Transformações de quem presta medicina há alguns anos…

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Foto meramente ilustrativa, não pude resistir a essa verdade…. (risos eternos)

Fala, caros! Evitei falar sobre o vestibular de medicina por um tempo, até porque não estava me sentindo a vontade. É complicado prestar o vestibular há anos e não ter atingido ainda o objetivo. Entretanto, muitos que estão nesse mesmo “barco” vão concordar que com o tempo, você muda muito sua percepção sobre o que é o vestibular de medicina e o quão difícil ele se tornou desde aquela primeira impressão pueril que tivemos quando decidimos entrar nesse trilho sem volta.

Primeira impressão…

Lembra quando você pesquisou pela primeira vez o curso de Medicina? Depois de muitos contatos prévios, mas sem muita profundidade… Porque, certamente, você pensou: “isso não é para mim”, “esse curso é muito difícil, só a elite pode fazer”, ou outras falácias que são propagadas inconscientemente pelos menos informados…
Após muita pesquisa, a sensação de definição é única. Muitas pessoas têm experiências diversas, e caso a sua seja particular, compartilhe nos comentários! Adorarei ler.
A minha foi bem singular. Lembro ainda hoje o quão mágica foi tal decisão. Eu me encontrava fazendo estágio no curso Técnico de Enfermagem, já estava um pouco mexido com algumas coisas que li no Projeto Medicina (sim, naquela época já existia o Projeto Medicina, estava no início ainda), pessoas dizendo que renunciaram uma graduação para tentar, outras dizendo que estavam há quase 7 anos e que após a conquista da vaga, não se arrependiam de nada! Isso foi bem forte na minha decisão…
Só que um dia, tudo mudou e eu tomei a coragem que estava faltando para me mudar completamente. Narrarei brevemente…
Estava em estágio num hospital especializado em ortopedia e traumatologia, tudo andava tranquilo. Até aquele momento eu pensava mais no final do estágio e formação, do que em abrir mão de tudo aquilo e tentar medicina. Só que em um dia isso tudo mudou! Próximo do término do plantão, fomos convidados por uma professora para assistir uma cirurgia ortopédica. A turma inteira ficou empolgada. Eu não posso dizer que fiquei empolgado, porque tinha que passar o plantão para o técnico responsável e estava um pouco ansioso. Só que a partir do momento em que vi aquela cirurgia… Eis o êxtase. O tempo parou, tudo a minha volta sumiu… E só sobrou a imagem inesquecível do paciente exposto, anestesiado, com os médicos com instrumentais que nunca vi na minha vida. Eles riam, brincavam com o estagiário… Na maior naturalidade… E estavam ali já fazia horas. E aquele controle, aquele domínio, aquela alegria… Eu queria aquilo! Depois desse dia, minha vida mudou drasticamente. Já trabalhei a ideia de desistir do Técnico de Enfermagem e ver como era que poderia fazer para entrar nessa tal medicina! Foi então que pesquisei, aprofundei tudo… E até tive bastante entusiasmo, pensei que seria fácil.
Desisti do curso Técnico. Deixei tudo para trás. O curso, as oportunidades garantidas, o investimento… Abri mão de tudo, porque vi que se não começasse a me preparar, nunca conseguiria isso. Vale lembrar que prestava Enem desde 2010, mas sem nenhuma pretensão. Eu prestava por prestar, não estudava e nem estava interessado em conseguir uma graduação. Até porque ia tão mal, que nem cursos à distância minha nota daria… (risos).
O curso Técnico eu fazia em meados de 2012, concluí o Auxiliar, mas, faltavam poucos meses para finalizar o Técnico. Em 2013, resolvi me preparar sozinho, por vídeo aula no youtube (uma forma ainda pouco propagada), e estudei perdido. Sem saber nem me organizar. Ao final do ano prestei a Fuvest 2014. Porque sempre via aqueles alunos aprovados na Fuvest para USP, e queria muito algum dia sentir aquilo, mesmo sem entender bem como funcionava. Essa prova da Fuvest foi importante para mim, pois foi o primeiro contato com um vestibular de verdade. Resultado? Fui uma decepção. Fiz 27 acertos das 90 questões, com o bônus obtive 29. E depois disso tentei descobrir como poderia melhorar, e conheci o cursinho. Posso dizer que hoje estou mais próximo de atingir meu alvo, porque entre minha atual média e essa, existe um abismo (risos). Entretanto, como prometido. Só farei uma publicação com o print’s das minhas notas, após ser aprovado!

