É inevitável não sentir o peso da reprovação. E você pode parar por aqui se quiser permanecer na superfície…

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Hoje preciso falar de algo que dificilmente destrincharia num texto comum, porque não é dos mais aprazíveis de se ler.
Talvez o leitor esteja iniciando a jornada pela medicina agora, e só veio em busca do exemplo de um guerreiro que luta com o sorriso estampado no rosto, que não consegue transmitir dor, insegurança, decepção ou qualquer sentimento que o torne humanamente tangível, quase irrisório, pois precisa de alguém que inspire vitória, e que seja precoce nos resultados. Infelizmente essa figura não é a regra. Ou, talvez você seja veterano de luta, que só procura ânimo para recuperar o fôlego e ter que enfrentar mais um duro ano.
Ao analisarmos a relação de candidatos por vaga de qualquer prova de medicina. De toda aquela relação, poucos são os que conseguem ir para a segunda fase (se tiver). Menores ainda são os que conseguem passar, seja em primeira chamada, seja em último na lista de espera. Porém, enormemente maior é o número de candidatos que voltam para a “fila” do vestibular, que não necessariamente se mantém na ordem em que parou. Muitos que estavam na frente podem variar de posição, porque não existe justiça nisso tudo. E o ser humano é um pêndulo ambulante que em algum momento atinge bons resultados de seu potencial, mas, que pode tender ao baixo rendimento por muitos fatores. 

Isso significa que muitos que estão no final dessa fila imaginária, podem ultrapassar aqueles que estão na dianteira, e quem assume a ponta, pode cair abruptamente… E por qual motivo?
Isso varia. Vou citar e explanar alguns cruciais que me afligiram…

O que te faz ser ultrapassado?

• Bloqueio mental…

Eu já tive isso. O candidato até consegue demonstrar conhecimento durante o preparo. E muitas vezes ser um dos melhores nos simulados, ir bem nas questões, atingir resultados surpreendentes enquanto se prepara. Que fariam com que ele conseguisse passar em primeira chamada. Porém, ele negligencia seu bloqueio que vai se desenvolvendo gradualmente, como uma espécie de “bola de neve”. Chega um momento que esse monstro de gelo (continuando na mesma metáfora) é tão grande, que ele não tem mais resistência para impedir seu rolamento, fatalmente favorecido pela gravidade terrestre.
No meu caso o bloqueio era referente à quantidade de acertos nas provas e à um teto de médias que eu não me via capaz de superar e, dessa forma, sempre parava num teto; demorou pra me livrar desse bloqueio, e ele realmente foi algo limitante em alguns dos meus anos prestando.
Para alguns, quando chega o momento de estar psicologicamente estável, na reta final… Os sentimentos e pensamentos de fracasso vão ressurgindo (por mais que o ano tenha sido maravilhoso), porque ao vivenciarem aquele clima de prova, a muvuca de pessoas com camisas de cursinho, todos aqueles “nerds” reunidos no mesmo lugar, com a mesma finalidade, rememoram os tempos de reprovação, até as sensações de medo e falta de preparo (mesmo num ano de muito estudo), aquelas pessoas aparentam estar mais preparadas e ter mais repertório. Eu só melhorei esses pontos no momento em que parei de olhar para os outros e me centrei no meu desenvolvimento. Me adotando como referencial.

• Persistir nos mesmos métodos que não te fizeram passar…

Também já cometi esse erro.
Ilustro isso com uma frase célebre de Albert Einstein: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”
Às vezes nos sentimos seguros demais pra querer mudar. A mudança é algo que atemoriza, por gerar a insegurança de tal ato dar muito certo, ou completamente errado. 

Exorbitantemente enxergamos apenas a possibilidade da falha. Persisti nesse erro quando optei fazer o mesmo cursinho pela terceira vez, pelo fato de me sentir bem naquele lugar. Por ter crescido nos dois anos anteriores. E achar que seria igual…
Aos poucos isso foi se revelando uma decisão muito equivocada. Porque justamente nesse terceiro ano, tive uma queda em meu desempenho. Foi doloroso regredir. E por qual motivo isso aconteceu? Cheguei no pico da minha curva. E inevitavelmente cairia. Se quisesse subir mais, precisaria mudar a variável que controla meu ritmo de crescimento, e a efetividade deste. Eis que alterei o coeficiente angular dos meus estudos, que nada mais era que o método utilizado. E ousei por optar pela mudança como via de regra. Se não tivesse feito isso, o resultado poderia ser ainda mais catastrófico. E foi nesse momento que transformei meu lema de vida num termo que li em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, cheguei a escrever sobre isso: “Tempora mutantur”.

• Achar que já domina os conteúdos…

Acho que esse é um erro comum de quem é veterano de cursinho e adentra em mais um ano prestando. Eu também cometi esse erro.
Houve um momento em que me sentia com tanto domínio dos assuntos, que pensava ser inútil “perder tempo” assistindo aula. Me sentia enfadado com as aulas e já previa tudo o que o professor iria dizer, ou demonstrar. Erro letal. Eu simplesmente decorei as aulas, mas, não entendi a profundidade daquilo.
Nesse ponto que descobri meu potencial para estudar sozinho, pois faltava e matava algumas aulas para estudar em casa ou na sala de estudos. Me senti encorajado a abandonar o presencial no ano seguinte (veja que nem tudo acaba sendo ruim na reprovação). Porém, sofri danos severos do próprio golpe de me sabotar com a ideia de só precisar “lapidar” algumas coisas e que já estava na dianteira da “fila” imaginária do vestibular.
Nessa reta final (larguei o cursinho faltando um mês para as provas) optei focar só em exercícios e provas antigas.  Nesse momento de teste, caí das “nuvens” e notei não estar  tão bem como pensava que estava. Me perdoem, mas usarei novamente “Memórias Póstumas de Brás Cubas” para ilustrar essa quebra de perspectiva, pois a frase se encaixa perfeitamente com esse momento de realidade: “Não te irrites se te pagarem mal um benefício: antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.” (concordo com Machado… rs).
Conforme ía fazendo as provas antigas, me sentia ainda mais decepcionado por ter me superestimado e pra piorar, não daria tempo de recuperar o prejuízo da densidade daqueles conteúdos.
Lembro que muita coisa veio somar negativamente nesse ano, já comentei dos meus problemas pessoais em outras postagens, foi um ano literalmente complicado e de perda familiar. Só depois disso que tive coragem de começar do zero num novo método e com uma nova filosofia, repensei minha vida e apliquei no ano seguinte, esse foi um acerto.

