O que me motivou a continuar tentando Medicina? (Tente outra vez!)

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Em 2018, é nesse lugar que quero estar!!

Já dizia o amado Raul Seixas, na sua canção antológica “Tente outra vez”. Nunca essa breve frase fez tanto sentido como na vida de quem luta por algo grandioso, assim como nós, vestibulandos de medicina. Daí, Renato Russo complementa o “tente outra vez”, com: “quem acredita sempre alcança”. Antes de ser vestibulando, na minha fase de inexistência de consciência de qual vida gostaria de viver, quando não acreditava em mim e nem que meu futuro poderia ser modificado para o que eu quisesse com as ações do agora, eu ouvia essas canções com apatia, sem nenhuma empatia. Entretanto, na vida, ou a gente “milagrosamente” apanha e descobre qual o melhor caminho e, por conseguinte, obtém opções da “felicidade”, ou alguém aparece para nos dizer que é possível ser médico, que não é só o filho do rico que nasceu com dotes intelectuais extraterrestres, e, por isso, está nas melhores universidades públicas do país, sendo ele o único capaz de se tornar um médico. Esses mitos são derrubados depois das primeiras barreiras vencidas. Saber da existência do vestibular. Após o processo árduo da descoberta, depois de ter dissipado parte da sua existência se preparando para o mercado de trabalho, conformando-se com o inefável pensamento propagado por gerações, de que precisamos ser a mão de obra desqualificada que é explorada, e que de forma análoga à escravidão, tem sua existência sem consciência de si própria. Uma passagem de olhos vedados. Sem saber que as opções não são aquelas impostas, mas as que você, através da possibilidade de discernimento, pode dizer: serei médico! Eis o direito do livre arbítrio, que teoricamente é bonito, não fossem os empecilhos já referidos nesse texto. Bom! Chega de tanto pessimismo… rs  Já sabemos não de tempos atuais que tudo está errado na educação e na equidade desta nesse país.  Sem mais delongas; sobre tentar outra vez… 

Ao final da postagem, você, Leitor, poderá dizer nos comentários, caso não seja seu primeiro ano: qual a motivação que te fez tentar de novo?

No meu caso é simples, não desisto da única escolha que foi puramente decidida por mim, não teve nenhuma influência, ninguém disse que deveria ser médico, pelo contrário, todos diziam coisas péssimas, que me faziam querer desistir – inicialmente -, e até me inferiorizavam mais, com coisas referidas em linhas anteriores, porque não sou de uma família tradicional da elite brasileira. Mas, hoje, graças a ignorar tudo o que me foi dito e buscar o conhecimento, faço parte, assim como você, Leitor, da – infelizmente -, minoritária elite pensante desse país. Ann??! Como assim, elite pensante?! Você se acha, cara! Ei… Se você está tentando medicina e tem acesso às fontes de conhecimento, se estuda e tem oportunidade de se preparar, de lutar para aprender e está aprendendo… Saiba que você é minoria sim. Então, precisa fazer algo com sua oportunidade. Precisa efetivar isso, agir com mais seriedade, ter mais vontade! Ano passado tive minha maior provação, de que a vida, essa que vivemos entorpecidos pelos livros, pelas coleções dos cursinhos, pelas listas intermináveis de questões difíceis… Apesar de saber que a morte é o único fim que não se pode negar a existência, é o término de nossa passagem em um curto período de atividade. Nunca pensei nisso antes de ter visto alguém que para mim – mesmo sabendo da efemeridade da vida – era eterno. Depois de saber que por toda parte que correr nesse planeta finito, nunca mais encontrarei meu avô, nunca mais terei o abraço dele, não mais ouvirei sua voz me chamando, não terei os conselhos que ele sempre me dava, não terei com quem compartilhar a alegria de passar, é como numa letra de uma banda que muitos possuem preconceito, do Fresno, “não há ninguém aqui pra você provar que existe”… Sei que é forte isso, e que melhorei muito. Mas, esse trecho nas