CONSTRUINDO UM MODELO DE REDAÇÃO NOTA MIL

Fala, galera! Esse ano resolvi desconstruir alguns vícios contidos nas minhas antigas redações e me abrir ao aprendizado.
Dessa forma, notei que possibilitei um amadurecimento no meu jeito de dissertar e argumentar. Até porque, o propósito de buscar sair do limbo de um padrão mediano de pontuações, exige que estejamos dispostos a abrir a mente para novos modos de aprender, assimilar e aplicar o que nos permitimos apreender. Isso me fez criar meu modelo definitivo de redação nota mil para o Enem, o qual ainda estou trabalhando em sua cristalização. Já é mais nítido notar um salto qualitativo nas minhas duas últimas redações (5 e 6).
Antes de publicá-las, vamos ao passo lógico do meu planejamento textual e do resultado do modelo definitivo de redação:

Introdução:

Na introdução eu geralmente utilizo a forma analítica de elaborar a tese. Faço uma contextualização, que pode ser histórica, social, filosófica, etc. Tudo depende do contexto, para em seguida, fazer o direcionamento e, desse modo, trazer a redação para a realidade que será corroborada. Nesse direcionamento, utilizo dois adjetivos de marca argumentativa que serão desenvolvidos posteriormente no desenvolvimento I e no desenvolvimento II. O terceiro tópico da minha introdução é um recurso que fará paralelismo com a conclusão. É um elemento conclusivo, que antecipa o que irei trabalhar na proposta de intervenção. 

Desenvolvimento I:

Trabalho para provar o teor do primeiro adjetivo de marca argumentativa. No desenvolvimento como um todo, faço o tópico frasal (uma espécie de introdução do desenvolvimento – ideia central à ser destrinchada) e isso implica que tudo será sequencialmente uma “mini redação” dentro do próprio desenvolvimento, a ideia é ter progressão, tendo um começo, meio e fim.
Após o tópico frasal, a fase argumentativa pode vir com algo de cunho filosófico, social, histórico, geográfico, em resumo: contextual. Para findar o desenvolvimento, faço uma conclusão crítica/analítica do que foi abordado no cerne do parágrafo. Tudo de uma forma sucinta, sem excessos. Porque, obviamente, isso deve caber na redação! (risos)

Desenvolvimento II:

Abarca elementos do desenvolvimento I. O que o difere é que trabalho para provar o segundo adjetivo de marca argumentativa. Ademais, também diversifico a área do conhecimento que utilizarei para sustentar meu argumento. Isso faz com que seja nítida a capacidade de demonstrar que se sabe articular diferentes áreas do conhecimento, e enriquece o repertório.

Conclusão:

Minha conclusão fecha o paralelismo feito no desfecho da tese. Talvez seja a parte mais bem consolidada do meu texto, pois é o que mais me deu tripalium nesses anos todos.
Sistematicamente utilizo a mesma forma de direcionar os conectivos conclusivos. Chega a ser automático.
Na minha proposta sempre delego a responsabilidade ao Estado, por via de um ministério, ou com alguma ação interministerial, dependendo do contexto é interessante a parceria entre ministérios, ou quem sabe, público-privada, entre ministério e governo estadual, etc (novamente, é contextual, apesar de na maioria das vezes eu utilizar um ministério).
Além disso, uma coisa que marca a autoria dos meus textos, é apresentar alguma citação também na conclusão. No caso, sempre a mesma citação, pois cabe em todos os temas, por tudo ser direcionável à um processo de esclarecimento da população. A citação é conhecida, do filósofo Immanuel Kant: “o homem é aquilo que a educação faz dele”. 
Outro elemento importante é a capacidade de demonstrar visão analítica de curto e longo prazo, fazendo previsões. Sempre uso como subterfúgio uma previsão imediata que seja, posteriormente, crucial como desencadeadora de outra de longo prazo.

Redações feitas:
OBS: note que minhas redações só vão ganhando um corpo próprio, basicamente, a partir da quarta elaboração. Outra coisa, não utilizo título e me centrei apenas nas redações de formato Enem.

(Redação 1)
R1

(Redação 2)
R2

(Redação 3)
R3

(Redação 4)
R4

(Redação 5)
R5

(Redação 6)
R6

Quem quiser visualizar em PDF, deixarei a pasta que armazeno em meu Gdrive, lá postarei toda semana novas redações. 
Minhas Redações em PDF

Sobre outros aspectos…

Elementos coesivos:

Sempre utilizo muitos conectivos, eles são na maior parte das vezes os mesmos. Existe uma competência do Enem que avalia isso. Então, me habituei a usá-los para manter o máximo de coesão. Desenvolvi isso através da leitura diária de matérias jornalísticas, na maioria das vezes, esportivas. Associei o útil ao agradável. Quem me conhece sabe que amo futebol, meu timão, além de análises futebolísticas de outros clubes além do meu, isso me faz prestar atenção na progressão argumentativa do jornalista para saber como ele constrói sua análise e como sustenta seu argumento para confrontar alguma ideia oposta. Em sequência, quando discordo, eu literalmente falo o porquê da minha discordância (sim, eu falo sozinho… rs). Acho isso fantástico. Porque não sinto nenhum peso, é como se fosse meu turno de lazer. 