• Negligenciar problemas psicológicos e emocionais em prol da rotina do vestibular…

Já comentei sobre esse erro. Eu acertei na questão de mudar meu método de estudos, repensar meus passos e optar por estudar sozinho. Entretanto, pela série de problemas que passei anteriormente, acabei deixando de lado muitos problemas gerados pelo caos que vivi no pior ano da minha vida (2016). Um ano de perda…  Após o novo princípio, acabei não trabalhando as consequências afetivas do rompimento que tive em minha estrutura familiar. O que eu fiz? Simplesmente, engatei a marcha vestibular e ignorei tudo o que estava a volta. Inclusive, meus sentimentos e abalos.
Chegou no dia da Fuvest, principalmente, e tive um início de crise de ansiedade, senti um breve momento de pânico e me desesperei por tudo o que estava acontecendo ali. Olhei as questões desconexas (em minha mente) e perdi muitos minutos sem conseguir respirar e focar nas coisas que eu tinha estudado. É como se eu não tivesse entrado na prova. Eu simplesmente estava com um frio na barriga, com a respiração descompassada e com o cérebro a mil, sem conseguir puxar e encadear as coisas que treinei. Só melhorei depois de inspirar e expirar profundamente, até neutralizar o efeito angustiante daquele momento. Eis que depois de sair da prova percebi que não passaria. Terminei com bastante dificuldade. Não em relação aos conteúdos, mas, em me manter concentrado. Resolvi isso só no ano seguinte (ano passado) quando passei a não negligenciar esse lado fundamental da vida. 

Algumas considerações 

Precisei detalhar bastante esses motivos que me fizeram voltar na “fila” do vestibular. São pontos cruciais e que podem trazer muito prejuízo para quem já tem algum tempo de preparo, ou até mesmo pra quem opta iniciar. Além disso, falta explanar algumas coisas que estou trabalhando nesse ano de 2019, diagnósticos prévios que já observei que poderiam trazer prejuízos na qualidade dos meus estudos, mas que já estou aplicando uma solução de reparo no início para evitar problemas futuros.

Por mais consistente que seja o psicológico de alguém resiliente, em algum momento na solidão do lugar em que presenciou – talvez –  anos de luta e superação, os sentimentos de tristeza e decepção vão surgir.

Pra quem nunca prestou vestibular, isso é imperceptível. Todavia, quem já sentiu na pele o pesadelo de ver todos adiante, e se ver na condição de ter que recolher os cacos para mais um ano, tem que aprender a lidar com esse sentimento, porque ele não vai se ausentar por muito tempo. Eu estou trabalhando isso através da blindagem de alguns focos que tragam esses pensamentos. Vou falar sobre isso ao longo desse desfecho. 

Infelizmente, alguns de nós não resistem e pela pressão social, familiar e própria, optam por iniciar outra graduação. Abrindo uma porta que em muitos casos, torna-se definitiva, enterrando de vez os resquícios da medicina, como uma vida que não pôde acontecer. Eis que a medicina morre para essas pessoas, e para parte delas, nasce a frustração que será companhia para o resto de suas vidas.
Essa crueldade  se chama “vestibular de medicina”. Quem não conhecia antes dessa leitura, passa a ter um pouco da dimensão disso, o ingresso ao curso mais concorrido do Brasil, que abre vãos entre pessoas realizadas, pessoas não realizadas, e pessoas realizadas e não realizadas. Como assim, Alê? Bom as “pessoas realizadas e não realizadas” é um paradoxo até que recorrente, muita gente consegue e cursa medicina, sente-se realizada por ter cursado e se formado, mas fez isso por status, apenas pelo dinheiro, ou simplesmente por pressão familiar, ou por outros motivos não listados, fato é que o vestibular é um evento cruel. Que independente da nossa fúria, crítica e questionamentos, não vai mudar tão cedo.
Sonhos que antes eram lindos e pueris, tornam-se truncados, autodestrutivos ou quase impossíveis assim que aquele que sonha adentra na realidade da busca pela medicina. Alguns dão a feliz sorte de terminarem esse processo complicado antes de sentirem os impactos. A maioria, não passa pelo mesmo processo. E é muito compreensivo que muita gente desista. Porque é exorbitantemente difícil se manter motivado depois de tantos obstáculos. Porque esse processo pode trazer mais perdas do que conquistas. As renúncias que te fizeram estar aqui lendo esse texto, fizeram-te mudar muito… E matar parte da sua existência anterior, sem considerar se era uma parte boa ou ruim… 

• O que eu disse que estou trabalhando em mim nesse ano?