proximidades do ocorrido, exemplifica com perfeição o que eu estava sentindo e que só agora vocês sabem do que foi esse impacto em minha vida. Depois ter passado por esse ocorrido, sinto que o Alexandre que vos escreve, passou por uma metamorfose, a versão de agora pensa mais nas pessoas que ficaram, estuda com muito mais seriedade, já que não pode desperdiçar o tempo curto que tem aqui, e quer muito fazer algo grandioso nessa vida. Deixar um legado à sua existência. Lembre-se, não estamos aqui para ficar. Então, quando der aquela vontade de parar de estudar, de que você não tem forças… Estudar é menos doloroso que passar uma vida inteira (a única vida que você tem) desperdiçando tempo fazendo o que os outros querem que você faça. Hoje tenho o apoio das pessoas que ficaram, com o estudo sério, sei que conseguirei efetivar esse ano, já que nos últimos anos, apesar de estudar bastante, eu não estava conectado pela força da seriedade. Era guiado pela motivação de um aventureiro que “testa” situações, que vai avançando, sem cravar a certeza do êxito, guiado pelo acaso. Hoje não, vejo esse ano como único. Não me imagino planejando nada pra 2018 que não tenha relação direta com o início da Faculdade de Medicina na USP (de preferência). A vida não pode ser desperdiçada pelo acaso. É isso que me fez continuar… De todos os anos que presto vestibular, nunca tive nada como isso… Que me dissesse “você não teve seriedade nos anos anteriores, por esse motivo, perdeu a oportunidade de já ter iniciado a faculdade”. Todos nós fazemos o nosso tempo na nossa realização, tudo depende da sua vontade e da sua filosofia, de estar certo de que vai dar certo e fazer acontecer. Porque, quando você começa a estudar e pensar “ano que vem estudo mais”, você já está com a filosofia de quem vai reprovar. Era isso que me tirava a efetividade dos meus atos. A falta de seriedade com um sonho… Não basta ter vontade, confiança e planejamento… Se não houver seriedade com seu sonho, com você, com a sua curta existência. Tudo isso me fez ver esse ano como único, e me fez tomar a coragem que nunca tive, de saber dizer “não”, de evitar os excessos, de estar do lado de quem só terei oportunidade de ver por mais alguns anos, pois as pessoas, infelizmente, morrem. Então, aproveite as pessoas que estão com você! Ame sua mãe, seu pai, seu avô, sua avó, seu irmão, sua irmã, seu tio, sua tia, seu primo, sua prima, seu melhor amigo ou amiga, seus colegas. Ame as pessoas!! Elas, quando partem, fazem uma falta imensa. Sei que você está preocupado com a sua aprovação, mas, não se prive de amor. Nós, humanos, não fomos feitos para sermos isentos de amor, e você, meu caro… Escolheu a medicina, precisará saber amar as pessoas, então, comece pelas que estão na sua vida, porque a pior coisa é procurar alguém e saber que ela não está de viagem e retornará semana que vem, é saber que ela nunca mais vai voltar… Dedique-se. Tenha seriedade e respeito pelo seu planejamento. Siga o que você quer fazer, e ouça a voz interna que grita “faça isso”, você precisa se ouvir, dar-se a oportunidade de ser feliz, porque você também partirá, e fazer isso deixando o seu legado, sendo honesto com você e dando-se alegria, não tem preço. Isso ninguém pode fazer por você, só você mesmo! Desculpem a densidade das palavras, exemplos, etc. Sempre fui franco com vocês e não privei nada. Mas, precisava de um tempo pra criar um texto sobre isso… Agora vocês sabem o porquê realmente meu plano vai dar certo. Não é pela planilha exagerada, afinal, a vida planilhada inexiste, por sua complexidade. Saibam que mudei bastante minha planilha. Sempre que percebi haver algum desequilíbrio ou algo que não estava funcionando. Agora é a sua vez, caso queira compartilhar o que te fez continuar tentando… Me diga nos comentários!! Então, por formalidade farei a pergunta… rs
E você? O que te fez continuar lutando pela Medicina?

Se puder, responta! Abraços e sucesso, doutores! Nos veremos nas Listas de 2018!!