Descobrindo o cursinho…

Foi um espanto ter ido ao cursinho depois de ser nocauteado literalmente pelo vestibular da Fuvest. Sinceramente? O pouco que lembro durante a prova, eu não sabia nada. Posso dizer que 95% da prova, eu nunca tinha visto na vida! Outros 3% eu acertei mais na sorte que no conhecimento. E os 2% remanescentes eu sabia fazer. Não é hipérbole. Talvez eu esteja sendo eufêmico mesmo. Porque minha situação era mais que crítica. E eu me sentia burro… Só que o cursinho mudou isso. No cursinho conheci pessoas incríveis, tive bastante dificuldade porque todos ali pareciam geniais. De outro planeta… Era completamente oposto às perspectivas que tive na escola pública. Não me fazendo de vítima, mas quando estive na rede pública, minha cosmovisão era: me formarei, arrumarei um emprego que aceite ensino médio, e me casarei. Terei filhos, viverei perrengues, e morrerei. Sério… Essa era minha perspectiva. Nada mais que isso!
No cursinho via pessoas falando de Astrofísica, outros querendo entrar na NASA (que nem sabia da existência) e virar astronauta, outros falando em multiverso, alguns querendo ser médicos, engenheiros, advogados, etc. Era a elite pensante ali, diante dos meus olhos e dos meus ouvidos, me dando possibilidades.
O convívio e a troca com essas pessoas foi fundamental para eu enxergar que existem outras possibilidades. E que meu destino não estava fadado a inexistir intelectualmente nesse pedaço de existência. E que eu não era obrigado a obedecer e abaixar a cabeça! Eu poderia questionar, buscar o melhor… Afrontar… Debater… Isso foi incrível. Tanto é que depois dessa experiência, eu era visto pela minha família como uma pessoa ambiciosa, que queria dar o “passo maior que a perna” como eles diziam. E fui duramente criticado. Tive motivos de sobra para abandonar tudo. E deixar essa “loucura” de lado. E meus familiares insistiam em dizer, vorazmente, que medicina era coisa de rico. Que eu não conseguiria me manter, que nunca atingiria isso. Só quem teve boa educação pode atingir.
Meu contato com o cursinho é análogo a “sair da caverna”, foi a descoberta do possível, foi um passo enorme rumo à mudanças filosóficas. Por isso eu era visto como o único louco, no meio de multidões de pessoas “lúcidas” na minha família. Poucos eram os que davam crédito. Hoje esse número cresceu, mas ainda existe gente que não mais tem coragem de dizer para abandonar isso, mas que olha para mim com aquela cara de “Alexandre, sai dessa cara… Você está envelhecendo e ainda não saiu do lugar, você ainda é um moleque”. Ainda bem que eu conheci o outro lado, porque presenciei a aprovação de muitos amigos que ralaram bastante, ficaram anos prestando, e que eram pessoas comuns. Não eram os “gênios intergaláticos” que eu pensava. Mas, todos tinham um ponto de convergência gritante: eles eram muito esforçados! E isso me mantém no eixo até hoje. O esforço faz resultados!
Em resumo, o cursinho foi importantíssimo para que eu pudesse aprender muita coisa que nunca nem tinha visto. Foi crucial.
O primeiro ano (2014) eu mais assistia aula nos três turnos e nos sábados (reforço de Medicina), mesmo entendendo pouca coisa, foi determinante para sistematizar e acostumar meu cérebro àquelas passagens nas questões, aos raciocínios complexos, etc. No segundo ano (2015) equilibrei e já comecei a entender coisas mais complexas, mas ainda estava abaixo da turma.
No terceiro ano (2016) eu já sentia que deveria estudar sozinho, comecei a melhorar meu desempenho nos simulados, fiz meu primeiro 60 numa prova formato Fuvest. E comecei a perceber que o cursinho teve uma contribuição indescritível, mas que dava para caminhar sozinho, já que eu faltava em algumas aulas pra aprofundar minhas dificuldades; nesse ano tive problemas familiares que me afetaram e derrubaram meu desempenho final antes das provas. Meu erro foi não ter tido coragem de sair.
No meu quarto ano (2017) errei muito, mas foi determinante ter feito a escolha certa: estudar sozinho. Foi um ano de aprendizado e descobertas. De isolamento, ansiedade, tristezas… E ascensão. Eu obtive minha maior média em provas. Fiz só três vestibulares, pois ainda não me sentia preparado. Prestei Unifesp, Enem e Fuvest.
No quinto ano (atual), estou mais tranquilo. Passei por muita coisa… E não será mais o conteúdo que vai me reprovar, por isso, estou indo devagar, aprofundando sem pressa… E cuidando da minha saúde física, psíquica e emocional. Isso me prejudicou ano passado. Fiquei nervoso na prova da Fuvest e não consegui ter um melhor desempenho pra ir à segunda fase, e sinto que se tivesse trabalhado isso, teria conseguido. Esse ano estou me expondo menos. Até aqui no blog, olha o tempo que levei para falar abertamente sobre o vestibular e como me sinto com isso. Mas, as coisas vão acontecer, para todos nós!