Não vou te prender por mais tempo de leitura, mil perdões por ser descontroladamente amante de compartilhar minhas experiências.
Vamos lá…

Nesse tempo de preparo fazemos muitas amizades e conhecemos muitas pessoas que objetivam o mesmo sonho que o nosso. Isso é algo positivo, pois há a troca de experiências e inevitável enriquecimento sociocultural. Todavia, é consequente que o tempo de aprovação seja diferente na maioria dos casos. E que nos encontramos em momentos difusos nesse processo. Portanto, presenciaremos pessoas próximas conseguindo passar. E é humanamente compreensível que tenhamos aquela ponta de decepção com nós mesmos. Eu não vou negar que senti isso esse ano. Me senti feliz pelo resultado, mas, decepcionado por achar que poderia mais, por saber exatamente como me preparei em todos os eixos e ter que me pôr novamente na situação de vestibulando. É incômodo ficar preso, estagnado, e ter que fazer planos para o cursinho que farei esse ano. Isso se funde complexamente ao sentimento bom de estar lutando pelo meu sonho, algo que já é raro, visto que poucas pessoas têm oportunidades nesse país. Ainda tenho amigos e conhecidos com mais ou menos tempo que eu prestando. E presenciei parte sendo aprovada. O que era previsível de acontecer em algum momento. E eu fico feliz que isso tenha acontecido, por acompanhar. Mas, não sou tolo de dizer que isso não fez com que eu me sentisse um pouco pressionado. Não por ninguém, mas por mim mesmo. Misturou-se um pouco de decepção, com uma sensação de que eu tinha condições de conseguir os poucos pontos que faltaram para passar.
É difícil dizer isso, até porque no momento em que você decide se dar mais um ano, tudo aquilo é uma parte sincera que vai lutar pelos pontos que faltaram. Só que faltando um dia para iniciar meus estudos, é impossível não dar esse desânimo, ao pegar minha mente pensando nas pessoas que deram adeus à tudo isso e cair a ficha de que amanhã volto à rotina desgastante do vestibular para posteriormente passar por isso tudo de novo, todo esse processo mentalmente desgastante de fazer as provas e aguardar os resultados que parecem nunca chegar! É bom ter esse blog, porque me sinto bem ao dizer isso. Tenho certeza que muitos que estão lendo, passaram (ou passam) por isso, mesmo que não comentem. Nossa sensação é recíproca.


• O que fiz para trabalhar isso?

O principal foi ter dado um tempo nas coisas que estavam aguçando minha ansiedade, visto que nesse período vemos as pessoas passando e nós, por mais que tenhamos nos esforçado de forma sobre-humana, temos que enfrentar mais uma dura matrícula no cursinho.
Se você deduziu que meu isolamento é em parte por causa disso, inferiu certo. Desativei minhas redes sociais para me blindar mentalmente de tudo o que me dê essa sensação angustiante de não ter conseguido, e pra não ter que receber mensagens desagradáveis perguntando se passei (como se não tivéssemos ciência de que nosso nome é vasculhado no google para ver se passamos). Ter feito isso me dá a sensação de que só alguns meses me separam da minha vaga na Faculdade de Medicina (pouquíssimos, comparados com os anos que se passaram).

Por mais duro que possa parecer, ter admitido honestamente que isso estava me fazendo mal foi o primeiro passo para voltar a respirar e ter paz para dar a cartada final. Me blindar mentalmente foi uma decisão pensada e que já traz bons frutos de paz e sanidade para seguir.
Outra coisa… Canalizar o gostinho de que faltou pouco me motiva a estudar focado e com alta performance, como se eu sentisse que é o último ato em busca da medicina e por isso, devesse dar uma ênfase e sabor especial, porque não verei mais essas paredes com fórmulas, anotações e rabiscos de todo gênero. É como se meu instinto me dissesse (por mais que a razão comande minhas ações) que estou no final de um processo, e preciso aguentar só esse ano.
É aí que surge uma força extra que pensei que já estava sucumbindo. É a sobrevida que faltava para dar o ultimato. Foi exatamente essa sensação que me fez optar por estudar mais esse ano.

Considerações finais

Então, gente… É isso!
Peço humildemente que entendam que essa é a minha acepção de um processo ininterrupto de aprendizagem. Estou metamorfoseando para que o próximo passo seja continuado na Faculdade de Medicina. Mas, assim que passar, não significa que estarei mais sábio, nem, tampouco, mais ingênuo que agora. Só que terei mais campos de aprendizado. A vida é uma oportunidade para aprender. E para mim só se finda, quando achamos que já aprendemos tudo e que não há mais o que saber. Mesmo que biologicamente vivos, não estamos existindo com vitalidade. E esse limbo é uma morte precoce e deprimente. 
Desejo um ano maravilhoso de estudos à todos! E pensem profundamente nas coisas que foram pautadas nessa postagem. Que resolvi criar com máxima transparência, porque sei que muitos estão passando por isso. Ainda tenho muito o que aprender, o que buscar e o que crescer, mas, posso afirmar convictamente, que a única regra dessa voracidade com que os tempos mudam, é que a dúvida permanece a existir. E as certezas, cada vez sucumbem mais.
Abraços! E mantenham-se firmes! Amanhã começo meu derradeiro ciclo, vamos que o Jaleco está nos esperando!!
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Ninguém o entenderá… Então, guarde os detalhes para si! E aja…

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Olá, VDM’s, tudo bem? O título dessa postagem partiu de uma reflexão antiga que ainda  funciona como embasamento aos meus objetivos de vida. 
Lembra quando você começou a prestar medicina? Quando você definitivamente disse para si “vou focar nisso”… E o tamanho da seriedade com essa decisão o deu certa alegria a ponto de querer compartilhar isso com outras pessoas. Lembra disso? A questão central é: seria esse seu primeiro erro ou acerto?
Não diria que foi totalmente um erro. Mas, também não foi definitivo acerto. Para confortá-lo, a maioria de nós sente imensa necessidade de compartilhar isso de alguma forma (digo maioria, pois só utilizo as exceções quando preciso defini-las como particularidades que provam tal regra).

Todo acontecimento que traga uma transformação grandiosa em sua vida e, decerto, na sua forma de pensar, é algo pulsante demais para ficar no silêncio. Eis então que você toma uma decisão equivocada e compartilha os detalhes disso tudo. 

Me usarei como exemplo pra explanar a problemática disso. Vamos lá…
Quando disse pra minha mãe, avô e outros familiares que queria ser médico, muitos não levaram a sério e pensaram que logo eu mudaria de ideia, ou até que estava iludido com algo, mas que logo passaria.