(DIÁRIO) MARÇO DE 2017 – O que ando fazendo do meu conúbio com o vestibular?

PUBLICAÇÃO ||05 de Março de 2017 || ATUAL**

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Que coisa, heim gente? Eis que estou em meu primeiro diário de 2017! Olhem os meses passando… Lembro que em algum texto atrás vos disse que “um ano voa…”. E não é que isso está acontecendo de novo? Bom! O que ando fazendo da minha vida nesses dias que fiquei meio isolado do Blog. Vejamos… Além de ter posto meu plano de estudos em prática, fazendo várias adaptações e só conseguindo relativo êxito de um esboço fixo em meados de fevereiro, as matérias estão entrando e os registros de “fase concluída” sendo relatados na minha pasta de administração de estudos. Não vou lhes dizer que é alegria o tempo todo, porque já passei por estágios de matéria acumulada, principalmente, antes de pegar ritmo novamente. E muitas coisas que fiz no primeiro calendário que postei aqui no Blog, principalmente no que refere-se ao quadro de provas, tive que dar uma flexibilizada, e melhorar no quesito: distribuição de provas ao longo do ano. Foi uma dor de cabeça extra, mas quando você vai “tocando o barco” no seu roteiro, você vai percebendo o que está dando certo e o que está fazendo a maré se levantar lentamente contra a sua pessoa. Só que nesse momento você precisa utilizar a experiência dos erros para perceber que algo tem que ser feito, e não apenas perceber, senão não adianta de nada! E, daí, cometemos outro erro passado. Não.. Não.. Hoje sou um homem movido pela ação planejada e não pela ação imaginada! Pelos atos pensados, mas, executados! Sem nenhum medo. Os prejuízos podem ser trabalhados, mas o que importa no final não é só a parte. Mas, o todo. De que adianta subir um degrau e vibrar por isso, se você não continuar subindo e subindo, e subindo.. E se dando conta de que você já está perto do final. Então, o todo, o somatório das vitórias é muito importante, porque ele é tudo o que te fez ser o que és hoje! É como vejo. Por isso, mudanças são necessárias sempre que seu instinto e seus resultados dizem que é preciso flexibilizar algo. E minha vida? Só estudos? Não.. Não… Eu não vou dizer pra vocês que sou o “senho baladeiro”, aliás, sou um “furão..”. kkkkk. Furei muito com meus amigos, sou aquele cara que vai desistindo de sair gradativamente, até porque não gosto de sair. Mas, aprendi que o verbo “viver”, não é somente, sair e forçar o divertimento (se isso para você não é divertimento). Viver é fazer o que te faz bem. O que tira a sua sobrecarga, o que gera força motriz pra você atropelar os obstáculos. Eu converso com minha mãe, amo falar com ela até de Futebol!! Vejam, ela ama Futebol, o nosso Corinthians. Eu gosto de ler sobre futebol também, pra ter argumentos com ela… kkkkkkkk E além disso, amo meus irmãos, minha família. Jogo video game também nos finais de semana. O velho “rachão” de futebol com meus irmãos. Aquela briga pra ver quem ganha os campeonatos e quem é o primeiro lugar… Olha o espírito do vestibular em lugares que você nem imaginava… kkkkkkk. Bom, além disso, todo final de semana durmo na casa da minha vó. Lá a gente conversa até tarde, bebo aquele maravilhoso e revitalizador café com leite da vovó na xícara feita sob medida para o meu conforto psicológico kkkkkk, assisto filmes até tarde com meu irmão, e converso muito com minha avó! Ela agora está dormindo mais tarde. Amo minha veinha!! Perdi meu avô, mas onde quer que ele esteja, está feliz em nos ver todos juntos, vivendo. Ele sempre foi alegre e  não ia querer ver só melancolia. Sempre bate aquela tristeza às vezes, é inevitável. Mas, quando isso acontece, nada melhor que curtir a presença daqueles que importam para a gente e que ainda fazem parte desse plano. Esse ano estou com poucos amigos presentes, só os remanescentes que me aturaram… kkkkkk. Todos eles focados no vestibular. Então, já dá pra ver. Converso todo dia com um amigo meu, mas é aquilo.. Falamos uns minutos, nos motivamos, e damos aquele “agora foca aí velho! quero ver você aprovado ano que vem heim, vai estudar!!!”