O que você diria para si? (autocrítica – reta final)

A pergunta do título é um convite à autorreflexão. Sintam-se livres para questionar o que não foi satisfatório nesse ano. Todavia, não esqueçam-se que para atingir esse ponto no qual nos encontramos, vocês precisaram se vencer todos os dias para manter essa ideia fixa e continuar acreditando na possibilidade material da concretização dessa fase.

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“O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma” Clarice Lispector

Esse ano de 2018, sem dúvida, é um ano atípico. E não digo apenas pelo cenário político que estamos vivendo (farei uma análise disso ao final do texto). Muitas coisas aconteceram e fizeram que meus métodos tivessem que ser adaptados.  Mas, sem delongas… Vamos ao que importa!


PONTOS NEGATIVOS:

Fiquei mais isolado…

Apesar de ter cogitado muitas coisas, como a possibilidade de sair mais com os amigos, e até mesmo de me dispor ao lazer, não consegui ser fiel nisso (pra não dizer que praticamente não fui fiel… rs).

Não consegui evitar o atraso de conteúdos…  

É impressionante pensar que nem a experiência evitou que eu tivesse períodos de atraso maior ou menor em determinados conteúdos. Apesar disso, minha flexibilidade e coragem de intervir nesses momentos, ajudou a evitar o que poderia ser catastrófico (risos).

Sensação de vazio… 

Em alguns momentos tive um sentimento de que nunca conseguiria passar e que tudo era insuficiente. Questionei muita coisa, inclusive o que minha experiência construiu. Conversei com um amigo sobre isso, ele também teve a mesma sensação. Também se dedica muito para findar esse sonho. O engraçado é que às vezes ficava inseguro até resolvendo questões de conteúdos que eu dominava… Mas, não conseguia sentir esse domínio de forma prática. Essa foi uma coisa difícil de trabalhar, mas que não fugi.


PONTOS POSITIVOS:

• Aprofundei melhor…

O fato de ter atrasado conteúdos se deve em grande parcela por ter me permitido aprofundar mais o conhecimento e ficar mais preso em assuntos específicos. Decerto, tive atrasos por nunca ter feito isso. Eu resolvi arriscar para que tivesse mais densidade nas provas. E me sinto satisfeito por chegar em véspera dos vestibulares com repertório para enfrentar os tipos de questões que eu certamente pularia sem hesitar.
Não sei até que ponto isso será positivo, mas, é inegável que virou uma ferramenta necessária para que pudesse sair de onde estagnei nesses últimos anos. Errei em espaçamento do tempo, mas, acertei em solidez de repertório.

• Me preocupei menos com o vestibular…

Engraçado que fui questionado por um amigo esses dias se eu estava nervoso com o Enem, por faltar tão pouco tempo. E não consigo sentir nada extremo sobre o Enem, nem alegria, nem uma descontrolada ansiedade, muito menos medo… Seria mentira minha se eu dissesse que às vezes não senti aquela leve angústia em ver como o tempo voa e que eu  deveria ser mais ágil, mas, não passou disso.  Aliás, isso se repetiu bem antes de chegar essa fase final. É meio que um alerta de que preciso aumentar a intensidade. Isso é mais benéfico do que maléfico (no meu caso).
Esse foi o ano em que me centrei mais em aprender do que propriamente em ir bem nas provas. Eu senti a necessidade de focar muito nas coisas que tiravam meu sono, que não eram difíceis, mas exigiam tempo e empenho direcionado.
Chega um momento em que você sabe, muita coisa que cai numa prova você acertaria com conhecimento de anos anteriores (mesmo que seja um conhecimento mais raso, pois não há tanta especificidade no assunto). É inútil ficar preso à isso.
Agora, outros assuntos, mesmo estudando, existe um risco inequívoco de errar. E pelo menos no meu caso, esses assuntos apareciam com frequência (mais em vestibulares específicos, mas que começam a ganhar força no Enem também), porém, me faltava o ímpeto de tomar coragem e enfrentá-los. Eu fugi do meu antigo tradicionalismo nos estudos. Fui mais ousado e estratégico.

 Dormi melhor…

Se tem uma coisa que fez diferença para que pudesse encarar conteúdos cansativos e complexos, isso se chama: “noite” bem dormida. (as aspas em noite são justificadas por eu dormir no turno tarde/noite, pois trabalho de madrugada).
Muitos dos compromissos desmarcados devem-se também em parcela significativa ao meu sono. Sei que prometi sair mais… Mas, sair em que horário? Eu tinha que escolher, se saísse de tarde, teria que inverter forçosamente meu ciclo de sono. Se fosse sair de manhã, abriria mão dos estudos nesse turno, e dependendo do horário do término desse “rolê”, poderia ter dificuldades para dormir e atrapalhar o turno de estudos no serviço (acreditem, eu estudo no serviço, pois o ambiente e a escassez de atividades são favoráveis).
Dessa forma, muitas vezes não tinha saída. Sobrava então o final de semana. Cujo sábado era reservado para revisões e o domingo (na maior parte deles, prova). Muita coisa foi ajustada, mas, conforme foi se aproximando os meses que antecedem as provas, o tempo foi ficando ainda mais escasso. E as escolhas, ainda mais inclinadas às minhas necessidades.