O que eu deveria ter feito após esse primeiro anúncio?
Simplesmente ter “fingido” que eles entenderam a notícia e que estariam cientes de que muita coisa mudaria em minhas ações. E a partir disso, agir.
A melhor forma de provar que você está falando a verdade é através da ação. Porque já é desgastante ter que convencer as pessoas de algo; argumentos geralmente se desgastam com a repetição maquinal de seu conteúdo e te levam à contradição (inclusive, “autocontradição”, você não consegue crer no que diz e com o tempo as pessoas percebem isso).

Quando você realmente encarna seu sonho e entra de cabeça nos estudos AGINDO…
O apoio de pessoas importantes acaba vindo naturalmente.
Digo isso, pois depois que abandonei as demagogias e discussões desnecessárias, realmente conquistei o apoio da minha família. Tanto é que minha mãe é a personagem mais importante na sobrevida que tive para não jogar tudo para o alto e continuar insistindo nesse sonho.
Poderia ser bem diferente se não tivesse notado que comecei da forma errada.
Não adianta impor aos outros o que você quer, se você não demonstra estar falando a verdade. A primeira pessoa que você precisa convencer de que diz a verdade com ações, é você mesmo!

O que eu fiz de errado na época? Busquei o confronto, tentando impor minha decisão. Só gerei atrito e no final me frustrei, porque ninguém acreditava em mim. E os que não disseram com palavras foram ainda mais incrédulos, demonstraram com olhares depreciativos. 
No final, minha postura só gastou meu tempo e paz mental, além das pessoas que me cercavam terem se convencido de que eu não sabia do que eu estava falando e de que era apenas um sonhador que fantasiava as coisas. Tudo isso poderia ter sido evitado se eu simplesmente os tivesse deixado avisados e continuasse focado, sem querer provar nada com palavras, apenas agindo e arquitetando minha construção.

Então, caros…Esse aviso é ainda mais determinante pra quem está começando! Cuidado para não tentar antecipar nada que ainda não aconteceu, só porque precisa de argumentos. Não queira garantir o que você não pode, eu já tentei… E veja, ainda estou aqui.
Portanto, minha experiência me diz que a melhor forma de administrar a situação é você contar (conversar sobre) para (com) quem você quer ao seu lado durante esse tempo de luta por resultados e pela aprovação. Todavia, sem querer provar nada com palavras, pois lhe faltarão evidências práticas, sendo assim, entenda os questionamentos que irão surgir, e seja paciente com o apoio que fará diferença quando você estiver cansado. Você realmente vai agradecer ganhar essa sobrevida quando precisar extrair das profundezas de si, aquela força que necessitava no momento de findar sua missão!

Boa sorte, e um ano maravilhoso de estudos pra vocês!! 😘❤

Você já fez a RETROSPECTIVA dos seus anos de LUTA? REFLITA

Sem título
Alusão ao Blog que me inspirou a criar o meu e que me motivou bastante no início de tudo, em meados de 2014. Frase aludida “Estação Vestibular: próxima parada: Medicina!


DIÁRIO || 31 de Dezembro de 2018 || ATUAL*  

Querido diário, eis que me encontro na madrugada do último dia do ano de 2018, no trabalho.
Esse foi mais um ano exaustivo de conciliação entre trabalho, estudos e afetos. Afetos são bem vindos, não se assuste! Entretanto, às vezes só queremos ficar só com nossos pensamentos. Hoje tenho tal oportunidade, e estava aqui refletindo sobre o monte de perrengues que passei para que chegasse nesse dia ou já cursando medicina ou então firme com o pensamento na aprovação.
Foi muito difícil chegar aqui e sacrificar muitas coisas para continuar lutando por isso. É no mínimo razoável imaginar que eu tenha perdido muito para ganhar nesse jogo insensato que se chama vestibular de medicina. Amigos? Perdi tantos que nem sei se posso utilizar esse tratamento para estes que deveriam entender essa fase conturbada. Aqueles que tentam entrar acabam vendo que não é simples ter minha atenção. Não que eu seja uma pessoa difícil, ou até mesmo desatenciosa… É que não me sinto tão a vontade para me abrir com as pessoas. Esse é o ambiente que consigo fazer isso de uma forma menos truncada. Alguns amigos relutantes continuam comigo, valorizo muito eles. Principalmente por entenderem essa fase complicada e todos os meus desequilíbrios (rsrsrs). Muitos deles ainda estão nessa luta, então é plausível que compreendam. Mas, de tudo isso… A pessoa mais importante nesse contexto, foi aquela que menos acreditou em algum momento dessa fase que essa conquista fosse possível. Não por ser uma pessoa que quisesse o pior pra mim, mas, certamente, por proteção. Para que eu não me machucasse com o que viria vorazmente tentar me ferir de todas as formas. As cicatrizes de qualquer batalha são inevitáveis. Contudo, só de estar lutando e desafiando o que a maioria nem sequer tem interesse ou oportunidade, já é estimulante para buscar se superar a cada vitória ou fracasso.
Percebendo meu empenho nesses anos, essa pessoa (já direi quem é rsrs) acabou sendo contagiada por esse sonho, e foi determinante pra que eu não abandonasse tudo nos momentos mais delicados dessa trajetória. E hoje é meu principal estímulo para querer ser aquilo que sempre almejei: me tornar um ser humano cada vez melhor. E não é preciso se tornar médico para isso. Essa pessoa que me dá forças vitais para enfrentar tudo é minha mãe. Ela ocupou um espaço de vazio, tristeza, angústia e até um prelúdio de depressão, quando perdi meu avô em 2016. Eu não sou muito de me abrir sobre essas coisas, mas, indubitavelmente, a melhor escolha que fiz em minha preparação foi a de ficar próximo da minha família (em especial, da minha mãe), que fez com que eu não tivesse entrado numa bola de neve de todas as coisas ruins que pudessem acontecer. Ainda tenho alguns resquícios dessa luta feroz contra o peso da existência. De vez em quando ainda tenho algumas crises de pânico, não quero sair com ninguém e me sinto desconfortável com alguns compromissos que mudem muito minha rotina… Até a vontade que tinha de ver um filme, por exemplo, por puro prazer de me prender naquela trama, foi algo que tive de reaprender gradualmente a fazer, especialmente nos dois últimos anos. É óbvio que existem coisas que ficarão até o final da minha vida. Como a ansiedade, as crises existenciais, o sofrimento pós algum trauma, como o caso das perdas que ainda terei. Estou sempre em transformação. A melhor ilustração disso é a frase em latim que li no livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” do Machado de Assis: “Tempora mutantur”. Estou em constante mudança, os tempos mudam e eu mudo com o tempo. Todos os dias luto para me reconstruir e desconstruir as rochas corrosivas para que até o findar dessa existência, eu seja alguém que no final diga: “não sei o que vem pela frente, talvez o céu, certamente o nada. Entretanto, valeu a pena ter sido matéria que criou misteriosamente consciência da própria existência. Obrigado “deus?”, obrigado “cosmos?”, não tenho certeza à quem devo agradecer, minha única certeza é: valeu a pena coexistir com todos aqueles que foram cruciais para me tornar esse homem. Não somos nada quando pensamos que não precisamos de ajuda, ou quando pensamos que já sabemos de tudo. Está perto de partir! E só posso dizer isto ao desconhecido: muito obrigado!”

