O que me motivou a continuar tentando Medicina? (Tente outra vez!)

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Em 2018, é nesse lugar que quero estar!!

Já dizia o amado Raul Seixas, na sua canção antológica “Tente outra vez”. Nunca essa breve frase fez tanto sentido como na vida de quem luta por algo grandioso, assim como nós, vestibulandos de medicina. Daí, Renato Russo complementa o “tente outra vez”, com: “quem acredita sempre alcança”. Antes de ser vestibulando, na minha fase de inexistência de consciência de qual vida gostaria de viver, quando não acreditava em mim e nem que meu futuro poderia ser modificado para o que eu quisesse com as ações do agora, eu ouvia essas canções com apatia, sem nenhuma empatia. Entretanto, na vida, ou a gente “milagrosamente” apanha e descobre qual o melhor caminho e, por conseguinte, obtém opções da “felicidade”, ou alguém aparece para nos dizer que é possível ser médico, que não é só o filho do rico que nasceu com dotes intelectuais extraterrestres, e, por isso, está nas melhores universidades públicas do país, sendo ele o único capaz de se tornar um médico. Esses mitos são derrubados depois das primeiras barreiras vencidas. Saber da existência do vestibular. Após o processo árduo da descoberta, depois de ter dissipado parte da sua existência se preparando para o mercado de trabalho, conformando-se com o inefável pensamento propagado por gerações, de que precisamos ser a mão de obra desqualificada que é explorada, e que de forma análoga à escravidão, tem sua existência sem consciência de si própria. Uma passagem de olhos vedados. Sem saber que as opções não são aquelas impostas, mas as que você, através da possibilidade de discernimento, pode dizer: serei médico! Eis o direito do livre arbítrio, que teoricamente é bonito, não fossem os empecilhos já referidos nesse texto. Bom! Chega de tanto pessimismo… rs  Já sabemos não de tempos atuais que tudo está errado na educação e na equidade desta nesse país.  Sem mais delongas; sobre tentar outra vez… 

Ao final da postagem, você, Leitor, poderá dizer nos comentários, caso não seja seu primeiro ano: qual a motivação que te fez tentar de novo?