. Todos encarnados. E isso resume a minha ausência. Ah! Estava tendo pouca evolução na academia! kkkkk Então, replanejei isso também, estou malhando em casa. E nas minhas férias (mês que vem) pretendo dar uma intensivada só pra  perder uma barriguinha de herança do sedentarismo… kkkkkkk. Quero correr no parque. Vou ver se consigo convencer minha mãe de ir comigo! Sobre as redes sociais… Dei uma isolada. Eu entro sempre que dá vontade no Facebook (ultimamente, ando muito sem vontade de facebook), só quando dá vontade de postar uma letra do Chico e fazer monólogos sobre essa letra kkkkkk, ou até mesmo postar uma reflexão. Sempre que vem. De tudo, não necessariamente de vestibular… Bom… Perdi meu celular ontem e estou sem WhatsApp, e vejam! Eu só estava entrando no Whats das 21 às 0h30. Que era meu tempo de redes sociais. E muitas vezes nem lembrava de ligar o celular… Então, decidi que só pegarei outro no final do ano. Assim, sem WhatsApp, já me livro da necessidade de ter um horário pra entrar num aplicativo que estava quase esquecido… kkkkkk. E acho que é só isso… Desculpa a informalidade, meu Diário; só queria ser mais próximo de você e de quem o lê. Já que as dissertações já exigem minha atenção gramatical. Não quero mecanizar isso aqui não… kkkkk Chega de vestibular, aqui é pra respirar. Então… Vou nessa!! Estava com saudades. Em breve postarei de novo. Aguardem! rs

QUAL SUA MAIOR RENÚNCIA PARA CONTINUAR LUTANDO PELA MEDICINA?

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Olá caros, há uns dias atrás eu estava conversando com uma grande amiga minha sobre nossos progressos no vestibular, mostrando as notas, os aumentos gradativos,  mostrei um gráfico que revelava um aumento significativo nos meus últimos vestibulares, pequenos avanços, mas significativos progressos; tivemos uma longa conversa e muitos assuntos surgiram. Eu confesso à vocês, como sabemos por nós mesmos, todo Vestibulando de Medicina tem momentos de reflexão, eu não estava “sentindo algo motivador” para criar uma postagem que transmitisse algo inspirador à vocês, quando estou assim prefiro refletir e buscar motivações; após esse “saboroso diálogo”, lembrei da minha maior loucura pra entrar de vez na busca do meu sonho: Medicina, e jogar o “medo” para longe do meu caminho. Aliás, vocês devem ter notado a imagem desta postagem, não é? Aposto que se identificaram com a frase, sonhamos alto, mas quem falou que temos medo de lutar pelo nosso sonho?
O título da postagem é bem sugestivo, pois a intenção não é apenas eu falando, quero a participação de vocês nos comentários – se puderem, compartilhando suas experiências e a loucura ou renúncia de vocês. Lembrem-se: somos uma corrente que se ajuda e transmite auxílio, nem que seja por uma mensagem de conforto à outras pessoas que necessitam da nossa experiência, ao final se tiverem alguma história, estarei atento para lê-la.
Eu repito várias vezes aos meus leitores, sempre que buscarem um significado no texto, não leiam as palavras! Apesar de paradoxal, faz sentido. Sintam o texto, imaginem a situação, tenham empatia, coloquem-se nas entrelinhas, o texto foi feito para inspirar cada um de vocês, e para fortalecer a nossa confiança pra vencermos todos os obstáculos que estão por vir, mas torno a repetir, não tenho a sensibilidade do gênio – meu ídolo, Chico Buarque de Hollanda, porém, tento caracterizar ao máximo os textos para trazer sentido à leitura, buscando conquistá-los, meus caros.
Então, sem mais delongas… 
Vamos à minha maior renúncia, o que eu fiz para manter meu sonho vivo abrindo mão de muita coisa….