RESPOSTA À PERGUNTA DO TÍTULO e CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A resposta à pergunta do título é a mais plausível possível: Alexandre, meu amigo.  Você errou em muitos aspectos. E talvez isso tenha algum impacto em seus resultados. Entretanto, você errou nos outros anos e mesmo que isso tenha acontecido, a progressão não inexistiu. Isso significa que o fato de estar disposto, dando o seu melhor, terá êxito sobre o erro. É impossível o êxito isento de erro. Basta analisar que tudo faz parte de um processo, com consequências pesadas numa balança imaginária.
Portanto, caro, ao meu ver, você se sobrepôs ao erro, por ter enfrentado todos os seus monstros, ao invés de ter fugido na primeira oportunidade. A característica que mais admiro nisso tudo, é que você reconhece que falta muito para ter o conhecimento que sempre almejou, mas, o consolo que te ofereço é que ninguém passa dominando tudo. Então, o que te digo, meu caro, é que continue firme em suas convicções e arriscando sem omissão, pois sua meta principal é muito clara. E até aqui, a balança é superavitária.

Sobre as considerações finais, penso que ter chegado até esse extremo com ideias claras e sem ter abdicado do objetivo principal, é uma grande vitória. Mas, é nítido que muita coisa mudou. Quem me acompanha sabe que não sou o mesmo de outrora, fica evidente pelo tom dos meus textos. Antigamente, meus escritos tinham traços ilusórios de uma motivação exacerbada, sem finalidades práticas. Hoje o reflexo maior dessa mudança é que o que te faz caminhar é, sem dúvidas, olhar para trás e ver o quanto você já andou pela simples decisão de fazer em vez de idealizar fazer.
Você pode agilizar ou não o processo. Depende de você e da sua coragem para arriscar. Desse modo, a única coisa que pode te impedir de ser aprovado enquanto determinado, é uma catástrofe externa. Isso foge ao seu planejamento.


UMA ANÁLISE A PARTE…

Saindo completamente do assunto, não poderia me despedir sem deixar o que penso de tudo o que anda acontecendo em nosso país. Para nós que desejamos ser médicos, que teremos um papel fundamental no desenvolvimento do nosso paciente, no envolvimento com a comunidade e com a saúde coletiva, é necessário deixar um pouco sobre o cenário catastrófico pelo qual estamos passando.
É entristecedor ver a proporção em que o embate por políticos (não por política) tem reverberado o caos social. Antes de querer dizer qual “lado” defendo (quem me tem no Facebook, certamente já sabe), digo que acima de qualquer viés político-ideológico, está uma nação regida por uma constituição que deve ser considerada. Muita gente foi torturada e executada para que pudéssemos exercer nosso direito de votar. E vejam… Milhares de pessoas morreram e não tiveram a oportunidade de respirar a redemocratização. E nós? Somos fruto de conquistas que não são nossas. Mas, podemos lutar e deixar nosso legado todos os dias, pois os próximos a inexistir em algum momento, seremos nós…
Sou pró pluralidade democrática, sou favorável às conquistas dos Negros, das Mulheres, da comunidade LGBTQ+, da ascensão do Pobre, dos direitos dos Deficientes, e do respeito à laicidade do Estado, portanto, é inviável para minha racionalidade construída num longo e exaustivo processo de estudos, aceitar o fato de um candidato se opor à tudo isso, e vir com uma frase em que coloque uma vertente religiosa acima de TODOS que estão sob uma constituição clara; não adianta agora querer tornar o discurso menos radical, acompanho certas figuras de outros carnavais, não será agora que nascerá um novo “Messias”. (atentem-se à polissemia do termo…rsrs, fica ainda mais evidente contra o que estou me manifestando).
Quero deixar claro que não estou buscando confronto com ninguém. Muito menos querendo desperdiçar o tempo de quem leu visando a única e exclusiva proposta do texto.
É primário que o posicionamento de um futuro médico tem que ser (deveria em muitos casos) conivente aos princípios que ele se banhará no conúbio com a medicina. Não podemos deixar que aspectos de caráter secundário no convívio coletivo, sejam superiores ao bom senso com a pluralidade de nossos concidadãos. Pensem na coletividade, em especial, pensem em quem mais carece de auxílio para fazer parte efetivamente da democracia que deveria abraçar a todos.
Tempora mutantur, amigos. Uma hora o “status quo” entraria em crise. Pois em algum momento, todos que estão sob tutela da constituição cidadã de 1988, buscariam seus direitos. E toda mudança exige esforços e coloca muitas frentes em choque. Mas, não podemos nos esquecer que os princípios defendidos constitucionalmente, precisam ser efetivos. E é óbvio que a conta que a concentração histórica devia, chegaria mais cedo ou mais tarde.

Beijos, Abraços, até breve e BOAS PROVAS!! 😘❤