No meu caso é simples, não desisto da única escolha que foi puramente decidida por mim, não teve nenhuma influência, ninguém disse que deveria ser médico, pelo contrário, todos diziam coisas péssimas, que me faziam querer desistir – inicialmente -, e até me inferiorizavam mais, com coisas referidas em linhas anteriores, porque não sou de uma família tradicional da elite brasileira. Mas, hoje, graças a ignorar tudo o que me foi dito e buscar o conhecimento, faço parte, assim como você, Leitor, da – infelizmente -, minoritária elite pensante desse país. Ann??! Como assim, elite pensante?! Você se acha, cara! Ei… Se você está tentando medicina e tem acesso às fontes de conhecimento, se estuda e tem oportunidade de se preparar, de lutar para aprender e está aprendendo… Saiba que você é minoria sim. Então, precisa fazer algo com sua oportunidade. Precisa efetivar isso, agir com mais seriedade, ter mais vontade! Ano passado tive minha maior provação, de que a vida, essa que vivemos entorpecidos pelos livros, pelas coleções dos cursinhos, pelas listas intermináveis de questões difíceis… Apesar de saber que a morte é o único fim que não se pode negar a existência, é o término de nossa passagem em um curto período de atividade. Nunca pensei nisso antes de ter visto alguém que para mim – mesmo sabendo da efemeridade da vida – era eterno. Depois de saber que por toda parte que correr nesse planeta finito, nunca mais encontrarei meu avô, nunca mais terei o abraço dele, não mais ouvirei sua voz me chamando, não terei os conselhos que ele sempre me dava, não terei com quem compartilhar a alegria de passar, é como numa letra de uma banda que muitos possuem preconceito, do Fresno, “não há ninguém aqui pra você provar que existe”… Sei que é forte isso, e que melhorei muito. Mas, esse trecho nas proximidades do ocorrido, exemplifica com perfeição o que eu estava sentindo e que só agora vocês sabem do que foi esse impacto em minha vida. Depois ter passado por esse ocorrido, sinto que o Alexandre que vos escreve, passou por uma metamorfose, a versão de agora pensa mais nas pessoas que ficaram, estuda com muito mais seriedade, já que não pode desperdiçar o tempo curto que tem aqui, e quer muito fazer algo grandioso nessa vida. Deixar um legado à sua existência. Lembre-se, não estamos aqui para ficar. Então, quando der aquela vontade de parar de estudar, de que você não tem forças… Estudar é menos doloroso que passar uma vida inteira (a única vida que você tem) desperdiçando tempo fazendo o que os outros querem que você faça. Hoje tenho o apoio das pessoas que ficaram, com o estudo sério, sei que conseguirei efetivar esse ano, já que nos últimos anos, apesar de estudar bastante, eu não estava conectado pela força da seriedade. Era guiado pela motivação de um aventureiro que “testa” situações, que vai avançando, sem cravar a certeza do êxito, guiado pelo acaso. Hoje não, vejo esse ano como único. Não me imagino planejando nada pra 2018 que não tenha relação direta com o início da Faculdade de Medicina na USP (de preferência). A vida não pode ser desperdiçada pelo acaso. É isso que me fez continuar… De todos os anos que presto vestibular, nunca tive nada como isso… Que me dissesse “você não teve seriedade nos anos anteriores, por esse motivo, perdeu a oportunidade de já ter iniciado a faculdade”. Todos nós fazemos o nosso tempo na nossa realização, tudo depende da sua vontade e da sua filosofia, de estar certo de que vai dar certo e fazer acontecer. Porque, quando você começa a estudar e pensar “ano que vem estudo mais”, você já está com a filosofia de quem vai reprovar. Era isso que me tirava a efetividade dos meus atos. A falta de seriedade com um sonho… Não basta ter vontade, confiança e planejamento… Se não houver seriedade com seu sonho, com você, com a sua curta existência. Tudo isso me fez ver esse ano como único, e me fez tomar a coragem que nunca tive, de saber dizer “não”, de evitar os excessos, de estar do lado de quem só terei oportunidade de ver por mais alguns anos, pois as pessoas, infelizmente, morrem. Então, aproveite as pessoas que estão com você! Ame sua mãe, seu pai, seu avô, sua avó, seu irmão, sua irmã, seu tio, sua tia, seu primo, sua prima, seu melhor amigo ou amiga, seus colegas. Ame as pessoas!! Elas, quando partem, fazem uma falta imensa. Sei que você está preocupado com a sua aprovação, mas, não se prive de amor. Nós, humanos, não fomos feitos para sermos isentos de amor, e você, meu caro… Escolheu a medicina, precisará saber amar as pessoas, então, comece pelas que estão na sua vida, porque a pior coisa é procurar alguém e saber que ela não está de viagem e retornará semana que vem, é saber que ela nunca mais vai voltar… Dedique-se. Tenha seriedade e respeito pelo seu planejamento. Siga o que você quer fazer, e ouça a voz interna que grita “faça isso”, você precisa se ouvir, dar-se a oportunidade de ser feliz, porque você também partirá, e fazer isso deixando o seu legado, sendo honesto com você e dando-se alegria, não tem preço. Isso ninguém pode fazer por você, só você mesmo! Desculpem a densidade das palavras, exemplos, etc. Sempre fui franco com vocês e não privei nada. Mas, precisava de um tempo pra criar um texto sobre isso… Agora vocês sabem o porquê realmente meu plano vai dar certo. Não é pela planilha exagerada, afinal, a vida planilhada inexiste, por sua complexidade. Saibam que mudei bastante minha planilha. Sempre que percebi haver algum desequilíbrio ou algo que não estava funcionando. Agora é a sua vez, caso queira compartilhar o que te fez continuar tentando… Me diga nos comentários!! Então, por formalidade farei a pergunta… rs
E você? O que te fez continuar lutando pela Medicina?

Se puder, responta! Abraços e sucesso, doutores! Nos veremos nas Listas de 2018!!