MINHA MAIOR RENÚNCIA

Como repito sempre, estou há 4 anos tentando Medicina, se não for aprovado em uma das provas que estou aguardando, será meu 5º ano. Em 2010 eu prestava provas inconscientemente, não tinha um norteamento, sabia que faria parte da saúde brasileira, entretanto, Medicina era muito para mim, “coisa de pobre” como meus avós, familiares e alguns amigos diziam para mim. Eu, por não ter mínima maturidade, digeria bem esse veneno que só aumentava meu medo e o sentimento de incapacidade, não apenas por me ver incapaz para a Medicina, mas por não me ver capaz para nenhum curso a cada “balde de água fria” nos conselhos de vida que eu recebia, eu me achava “burro”, fraco e com o destino traçado: ter uma vida pataca, fracassada e estagnada, sendo escravo dos serviços desumanos e braçais, sem perspectiva, eu era o “pessimismo desnorteado”, não tinha exemplos de que é possível passar; hoje tenho vários, presenciei pessoas sendo aprovadas, coisa que naquele tempo, para mim seria impossível, pessoas com uma vida difícil, dificuldades financeiras, trabalho, persistência e no final, gratificação e cumplicidade por ter vencido, o autorreconhecimento.
Após o período de muito desestímulo, prestei meu primeiro vestibular, – cheguei a fazer uns 5 meses de cursinho, mas desisti porque não conseguia resolver nenhum exercício -, realizei o ENEM, nunca havia pensado que numa prova dita como “fácil” por vários professores da época, poderia me desestimular tanto, eu  não sabia fazer nada, entrei em desespero e chutei várias, – senão a prova inteira, o pesadelo estava concretizado e o medo ganhava força: eu não era capaz.
Tive um desempenho horroroso, não conseguia nem “passar em RH”, não menosprezando o curso, respeito todas as profissões, cada uma tem seu grau de importância para nossa carente sociedade, mas minha nota não deu nem para Recursos Humanos, foi uma das saídas para dizer:”PASSEI”, só para me sentir igual aos outros que conseguiam alguma coisa, pra me sentir bem, e ocultar o sentimento de incapacidade, devo dizê-los que meus familiares ostentavam aprovações – nenhuma em Medicina, exemplos de amigos dos meus familiares, amigos de colégio com fotos em rede social “FACULLL”, isso me deixava muito triste e fazia meu mundo cair cada vez mais. Mas se tem uma coisa que eu aprendi com tantas frustrações, foi ser forte e frio, conseguindo controlar meus sentimentos de derrota e convertendo-os em ódio do vestibular. Logo, vemos um problema, o vestibular me causava “ódio” e eu tinha que me livrar dele, comecei a trabalhar meus erros, comecei a entrar em grupos virtuais de estudo, criar cronogramas – dos quais muitos nem iniciei, mas fiz um progresso, só que meu maior problema continuava me afrontando: o medo de enfrentar a Medicina, “olho no olho”, de buscá-la, mas algo me ligava à ela…
Foi então que eu tomei uma decisão, não me recordo perfeitamente – não sou tão preciso com datas, no início de 2012 me inscrevi no curso Técnico de Enfermagem. Foi algo inusitado, mas eu sentia que isso iria me aproximar da Medicina, “iria”, aos poucos fui gostando do curso, por acaso nos trabalhos e seminários, eu era péssimo no tema “Cuidados de Enfermagem”, calma! Eu não sou uma má pessoa, eu não conseguia aprender, tampouco, demonstrar interesse pelos cuidados, queria me aprofundar nas patologias, conhecer todos os microrganismos, Plasmodium, Cryptosporidium, Klebsiella, saber todo o funcionamento do organismo e do sistema imunológico, anatomicamente e fisiologicamente, aprender a psicologia aplicada, eu adorei um trabalho que fizemos para interrogar profissionais, visando analisar didaticamente os relatórios em sala, para ver quem “supostamente” apresentava o perfil de “Síndrome de Burnout” que é o estresse excessivo ao trabalho e faz os profissionais perderem o sentido pelo qual buscaram sua profissão. Além disso, me fascinava com a saúde do idoso, saúde da criança e estudava loucamente as patologias do sistema nervoso, principalmente neurodegenerativas, Alzheimer, Parkinson, etc. Se eu ficasse dizendo o que eu gostei, levaria a postagem inteira, mas isso era um