Até breve, diário. Foi um ano difícil, de muitos desafios… Com muitos aprendizados e muitos erros. De muitas alegrias e muitas tristezas. De muitos saltos de fervor e de risos, e de muitas noites silenciosas com lágrimas coléricas e cansadas… Isso é viver. Não omitir nada para si. Permito-me, inclusive, discordar da máxima de Schopenhauer “viver é sofrer” (sem considerar aprofundamentos filosóficos, apenas a máxima), pelo simples fato de que realmente você vive intensamente quando sofre, por não ocultar de si o próprio sofrimento. Muitas pessoas não fazem isso, querem parecer felizes o tempo todo: só estão adiando o sofrimento para algo ainda maior e mais doloroso. O motivo da minha singela discordância, é que também existem momentos tão intensamente maravilhosos, com tanta maestria, que basta alguns minutos ou segundos de uma sensação pueril, pra você esquecer de todas aquelas horas de tristeza que já te esperam de “braços abertos” num futuro remorso, mas, com momentos de imensa catarse. É inevitável fugir desse pêndulo existencial. Portanto, digo: não viva apenas a alegria. Não force uma felicidade aparente. Isso pesa em algum momento, principalmente quando a plateia não te observa… Muita coisa boa sai dos momentos tristes. E muita coisa ruim pode ser produzida com repressão da tristeza para manutenção de uma felicidade líquida; é mister que ninguém é feliz o tempo todo. Apenas seja um SER HUMANO. E se permita TODOS OS MOMENTOS!
Que 2019 seja um ano de realização e de muita coisa boa! Muito obrigado, diário. Espero mudar o nome do Blog para algo que aluda à “estudante de medicina”. E vamos metamorfoseando, que o futuro chega num sopro!

O que você diria para si? (autocrítica – reta final)

A pergunta do título é um convite à autorreflexão. Sintam-se livres para questionar o que não foi satisfatório nesse ano. Todavia, não esqueçam-se que para atingir esse ponto no qual nos encontramos, vocês precisaram se vencer todos os dias para manter essa ideia fixa e continuar acreditando na possibilidade material da concretização dessa fase.

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“O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma” Clarice Lispector

Esse ano de 2018, sem dúvida, é um ano atípico. E não digo apenas pelo cenário político que estamos vivendo (farei uma análise disso ao final do texto). Muitas coisas aconteceram e fizeram que meus métodos tivessem que ser adaptados.  Mas, sem delongas… Vamos ao que importa!


PONTOS NEGATIVOS:

Fiquei mais isolado…

Apesar de ter cogitado muitas coisas, como a possibilidade de sair mais com os amigos, e até mesmo de me dispor ao lazer, não consegui ser fiel nisso (pra não dizer que praticamente não fui fiel… rs).

Não consegui evitar o atraso de conteúdos…  

É impressionante pensar que nem a experiência evitou que eu tivesse períodos de atraso maior ou menor em determinados conteúdos. Apesar disso, minha flexibilidade e coragem de intervir nesses momentos, ajudou a evitar o que poderia ser catastrófico (risos).

Sensação de vazio… 

Em alguns momentos tive um sentimento de que nunca conseguiria passar e que tudo era insuficiente. Questionei muita coisa, inclusive o que minha experiência construiu. Conversei com um amigo sobre isso, ele também teve a mesma sensação. Também se dedica muito para findar esse sonho. O engraçado é que às vezes ficava inseguro até resolvendo questões de conteúdos que eu dominava… Mas, não conseguia sentir esse domínio de forma prática. Essa foi uma coisa difícil de trabalhar, mas que não fugi.


PONTOS POSITIVOS:

• Aprofundei melhor…

O fato de ter atrasado conteúdos se deve em grande parcela por ter me permitido aprofundar mais o conhecimento e ficar mais preso em assuntos específicos. Decerto, tive atrasos por nunca ter feito isso. Eu resolvi arriscar para que tivesse mais densidade nas provas. E me sinto satisfeito por chegar em véspera dos vestibulares com repertório para enfrentar os tipos de questões que eu certamente pularia sem hesitar.
Não sei até que ponto isso será positivo, mas, é inegável que virou uma ferramenta necessária para que pudesse sair de onde estagnei nesses últimos anos. Errei em espaçamento do tempo, mas, acertei em solidez de repertório.