Vocabulário:

Meu vocabulário é fruto de uma construção cultural. Além das leituras obrigatórias (que auxiliam em demasia essa questão) e das leituras espontâneas de livros desejados, também leio jornais virtuais, análises de canções do Chico Buarque (sou muito fã) e reflito bastante o valor semântico das palavras no contexto em que aparecem. Outra coisa incrível e que me fez sentir um amor por vasculhar e assimilar novas palavras, é ter um aplicativo de dicionário no celular. Desse modo, aquelas palavras novas que surgem em algum contexto e que me perseguem, acabam parando num bloco de notas no meu celular com uma explicação breve do seu valor semântico original. Sempre que preciso, olho esse bloco para reforçar (caso esqueça brevemente seu significado). Lembre-se que absorver vocabulário ao longo do seu ano estudantil vai ser importante para compor um amplo repertório de sinônimos, o que faz com que seu texto não apresente repetições e fique mais agradável ao corretor.

Estética textual:

Algo que estou trabalhando arduamente desde o início, é caligrafia. Melhorei bastante em relação aos outros textos. Mas, isso se aprimora com treino e bastante concentração na hora de escrever.
Outrossim, fatores que são importantes e que muitas vezes são pouco lembrados estão inseridos nos parágrafos. Sempre sigo um formato relativamente rígido, que pode variar conforme alguma ideia em determinado tema. Costumo utilizar, muitas vezes, até a última linha da folha definitiva. Obviamente, para dar tudo certo na hora de passar a limpo, algumas coisas precisam ser sintetizadas para caber tudo. É nesse momento que sua atenção deve estar no pico, para que elementos coesivos não sejam removidos e o texto não perca sua progressão lógica.

Planejamento textual:

Inicialmente isso vai ocorrer com pouca naturalidade. Porém, quando você já estiver acostumado com o processo, o faz automaticamente. O planejamento textual pode ser feito sem grande desperdício de espaço em algum lugar na sua prova. É uma breve montagem do esqueleto do seu texto, com ideias sintéticas do que você irá desenvolver em cada parágrafo. 

Citações:

• Citação de frases
Uma forma de gravar frases é guardando aquelas que são de autoridade e que cabem na maioria dos contextos. Isso pode ser feito tanto deixando essa frase em uma lousa por algum tempo, até você fixá-la (eu faço isso), ou utilizando um caderno de anotações, bloco de notas, etc. Eu costumo fazer isso nas matérias de humanas. Às vezes, no ápice da aula o professor pode citar alguma frase, daí, se você realmente tem afeto pela aula e pelo assunto explicado, vale a pena guardar a frase. Porque, dificilmente você esquecerá, pois, tudo o que é assimilado com sentimento, acaba se tornando algo para vida.

• Citação de ideias
Muitas vezes você não vai lembrar da frase. Isso implica que entender e saber desenvolver os assuntos será determinante para que você explique isso quando for fazer a referência ao especialista. É relevante você refletir o conhecimento. Geralmente faço isso no transporte, acabo pensando muito sobre as coisas que aprendo e sobre as linhas de pensamento que são desenvolvidos por alguns filósofos, sociólogos, escritores contextualizados em alguma escola literária, historiadores, etc. Em resumo, refletir o conhecimento é importante para sedimentar as ideias por trás das citações, esse artifício é um dos mais recorrentes. Eu o utilizo muito. Especialmente com alguns sociólogos específicos que não lembro as frases. Numa das minhas redações utilizei uma ideia de Émile Durkheim sobre os fatos sociais, porque não tenho frase decorada dele. 

Interdisciplinaridade:

É muito importante que se trabalhe o diálogo das diversas áreas do conhecimento já nas primeiras redações. Esse é um dos diferenciais considerados quando você está nos novecentos e poucos e precisa de algo a mais que torne sua redação o mais próxima possível de mil, ou se tudo se encaixar nos outros elementos, mil. É plausível saber que essa ferramenta deve ser utilizada com bom senso. Até porque a forma como será construída precisa ter conexão lógica. Para isso ocorrer, é relevante considerar os aspectos coesivos.

Considerações Finais

Espero que o pouco que aprendi nesses anos de estudo, ajude a nortear quem está começando a adentrar nesse universo. Ou até servir de incentivo à quem já está calejado, para se encorajar e redescobrir-se como ser que consegue se atualizar e se permite aprender sem julgar-se o cerne de sabedoria. Desejo boa sorte à todos! E FOCO NO JALECO!! 👨‍⚕👩‍⚕ ❤