problema, aos poucos me distanciava da Medicina, cheguei até a pensar em começar a prestar Enfermagem, já que não estudava mais para o vestibular desde que comecei o Técnico de Enfermagem – mesmo prestando as provas, abri mão dos estudos e me afundei no Técnico, me afundei tanto que era referência da turma, Professores, Coordenadores, todos comentavam meu desempenho, minha paixão, me convidavam para estágios remunerados, recebi até mesmo propostas para trabalhar em hospitais conhecidos por indicação. Eu me lembro como nunca, era muito elogiado nos estágios, os pacientes falavam para meus professores: “esse garoto me tratou tão bem, nenhum funcionário desse hospital havia cuidado de mim assim, ele vem amanhã?” Só que um problema começou a surgir.  Me deparei novamente com algumas desmotivações, enquanto eu estava em clímax, era como se eu estivesse vivendo a Medicina “camuflada” de Enfermagem, para mim era Medicina, mas aos poucos fui tomando consciência da minha posição, principalmente quando conheci alguns profissionais que só desmotivavam a gente, um desses me disse: “estudar para quê garoto, somos todos “lixeiros de colarinho branco”. Isso foi um verdadeiro “balde de água fria” na minha motivação, eu comecei a perceber que estava fantasiando a profissão do meu sonho, quando ficava perguntando coisas específicas para os pacientes, o aspecto, o nome que o médico disse do microrganismo, coisas bem específicas e não atribuídas à Enfermagem, começaram a me alertar, dizer que não podia conversar com o paciente, que deveria entrar, fazer o procedimento e sair. Mas eu era muito comunicativo, um dia no Hospital da Mulher em Santo André, quando menos esperei, estava eu, no meio de várias pacientes gestantes, conversando, rindo, tirando as dúvidas, dizendo sobre meu sonho, e os outros alunos chamaram minha atenção porque eu deveria “cumprir minha tabela” para que todos pudessem ir para casa. Eu não reclamei, comecei a virar uma espécie de “robô”, estava perdendo aquela paixão, levava diagnósticos para casa e os estudava, para no dia seguinte fazer demonstrações ao Professor e chefe de Enfermagem do Hospital Beneficência Portuguesa de São Caetano, fui uma grande referência, quando eu voltava para casa ele parou o carro e me fez uma proposta, pediu para eu ir num dia em que ele estivesse de Plantão – devo dizer que ele era bem rígido e nunca fez isso com nenhum aluno do meu grupo, disse que após a conclusão dos estágios, que eu deixasse um currículo diretamente para ele me encaminhar, eu já tinha várias propostas, Hospital Helena também, pois na mostra cultural que tivemos durante minha apresentação de Asfixia com o grupo eu socorri “sem saber”, a responsável pela contratação do pessoal de Enfermagem, pois ela teve uma queda de pressão pelo ambiente quente e abafado, também havia feito prova no Hospital Mário Covas, estava bem encaminhado e com a profissão garantida.
Até que um dia, com algumas dúvidas sobre qual Hospital deveria trabalhar, fui para um estágio, lembro desse dia como se fosse ontem, foi nele que tive minha maior descoberta. O estágio foi no Hospital de Ortopedia e Traumatologia IFOR de São Bernardo do Campo, durante este, tivemos a oportunidade de ir ao Centro Cirúrgico assistir uma cirurgia, me impressionei tanto, tanta autoridade, tanto controle da situação, tantos instrumentais, tanta interação e descontração entre os Médicos, que pensei profundamente pela primeira vez em toda minha vida: “à quem eu quero enganar, estou perdendo tempo, meu lugar é na Medicina”, depois desse dia tive uma semana agitada de pensamentos, comecei a planejar como faria para largar o curso, já havia concluído o Auxiliar e faltava pouco para concluir o Técnico de Enfermagem, quase dois anos de curso, estava no final – faltavam uns 5 meses, até planejávamos o TCC, mas meu medo era muito grande, largar tudo, estava inclusive recebendo ajudas financeiras de minha família, que declarava apaixonada ao mundo, como eu era bom, e como tinham orgulho de mim, finalmente, eu, o medroso fracassado, era alguém cobiçado, alguém que tinha importância, que tinha um sentido.