• Me preocupei menos com o vestibular…

Engraçado que fui questionado por um amigo esses dias se eu estava nervoso com o Enem, por faltar tão pouco tempo. E não consigo sentir nada extremo sobre o Enem, nem alegria, nem uma descontrolada ansiedade, muito menos medo… Seria mentira minha se eu dissesse que às vezes não senti aquela leve angústia em ver como o tempo voa e que eu  deveria ser mais ágil, mas, não passou disso.  Aliás, isso se repetiu bem antes de chegar essa fase final. É meio que um alerta de que preciso aumentar a intensidade. Isso é mais benéfico do que maléfico (no meu caso).
Esse foi o ano em que me centrei mais em aprender do que propriamente em ir bem nas provas. Eu senti a necessidade de focar muito nas coisas que tiravam meu sono, que não eram difíceis, mas exigiam tempo e empenho direcionado.
Chega um momento em que você sabe, muita coisa que cai numa prova você acertaria com conhecimento de anos anteriores (mesmo que seja um conhecimento mais raso, pois não há tanta especificidade no assunto). É inútil ficar preso à isso.
Agora, outros assuntos, mesmo estudando, existe um risco inequívoco de errar. E pelo menos no meu caso, esses assuntos apareciam com frequência (mais em vestibulares específicos, mas que começam a ganhar força no Enem também), porém, me faltava o ímpeto de tomar coragem e enfrentá-los. Eu fugi do meu antigo tradicionalismo nos estudos. Fui mais ousado e estratégico.

 Dormi melhor…

Se tem uma coisa que fez diferença para que pudesse encarar conteúdos cansativos e complexos, isso se chama: “noite” bem dormida. (as aspas em noite são justificadas por eu dormir no turno tarde/noite, pois trabalho de madrugada).
Muitos dos compromissos desmarcados devem-se também em parcela significativa ao meu sono. Sei que prometi sair mais… Mas, sair em que horário? Eu tinha que escolher, se saísse de tarde, teria que inverter forçosamente meu ciclo de sono. Se fosse sair de manhã, abriria mão dos estudos nesse turno, e dependendo do horário do término desse “rolê”, poderia ter dificuldades para dormir e atrapalhar o turno de estudos no serviço (acreditem, eu estudo no serviço, pois o ambiente e a escassez de atividades são favoráveis).
Dessa forma, muitas vezes não tinha saída. Sobrava então o final de semana. Cujo sábado era reservado para revisões e o domingo (na maior parte deles, prova). Muita coisa foi ajustada, mas, conforme foi se aproximando os meses que antecedem as provas, o tempo foi ficando ainda mais escasso. E as escolhas, ainda mais inclinadas às minhas necessidades.


RESPOSTA À PERGUNTA DO TÍTULO e CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A resposta à pergunta do título é a mais plausível possível: Alexandre, meu amigo.  Você errou em muitos aspectos. E talvez isso tenha algum impacto em seus resultados. Entretanto, você errou nos outros anos e mesmo que isso tenha acontecido, a progressão não inexistiu. Isso significa que o fato de estar disposto, dando o seu melhor, terá êxito sobre o erro. É impossível o êxito isento de erro. Basta analisar que tudo faz parte de um processo, com consequências pesadas numa balança imaginária.
Portanto, caro, ao meu ver, você se sobrepôs ao erro, por ter enfrentado todos os seus monstros, ao invés de ter fugido na primeira oportunidade. A característica que mais admiro nisso tudo, é que você reconhece que falta muito para ter o conhecimento que sempre almejou, mas, o consolo que te ofereço é que ninguém passa dominando tudo. Então, o que te digo, meu caro, é que continue firme em suas convicções e arriscando sem omissão, pois sua meta principal é muito clara. E até aqui, a balança é superavitária.

Sobre as considerações finais, penso que ter chegado até esse extremo com ideias claras e sem ter abdicado do objetivo principal, é uma grande vitória. Mas, é nítido que muita coisa mudou. Quem me acompanha sabe que não sou o mesmo de outrora, fica evidente pelo tom dos meus textos. Antigamente, meus escritos tinham traços ilusórios de uma motivação exacerbada, sem finalidades práticas. Hoje o reflexo maior dessa mudança é que o que te faz caminhar é, sem dúvidas, olhar para trás e ver o quanto você já andou pela simples decisão de fazer em vez de idealizar fazer.
Você pode agilizar ou não o processo. Depende de você e da sua coragem para arriscar. Desse modo, a única coisa que pode te impedir de ser aprovado enquanto determinado, é uma catástrofe externa. Isso foge ao seu planejamento.


UMA ANÁLISE A PARTE…

Saindo completamente do assunto, não poderia me despedir sem deixar o que penso de tudo o que anda acontecendo em nosso país. Para nós que desejamos ser médicos, que teremos um papel fundamental no desenvolvimento do nosso paciente, no envolvimento com a comunidade e com a saúde coletiva, é necessário deixar um pouco sobre o cenário catastrófico pelo qual estamos passando.
É entristecedor ver a proporção em que o embate por políticos (não por política) tem reverberado o caos social. Antes de querer dizer qual “lado” defendo (quem me tem no Facebook, certamente já sabe), digo que acima de qualquer viés político-ideológico, está uma nação regida por uma constituição que deve ser considerada. Muita gente foi torturada e executada para que pudéssemos exercer nosso direito de votar. E vejam… Milhares de pessoas morreram e não tiveram a oportunidade de respirar a redemocratização. E nós? Somos fruto de conquistas que não são nossas. Mas, podemos lutar e deixar nosso legado todos os dias, pois os próximos a inexistir em algum momento, seremos nós…
Sou pró pluralidade democrática, sou favorável às conquistas dos Negros, das Mulheres, da comunidade LGBTQ+, da ascensão do Pobre, dos direitos dos Deficientes, e do respeito à laicidade do Estado, portanto, é inviável para minha racionalidade construída num longo e exaustivo processo de estudos, aceitar o fato de um candidato se opor à tudo isso, e vir com uma frase em que coloque uma vertente religiosa acima de TODOS que estão sob uma constituição clara; não adianta agora querer tornar o discurso menos radical, acompanho certas figuras de outros carnavais, não será agora que nascerá um novo “Messias”. (atentem-se à polissemia do termo…rsrs, fica ainda mais evidente contra o que estou me manifestando).
Quero deixar claro que não estou buscando confronto com ninguém. Muito menos querendo desperdiçar o tempo de quem leu visando a única e exclusiva proposta do texto.
É primário que o posicionamento de um futuro médico tem que ser (deveria em muitos casos) conivente aos princípios que ele se banhará no conúbio com a medicina. Não podemos deixar que aspectos de caráter secundário no convívio coletivo, sejam superiores ao bom senso com a pluralidade de nossos concidadãos. Pensem na coletividade, em especial, pensem em quem mais carece de auxílio para fazer parte efetivamente da democracia que deveria abraçar a todos.
Tempora mutantur, amigos. Uma hora o “status quo” entraria em crise. Pois em algum momento, todos que estão sob tutela da constituição cidadã de 1988, buscariam seus direitos. E toda mudança exige esforços e coloca muitas frentes em choque. Mas, não podemos nos esquecer que os princípios defendidos constitucionalmente, precisam ser efetivos. E é óbvio que a conta que a concentração histórica devia, chegaria mais cedo ou mais tarde.