Aprendizado de tantos erros e acertos…

Depois de tanta coisa, hoje enxergo mais nitidamente que é possível. E não precisa ser genial pra isso. Você só tem que ser persistente e lutar todos os dias, mesmo que seja difícil – porque é – para conseguir manter sua rotina de estudos. E sério… Às vezes não dá vontade nem de levantar da cama… Mas, algo me faz continuar e superar todo esse cansaço, esse desgaste que vem de anos… Isso se chama: medicina! Eu escolhi isso, lá atrás, naquela sensação única de ter meu campo visual paralisado, encantado por algo que aqueles seres humanos faziam – a cirurgia ortopédica. Eles não eram alienígenas, portanto, eu – também ser humano, dotado das mesmas capacidades – poderia ter aquilo na minha vida. E fiz essa escolha. E hoje escrevo para vocês.
Não sou perfeito. Estou longe disso… Errei muito, e vocês têm relatos e comportamentos registrados no próprio blog, de que eu errei demais… Mas, também acertei! E o maior acerto de todos foi ter escolhido persistir. Porque o mais nítido de quem se dedica, extrai o possível para conseguir estudar… É que a fila anda. Os mais preparados passam… E deixam espaços na fila à serem preenchidos pelos próximos; chegará um momento em que um desses espaços será o seu. Então, por mais que haja muita tristeza, sofrimento e vontade de largar tudo para fazer algo que traga um retorno mais imediato… Lembre-se que a fila vai andar. E que não adianta fazer algo por pressa de poucos anos… E perder uma vida toda, chegar lá na frente e ver que se tivesse tido um pouquinho mais de paciência, a sua vez chegaria. E quem sabe, até no ano seguinte…
Uma coisa que sempre observei nos amigos meus que passaram, é que quando eles já estavam querendo largar tudo, por estarem uma estafa, por não aguentarem nem assistir mais determinadas aulas… Foi que eles não conseguiam desistir. Por mais que tivessem que passar por tudo outra vez, com todo aquele sentimento de derrota.. Eles levantaram a cabeça e continuaram estudando. Eles estão cursando medicina! Um deles até me manda fotos quando dá para me motivar e fala da rotina na faculdade, isso é indescritível e me ajuda muito a lutar! Então, vale a pena ser paciente. Continue lutando para manter sua rotina de estudos, porque tudo é conquistado gradualmente. Existem pessoas que passam rápido, sim! Entretanto, não são a maioria. Não naturalize a exceção! Continue lutando, centrado em você, nas suas dificuldades, no que precisa reparar em você. No momento certo, a aprovação vai acontecer! É o que eu penso… E continuo corrigindo os erros. Porque em algum momento eles serão mínimos e conseguirei pular de alegria e me libertar dessa vida de vestibulando. Não… Não é acomodação. É evolução. Não crie inferências usando as suas perspectivas. Até porque, nós somos nosso próprio referencial; é inútil desmerecer os esforços de alguém, sem saber o que aquela pessoa enfrenta para estar ali, lutando…  Esse é o maior aprendizado que tive nesses anos todos: respeitar a luta dos outros, porque eu – vivendo essa realidade de prestar o vestibular mais difícil do país – sei que é difícil e que todos os dias surge um obstáculo novo. 
Então, vamos nessa!! Bons estudos. E se não for pedir muito… Compartilhem nos comentários as suas experiências e como se sentem agora!

FACA NA CAVEIRA E FOCO NO JALECO!!!