RENÚNCIA POR UM SONHO

QUAL SUA MAIOR RENÚNCIA PARA CONTINUAR LUTANDO PELA MEDICINA?

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Olá caros, há uns dias atrás eu estava conversando com uma grande amiga minha sobre nossos progressos no vestibular, mostrando as notas, os aumentos gradativos,  mostrei um gráfico que revelava um aumento significativo nos meus últimos vestibulares, pequenos avanços, mas significativos progressos; tivemos uma longa conversa e muitos assuntos surgiram. Eu confesso à vocês, como sabemos por nós mesmos, todo Vestibulando de Medicina tem momentos de reflexão, eu não estava “sentindo algo motivador” para criar uma postagem que transmitisse algo inspirador à vocês, quando estou assim prefiro refletir e buscar motivações; após esse “saboroso diálogo”, lembrei da minha maior loucura pra entrar de vez na busca do meu sonho: Medicina, e jogar o “medo” para longe do meu caminho. Aliás, vocês devem ter notado a imagem desta postagem, não é? Aposto que se identificaram com a frase, sonhamos alto, mas quem falou que temos medo de lutar pelo nosso sonho?
O título da postagem é bem sugestivo, pois a intenção não é apenas eu falando, quero a participação de vocês nos comentários – se puderem, compartilhando suas experiências e a loucura ou renúncia de vocês. Lembrem-se: somos uma corrente que se ajuda e transmite auxílio, nem que seja por uma mensagem de conforto à outras pessoas que necessitam da nossa experiência, ao final se tiverem alguma história, estarei atento para lê-la.
Eu repito várias vezes aos meus leitores, sempre que buscarem um significado no texto, não leiam as palavras! Apesar de paradoxal, faz sentido. Sintam o texto, imaginem a situação, tenham empatia, coloquem-se nas entrelinhas, o texto foi feito para inspirar cada um de vocês, e para fortalecer a nossa confiança pra vencermos todos os obstáculos que estão por vir, mas torno a repetir, não tenho a sensibilidade do gênio – meu ídolo, Chico Buarque de Hollanda, porém, tento caracterizar ao máximo os textos para trazer sentido à leitura, buscando conquistá-los, meus caros.
Então, sem mais delongas… 
Vamos à minha maior renúncia, o que eu fiz para manter meu sonho vivo abrindo mão de muita coisa….