 

Beijos, Abraços, até breve e BOAS PROVAS!! 😘❤

 

 

A importância de sempre revisar

Sem títuiuiuiuiuiuiuiuulo
É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe. Epicteto

Epicteto foi um filósofo grego antigo pertencente ao estoicismo. Com o domínio romano da Grécia, ele acabou se tornando escravo e perdendo sua liberdade. Diante disso, ressignificou sua vida, passando aceitar as condições que não dependiam dele, como por exemplo: ser escravo, e buscar a mudança em tudo o que podia depender de seu esforço, como a própria prática filosófica. A partir de sua condição, conseguiu encontrar a verdadeira felicidade, sem se prender ao que não dependia dele.

A frase da imagem mostra exatamente o contraponto conclusivo de quem leu a introdução sobre Epicteto e, de repente, disse para si: “mas, isso é conformismo!”. Calma! Não crie inferências de um período em que você não viveu, pelas perspectivas do seu livre-arbítrio de hoje.

A importância dessa frase é algo que carrego já há algum tempo e que cada vez faz mais  sentido. Se o contraponto não ficou tão claro, explanarei: quando pensamos ter conhecimentos prévios sólidos a respeito de algo (como a história de Epicteto, por exemplo) e damos nossa visão com muita ênfase na sua “veracidade” (eu diria, verossimilhança), não nos abrimos às possibilidades de aprendizados constantes, porque, pensamos que já sabemos tudo o que pode ser sabido acerca daquilo. É como se já soubéssemos tudo, então, não existe necessidade de aprender mais. É aí que estagnamos. 

O que fazer para não cair nessa armadilha na preparação para o vestibular?

Simples. Não acredite que domina tudo o que já estudou como vestibulando. Porque, independente desse ser seu segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, (x) ano de vestibular, sempre existem detalhes que estamos dando pouca importância. E mesmo quando lapidamos nossas fraquezas, precisamos insistentemente fazer revisões. Pois, infelizmente, nosso cérebro tem um talento inestimável em deletar informações importantes (obrigado cérebro, seu lindo 😡).

Inclusive, estava falando com um amigo sobre como é triste além de estudar, fazer questões, tirar atrasos, ainda ter que ficar igual um louco revisando suas checklists de determinada matéria. Além de sempre que sobrar um tempinho extra, dar uma revisada em algum assunto que você errou na prova porque esqueceu algum conceito.

Essa nossa vida é complicada. Entretanto, é primário que não é assim apenas no vestibular. Acostumem-se com uma vida de constante cultivo de assuntos específicos, de muita leitura, em que vocês só terão como sustentação as bases aprendidas. O restante, é colerepara que as bases fiquem ainda mais fortes e repletas de novas estruturas.

Hoje, como faço minhas revisões?

A princípio, digo que talvez se aplique ao seu caso, talvez não. Mas, o importante disso tudo é que você filtre só o que for útil e o restante, crie algo para seu perfil.

Organização própria…

Faço anotações com palavras-chave durante o estudo programático, isso facilita muito no momento da revisão. Não sou um aluno “copy-cole”, mas sim, um estudante com olhar analítico que filtra criticamente os assuntos mais relevantes e os transcreve de uma forma que eu sei que vou entender.Não é magia. Eu pauso os vídeos antes de assisti-los, e anoto da minha forma.

Se você faz cursinho, é possível fazer isso (calma, não pausar a aula! E sim, fazer anotações esquemáticas 🤣).Você precisa aproveitar enquanto o professor está escrevendo na lousa; se ele for do tipo que explica e vai preenchendo, não tem saída, aproveite os momentos em que ele escreve na lousa e tente não se dispersar do raciocínio, ou se preferir, foque-se somente na aula e imediatamente após centrar-se nela, faça a revisão do seu entendimento sobre a esta com as suas palavras.

Flexibilidade é necessário…

Nem toda matéria dá para revisar da mesma forma. Por exemplo, em Física, vejo a aula extensa de revisão do site que assino (stoodi), depois faço os exercícios que ainda não fiz, e se tiver ainda algumas lacunas, resolvo outros das minhas listas extras. Já para história, eu gosto muito de ler. Então, leio meus resumos e faço exercícios. Entretanto, leio livros que abordam a História Geral e do Brasil de uma forma reflexiva, daí, acabo indo além do conteúdo do vestibular. Isso geralmente acontece com matérias de humanas. Geografia é uma exceção, acabo vendo a aulas específicas para reforçar algo, aula de revisão e resolvendo exercícios, além das listas extras. Deu para perceber que Geografia é a que me desgasta mais das matérias de humanas, não é? 😅

É importante enfatizar que independente dos métodos que uso para cada matéria, vejo as aulas de revisão, ou aulas de algum aspecto específico, quantas vezes forem necessárias, porque só me sinto em paz depois de estar no mínimo tranquilo para enfrentar qualquer tipo de questão dos assuntos estudados, independente do formato ou grau de dificuldade.