No meio de tantas dúvidas e vontades controladas, fui à uma página do Facebook, supostamente conhecida como: Projeto Medicina, numa postagem, estava o título: “Qual a maior renúncia que você fez para continuar buscando a Medicina”, parecia que essa postagem havia sido feita para mim, vi tantas histórias e me impressionei com a determinação dos membros, inclusive, um deles havia sido aprovado depois de uma eternidade, abandonado um curso de Biologia e várias situações adversas, comecei a confiar que eu podia, comecei a pensar que deveria estudar só focado para Medicina e abandonar tudo em nome desse sonho, do meu sonho. Foi então que me questionei: o que estou fazendo para buscar meu sonho? A resposta foi vaga, não estava fazendo nada, prestava o vestibular dizendo que queria Medicina, mas nem me importava mais em estudar. À partir dessa postagem, decidi ser radical e juntei toda minha vontade, todas as minhas histórias, experiências, vivências, joguei todos os “sonhos provisórios” na lata de lixo, decidi buscar somente a Medicina, abandonei tudo, recomecei do zero, só que uma coisa mudou: minha confiança. Joguei o medo no lixo, junto com minhas propostas de ser alguém, minha conclusão? Fiz a melhor escolha, hoje não estaria com esse BLOG, compartilhando tanta coisa com vocês, motivando-os, dando dicas, mostrando que é possível acreditar, se não tivesse tomado essa decisão, e vejam! Foi através de uma postagem, às vezes uma simples palavra de apoio no momento certo, faz transformações incríveis, muda uma vida inteira e nos aproxima dos sonhos, por isso que mantenho esse blog ativo, sei que muitos nem sentem o que eu escrevo, mas alguns, no fundo, identificam-se com cada palavra, e querem realizar esse sonho, é por isso que não abandonarei a página nem quando for aprovado, continuarei compartilhando minhas experiências e paixões com vocês.
Hoje estou a pouquíssimos – acredito eu, um degrau. Posso não ter uma Faculdade, uma formação acadêmica, mas tenho vontade, tenho confiança, não tenho medo de cair, já tive quedas grandes e dou minha cara para bater, as experiências trouxeram muito crescimento, eu não me arrependo de ter feito o Técnico, tampouco, de ter desistido no final, ainda tenho o certificado do Auxiliar, mas nem atuarei mais, quando alguém tem problemas de hipertensão ou hipotensão, faço aferição, teste de glicemia, etc. Tudo para ajudar, não exercerei Enfermagem no âmbito auxiliar, profissionalmente, mas estou motivado e tenho certeza de que minha Faculdade de Medicina se aproxima, e quando isso acontecer, farei questão de compartilhar esse amor com vocês, e libertar cada palavra de motivação, cada grito contido, porque tudo é possível quando você tem um sonho e não abre mão disso por nada, enfrentando até seus medos, buscando seu sonho dia pós dia, calorosamente, de forma árdua, sofrendo, mas tudo será compensado. Meu conselho para quem está começando? Acredite em você, ninguém será aprovado por você, por isso, busque motivações, descubra-se, viva o seu “eu”, com muito amor, respeite seus limites e valorize sua capacidade. Se chegou até o final desse texto, já é um vencedor por buscar motivação para sua força-motriz interna. E quem está há um tempo? Paciência, sua hora está chegando, já te considero um vitorioso e quero sua história de glória quando for aprovado, estamos juntos, seremos amigos de profissão – e quem sabe poderemos atuar juntos!
Confio em vocês, quem tiver alguma história, comente e inspire à todos! Abraços Doutores.