MINHA MAIOR RENÚNCIA

Como repito sempre, estou há 4 anos tentando Medicina, se não for aprovado em uma das provas que estou aguardando, será meu 5º ano. Em 2010 eu prestava provas inconscientemente, não tinha um norteamento, sabia que faria parte da saúde brasileira, entretanto, Medicina era muito para mim, “coisa de pobre” como meus avós, familiares e alguns amigos diziam para mim. Eu, por não ter mínima maturidade, digeria bem esse veneno que só aumentava meu medo e o sentimento de incapacidade, não apenas por me ver incapaz para a Medicina, mas por não me ver capaz para nenhum curso a cada “balde de água fria” nos conselhos de vida que eu recebia, eu me achava “burro”, fraco e com o destino traçado: ter uma vida pataca, fracassada e estagnada, sendo escravo dos serviços desumanos e braçais, sem perspectiva, eu era o “pessimismo desnorteado”, não tinha exemplos de que é possível passar; hoje tenho vários, presenciei pessoas sendo aprovadas, coisa que naquele tempo, para mim seria impossível, pessoas com uma vida difícil, dificuldades financeiras, trabalho, persistência e no final, gratificação e cumplicidade por ter vencido, o autorreconhecimento.
Após o período de muito desestímulo, prestei meu primeiro vestibular, – cheguei a fazer uns 5 meses de cursinho, mas desisti porque não conseguia resolver nenhum exercício -, realizei o ENEM, nunca havia pensado que numa prova dita como “fácil” por vários professores da época, poderia me desestimular tanto, eu  não sabia fazer nada, entrei em desespero e chutei várias, – senão a prova inteira, o pesadelo estava concretizado e o medo ganhava força: eu não era capaz.
Tive um desempenho horroroso, não conseguia nem “passar em RH”, não menosprezando o curso, respeito todas as profissões, cada uma tem seu grau de importância para nossa carente sociedade, mas minha nota não deu nem para Recursos Humanos, foi uma das saídas para dizer:”PASSEI”, só para me sentir igual aos outros que conseguiam alguma coisa, pra me sentir bem, e ocultar o sentimento de incapacidade, devo dizê-los que meus familiares ostentavam aprovações – nenhuma em Medicina, exemplos de amigos dos meus familiares, amigos de colégio com fotos em rede social “FACULLL”, isso me deixava muito triste e fazia meu mundo cair cada vez mais. Mas se tem uma coisa que eu aprendi com tantas frustrações, foi ser forte e frio, conseguindo controlar meus sentimentos de derrota e convertendo-os em ódio do vestibular. Logo, vemos um problema, o vestibular me causava “ódio” e eu tinha que me livrar dele, comecei a trabalhar meus erros, comecei a entrar em grupos virtuais de estudo, criar cronogramas – dos quais muitos nem iniciei, mas fiz um progresso, só que meu maior problema continuava me afrontando: o medo de enfrentar a Medicina, “olho no olho”, de buscá-la, mas algo me ligava à ela…
Foi então que eu tomei uma decisão, não me recordo perfeitamente – não sou tão preciso com datas, no início de 2012 me inscrevi no curso Técnico de Enfermagem. Foi algo inusitado, mas eu sentia que isso iria me aproximar da Medicina, “iria”, aos poucos fui gostando do curso, por acaso nos trabalhos e seminários, eu era péssimo no tema “Cuidados de Enfermagem”, calma! Eu não sou uma má pessoa, eu não conseguia aprender, tampouco, demonstrar interesse pelos cuidados, queria me aprofundar nas patologias, conhecer todos os microrganismos, Plasmodium, Cryptosporidium, Klebsiella, saber todo o funcionamento do organismo e do sistema imunológico, anatomicamente e fisiologicamente, aprender a psicologia aplicada, eu adorei um trabalho que fizemos para interrogar profissionais, visando analisar didaticamente os relatórios em sala, para ver quem “supostamente” apresentava o perfil de “Síndrome de Burnout” que é o estresse excessivo ao trabalho e faz os profissionais perderem o sentido pelo qual buscaram sua profissão. Além disso, me fascinava com a saúde do idoso, saúde da criança e estudava loucamente as patologias do sistema nervoso, principalmente neurodegenerativas, Alzheimer, Parkinson, etc. Se eu ficasse dizendo o que eu gostei, levaria a postagem inteira, mas isso era um problema, aos poucos me distanciava da Medicina, cheguei até a pensar em começar a prestar Enfermagem, já que não estudava mais para o vestibular desde que comecei o Técnico de Enfermagem – mesmo prestando as provas, abri mão dos estudos e me afundei no Técnico, me afundei tanto que era referência da turma, Professores, Coordenadores, todos comentavam meu desempenho, minha paixão, me convidavam para estágios remunerados, recebi até mesmo propostas para trabalhar em hospitais conhecidos por indicação. Eu me lembro como nunca, era muito elogiado nos estágios, os pacientes falavam para meus professores: “esse garoto me tratou tão bem, nenhum funcionário desse hospital havia cuidado de mim assim, ele vem amanhã?” Só que um problema começou a surgir.  Me deparei novamente com algumas desmotivações, enquanto eu estava em clímax, era como se eu estivesse vivendo a Medicina “camuflada” de Enfermagem, para mim era Medicina, mas aos poucos fui tomando consciência da minha posição, principalmente quando conheci alguns profissionais que só desmotivavam a gente, um desses me disse: “estudar para quê garoto, somos todos “lixeiros de colarinho branco”. Isso foi um verdadeiro “balde de água fria” na minha motivação, eu comecei a perceber que estava fantasiando a profissão do meu sonho, quando ficava perguntando coisas específicas para os pacientes, o aspecto, o nome que o médico disse do microrganismo, coisas bem específicas e não atribuídas à Enfermagem, começaram a me alertar, dizer que não podia conversar com o paciente, que deveria entrar, fazer o procedimento e sair. Mas eu era muito comunicativo, um dia no Hospital da Mulher em Santo André, quando menos esperei, estava eu, no meio de várias pacientes gestantes, conversando, rindo, tirando as dúvidas, dizendo