Não tenho medo de mudanças…

Seria engraçado nessa altura do campeonato me assustar com as mudanças. Elas fazem parte do processo de metamorfose do vestibulando. É a principal descrição do meu Blog. “A metamorfose de um Vestibulando Comum, em Estudante de Medicina”. Óbvio, essa parte não aconteceuainda -, ela vai acontecer.É importante saber que tudo faz parte de um processo e que só não é aprovado quem desiste. Muitos dos meus amigos que persistiram passaram, e aqueles que estão lutando, estão próximos de findar esse trajeto.

Agora, falando das mudanças necessárias: se tiver alguma ideia em mente, algum método, alguma forma de revisão, ou até mesmo uma mudança de hábito para o estudo de alguma matéria em específico, não tenha medo. A única coisa mais difícil de se fazer nesse ponto é voltar desde o começo nos assuntos estudados, entretanto, não existem impossibilidades. Já vi gente pegar para estudar a partir de agosto – apenas – e conseguir passar.

Eu não duvido de mais nada nesse mundo do vestibular.
As únicas coisas que sempre nos restarão, independente de ter ou não sucesso, serão as consequências – em algum momento serão positivas -. O importante é não ficar no impasse de ousar.

Lembre-se, o vestibular é um jogo. Um pouco desleal em muitos aspectos, mas se você jogar e adotar as melhores estratégias, pode ou não antecipar sua aprovação, a probabilidade de conseguir êxito é maior quando você opta por otimizar sempre a qualidade dos seus estudos, mas, não necessariamente isso acontece. Não posso te dar certeza disso. E aí? Vai arriscar?

Faço provas, mas tenho intervalos para trabalhar os resultados…

Uma das minhas maiores auto-críticas do ano passado está na quantidade pela simples necessidade de fazer. Hoje vejo que é muito mais eficiente fazer as provas com intervalos para refletir os resultados e trabalhá-los para que da próxima vez não haja o mesmo erro. Até ano passado para mim só importava fazer as provas loucamente, porque no método mecânico, teria os resultados subindo.

Porém, isso se mostrou ineficaz aplicado ao meu caso. Hoje percebo a diferença de saber o porquê, verdadeiramente, não fui bem nisso ou naquilo. E o filtro que faço das provas, trabalho o quanto antes.Geralmente pego a aula do tópico específico, revejo e faço exercícios nos mesmos moldes. Isso dá bastante resultado. Consegui aumentar significativamente o número de acertos nas provas que resolvo, num intervalo menor ao que levava antes.

Contudo, nem tudo são flores…
Minha preocupação não está apenas em aumentar o número de questões, mas, manter uma solidez que independente do grau de dificuldade das provas, não haja uma queda abrupta de desempenho.

Isso é mais delicado de se trabalhar, porém, mantendo a pegada de trabalho nas provas, nas revisões, no conteúdo programático, no aprofundamento de questões… Acaba dando certo. É só ser paciente e não queimar etapas. E óbvio, dar bastante ênfase às dificuldade.

Revisão não é apenas feita no final do ano…

O que aprendi nesse tempo todo é que nunca dá tempo de ver tudo. É um velho  clichê de quem presta vestibular. Partindo disso, para que deixamos nossas revisões somente para o final de ano? Sei que muitos dirão por conta do tempo, principalmente se estiverem fazendo cursinho.

Porém, muitos dos meus amigos de cursinho iniciavam as revisões antes mesmo de chegar na famosa revisão final que era aplicada pelo cursinho. Acredite, é possível. Você só tem que ser seletivo e estratégico. Se está com mais dificuldade em Matemática e Ciências da Natureza, para que vai começar a fazer revisões soltas de Humanas? Não faz sentido…

Eu tenho uma cheklist que fiz de todas as matérias. Nela, existe um espaço para eu demarcar as revisões feitas. Desse modo, na minha concepção, não existe mais essa ideia de “revisão final”, eu vou fazendo minhas revisões sempre que posso. Sem um dia, horário, nada fixo. Sempre surge tempo, seja acabando algo antes, ou quando não tenho prova agendada, etc.

De qualquer forma, minhas revisões são feitas nas horas vagas (não ocupam o tempo que reservei para meu lazer), sendo assim, a ideia mesmo é que estou sempre revisando. Quando acabar a cheklist prioritária, se tiver algum conhecimento fragilizado do que revisei, retorno, sem nenhum ressentimento. Se estiver tudo certo, sigo para as menos prioritárias. E quando estiver próximo das provas, farei o mesmo. Mas, com uma ressalva: revisando apenas os conteúdos que ainda erro por fragilidade em algum aspecto, e fazendo prova.

Considerações Finais

É importante que vocês deem um jeito de descansar e que tenham uma válvula de descompressão. Sei que isso parece ser incogitável de se aplicar nessa altura, mas pensem que vocês deram o máximo que podiam até esse ponto em que nos encontramos e que não adianta ralar tanto para depois disso, não conseguir abrir uma prova sem querer esfaqueá-la, ou rasgá-la, ou acender um isqueiro e admirar friamente aquele monte de papel e tinta queimando (eu prefiro essa versão mais maquiavélica 😂).

Pensem em como seria desagradável ter se preparado tanto, para chegar no final e não ter condições físicas ou emocionais de enfrentar o “grande momento“. Então, apesar de considerarem alguns pontos de intensidade desse momento em que nos encontramos, dá para tirar aquela folga no final de semana, sem nenhum remorso.

No final, ninguém consegue ver tudo com profundidade. Então, vocês só precisam ser estratégicos, para chegarem mentalmente vivos em Novembro, para enfrentar Enem e seus coleguinhas.
Muito obrigado por ter chegado até aqui! Agora me diga: como está fazendo suas revisões? Isso pode ser muito útil para outros leitores, pois, quanto mais formas de revisão, maior será a probabilidade de alguém encontrar algo bom para si!

Obrigado!! 😘❤