exigir mais paciência.
Com certeza você já ouviu um famoso clichê que diz que é mais fácil chegar a algum lugar quando você sabe que lugar é esse, não é? Pois é… Mais uma da série de clichês que dizem a verdade. Isso é sabedoria popular. Sempre é bom considerar essas coisas, porque muita gente viveu esses impasses para relatar suas experiências e isso se propagar. Existe um pondo de convergência nisso tudo. Obviamente, você deve filtrar racionalmente o que for te ajudar. Entretanto, consideração é algo lúcido. Não é aceitação… É apenas alerta. Aquela luz de “caramba, muita gente que conseguiu passar disse que fez isso, devo considerar!”
Sem me alongar muito, é isso. Espero que vocês mantenham a rotina bem organizada, respeitando e reconhecendo suas limitações humanas. E comemorando por cada vitória diária. Premiem-se pelo dia estudado. Vibrem pelas questões que não acertavam antes, e que hoje conseguem fazer com bastante confiança. Era um ponto fraco que se tornou uma arma letal para questões de vestibular. É o diferencial de vocês. Valorizem cada momento e não fiquem presos num cubo antissocial. Não abandonem as pessoas. Um amigo meu que iniciou medicina disse algo extremamente forte e que me deixou pensativo. Ele disse que um aluno de uma turma que estava se formando falou que algumas pessoas de sua turma estavam desnorteadas com o término da faculdade, porque elas não desenvolveram laços fora desse universo (faculdade de medicina). E não tinham laços para a vida. Isso também serve de lição para nós, que nos isolamos no mundo do vestibular.
Não fomos feitos para o isolamento. É inútil achar que sendo antissocial você será o médico dos sonhos de alguém, ou de si próprio. Será desolador não saber amparar uma pessoa que sofre, não saber confortar emocionalmente as pessoas que dependem de você, um ser humano que se formou em medicina e que não sabe expressar nenhuma empatia. Então, pense nisso! E continue lutando.

Para você que conseguiu chegar até aqui: deixe sua resposta no comentário!

E aí, você sente que está lutando o suficiente?

Antes que eu esqueça… Domingo (10/06)* irei na visita monitorada da FMUSP. Quem for, pode dar um “oi” (risos). ♥

* Essa é a nova data, já que não será esse final de semana por conta da greve dos caminhoneiros.