sobre meu sonho, e os outros alunos chamaram minha atenção porque eu deveria “cumprir minha tabela” para que todos pudessem ir para casa. Eu não reclamei, comecei a virar uma espécie de “robô”, estava perdendo aquela paixão, levava diagnósticos para casa e os estudava, para no dia seguinte fazer demonstrações ao Professor e chefe de Enfermagem do Hospital Beneficência Portuguesa de São Caetano, fui uma grande referência, quando eu voltava para casa ele parou o carro e me fez uma proposta, pediu para eu ir num dia em que ele estivesse de Plantão – devo dizer que ele era bem rígido e nunca fez isso com nenhum aluno do meu grupo, disse que após a conclusão dos estágios, que eu deixasse um currículo diretamente para ele me encaminhar, eu já tinha várias propostas, Hospital Helena também, pois na mostra cultural que tivemos durante minha apresentação de Asfixia com o grupo eu socorri “sem saber”, a responsável pela contratação do pessoal de Enfermagem, pois ela teve uma queda de pressão pelo ambiente quente e abafado, também havia feito prova no Hospital Mário Covas, estava bem encaminhado e com a profissão garantida.
Até que um dia, com algumas dúvidas sobre qual Hospital deveria trabalhar, fui para um estágio, lembro desse dia como se fosse ontem, foi nele que tive minha maior descoberta. O estágio foi no Hospital de Ortopedia e Traumatologia IFOR de São Bernardo do Campo, durante este, tivemos a oportunidade de ir ao Centro Cirúrgico assistir uma cirurgia, me impressionei tanto, tanta autoridade, tanto controle da situação, tantos instrumentais, tanta interação e descontração entre os Médicos, que pensei profundamente pela primeira vez em toda minha vida: “à quem eu quero enganar, estou perdendo tempo, meu lugar é na Medicina”, depois desse dia tive uma semana agitada de pensamentos, comecei a planejar como faria para largar o curso, já havia concluído o Auxiliar e faltava pouco para concluir o Técnico de Enfermagem, quase dois anos de curso, estava no final – faltavam uns 5 meses, até planejávamos o TCC, mas meu medo era muito grande, largar tudo, estava inclusive recebendo ajudas financeiras de minha família, que declarava apaixonada ao mundo, como eu era bom, e como tinham orgulho de mim, finalmente, eu, o medroso fracassado, era alguém cobiçado, alguém que tinha importância, que tinha um sentido.
No meio de tantas dúvidas e vontades controladas, fui à uma página do Facebook, supostamente conhecida como: Projeto Medicina, numa postagem, estava o título: “Qual a maior renúncia que você fez para continuar buscando a Medicina”, parecia que essa postagem havia sido feita para mim, vi tantas histórias e me impressionei com a determinação dos membros, inclusive, um deles havia sido aprovado depois de uma eternidade, abandonado um curso de Biologia e várias situações adversas, comecei a confiar que eu podia, comecei a pensar que deveria estudar só focado para Medicina e abandonar tudo em nome desse sonho, do meu sonho. Foi então que me questionei: o que estou fazendo para buscar meu sonho? A resposta foi vaga, não estava fazendo nada, prestava o vestibular dizendo que queria Medicina, mas nem me importava mais em estudar. À partir dessa postagem, decidi ser radical e juntei toda minha vontade, todas as minhas histórias, experiências, vivências, joguei todos os “sonhos provisórios” na lata de lixo, decidi buscar somente a Medicina, abandonei tudo, recomecei do zero, só que uma coisa mudou: minha confiança. Joguei o medo no lixo, junto com minhas propostas de ser alguém, minha conclusão? Fiz a melhor escolha, hoje não estaria com esse BLOG, compartilhando tanta coisa com vocês, motivando-os, dando dicas, mostrando que é possível acreditar, se não tivesse tomado essa decisão, e vejam! Foi através de uma postagem, às vezes uma simples palavra de apoio no momento certo, faz transformações incríveis, muda uma vida inteira e nos aproxima dos sonhos, por isso que mantenho esse blog ativo, sei que muitos nem sentem o que eu escrevo, mas alguns, no fundo, identificam-se com cada palavra, e querem realizar esse sonho, é por isso que não abandonarei a página nem quando for aprovado, continuarei compartilhando minhas experiências e paixões com vocês.
Hoje estou a pouquíssimos – acredito eu, um degrau. Posso não ter uma Faculdade, uma formação acadêmica, mas tenho vontade, tenho confiança, não tenho medo de cair, já tive quedas grandes e dou minha cara para bater, as experiências trouxeram muito crescimento, eu não me arrependo de ter feito o Técnico, tampouco, de ter desistido no final, ainda tenho o certificado do Auxiliar, mas nem atuarei mais, quando alguém tem problemas de hipertensão ou hipotensão, faço aferição, teste de glicemia, etc. Tudo para ajudar, não exercerei Enfermagem no âmbito auxiliar, profissionalmente, mas estou motivado e tenho certeza de que minha Faculdade de Medicina se aproxima, e quando isso acontecer, farei questão de compartilhar esse amor com vocês, e libertar cada palavra de motivação, cada grito contido, porque tudo é possível quando você tem um sonho e não abre mão disso por nada, enfrentando até seus medos, buscando seu sonho dia pós dia, calorosamente, de forma árdua, sofrendo, mas tudo será compensado. Meu conselho para quem está começando? Acredite em você, ninguém será aprovado por você, por isso, busque motivações, descubra-se, viva o seu “eu”, com muito amor, respeite seus limites e valorize sua capacidade. Se chegou até o final desse texto, já é um vencedor por buscar motivação para sua força-motriz interna. E quem está há um tempo? Paciência, sua hora está chegando, já te considero um vitorioso e quero sua história de glória quando for aprovado, estamos juntos, seremos amigos de profissão – e quem sabe poderemos atuar juntos!
Confio em vocês, quem tiver alguma história, comente e inspire à todos! Abraços Doutores.

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