MIRELLI – APROVADA | MEDICINA – UFMS |

Salve, caros!! Quanto tempo, heim?                                                                                                             Hoje entrevisto uma amiga minha de cursinho e de luta, ela conseguiu atingir o sonho da Medicina. Acompanhei a luta dela quando fizemos juntos o cursinho, foi maravilhoso saber que o objetivo foi alcançado; ela faz parte do meu grupo de amigos, todos guerreiros, que lutam por uma vaga nas universidades públicas desse país, vibrarei aprovação por aprovação, pois esse ano mais gente do grupo conseguirá a tão sonhada vitória. Quem quiser acompanhar a rotina dela na Medicina, o Instagram é esse ( enfim_medicina ), sigam!! Então… Sem mais delongas… Vamos à entrevista!

Poderia falar um pouco sobre você?

Eu sou a Mirelli, tenho 31 anos, casada, militar e com graduação em direito. Acadêmica de medicina na UFMS, 1° Semestre. Agradecida por estar tendo a oportunidade de concretizar esse sonho.


Como foi iniciar os estudos por um objetivo tão singular? Há quanto tempo lutou por uma vaga em Medicina?

A minha decisão de voltar a estudar para tentar uma vaga em medicina foi bem pensada. Eu já não tinha muito tempo a perder, mas não queria deixar esse sonho para trás, então conversei com meu marido e minha família, recebi o incentivo que precisava e me matriculei no cursinho. Fui nos dois primeiros dias de aula chorando, achando que não havia espaço para mim lá e que seria tudo muito difícil, afinal, há 10 anos eu não estudava. Logo, logo me encontrei e me preocupei em galgar um degrau de cada vez e, assim, fui adquirindo experiência e conhecimento. Fiz três anos de cursinho no período noturno.
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Sobre a experiência no tempo de vestibular; fale um pouco sobre sua evolução nas estratégias de estudo adotadas.

Foi exatamente isso: uma evolução! Comecei um pouco perdida sem saber ao certo o que priorizar, já que tinha pouco tempo para estudar fora da sala de aula. Evolui também no tempo de estudo, que foi aumentando com o passar dos anos. Então, no primeiro ano de cursinho, eu estudei só exatas e no meu horário de almoço (meu trabalho é integral). Já no segundo ano eu reforcei exatas estudando um pouco mais aprofundado e foquei em redação; comecei a estudar antes do início do meu serviço também, assim ganhava umas horinhas. E o terceiro ano foi de dedicação total: acordava às 04h, estudava no almoço e não havia final de semana ou feriado que eu aproveitasse sem antes dar uma revisadinha em alguma coisa. Comecei a estudar as específicas de medicina pelo material da turma da manhã, que é um pouco mais completo.
Fui crescendo durante esse período, e amadurecendo em relação às provas e ao meu autoconhecimento, fui vendo o que dava e o que não dava certo para mim.

O que você fazia para se motivar nos tempos difíceis? Houve algum dia em que pensou definitivamente em desistir?

Medicina é uma carreira difícil e já começa no vestibular. É muito provável que seja preciso anos de preparação. Então, antes de começar a prestar vestibular eu decidi até onde eu iria, para não perder tempo. Se eu estivesse disposta a tentar só dois anos, talvez não valesse a pena começar. Então decidi tentar até passar, demorasse o tempo que precisasse. Planejei isso antes para que as frustrações não atrapalhassem meu discernimento. Pensar se continua ou não tentando após não passar no vestibular é cruel e injusto.
Mas sempre firmei minha vontade acompanhando a vida de outros vestibulandos e de estudantes de medicina. Cada vez que eu via alguém na faculdade pensava: vai estudar que logo será você!

Que valores a persistência deixou em sua vida?

O principal deles foi a máxima: Só não passa quem desiste.
Quem persiste consegue absolutamente tudo aquilo a que se propõe.

Qual era sua reação quando contabilizava seu desempenho e via que não era suficiente para ser aprovada? Como planejava a retomada?

Eu me dava dois dias de tristeza máxima, o que era bom, porque eu parava um pouco para ver o que eu podia ter feito diferente. Não podia passar desse tempo porque a matéria atrasava. Passada essa fase de introspecção, eu começava a planejar minhas mudanças dentro da minha realidade. Foi assim que percebi que precisava me aprofundar um pouco mais em algumas matérias e precisava de mais tempo para isso, logo, vamos dormir menos e produzir mais.
O mais importante disso tudo é “não dar murro em ponto de faca”, ou seja, não fazer as mesmas coisas que fez, porque não deu certo. É buscar uma nova chance, numa nova linha.

Houve algum momento em que você se viu pressionada à passar?

Sim. O tempo todo. Minha idade me fazia pensar que eu estaria velha demais, que já tinha passado minha vez. Mas, então, me perguntei: onde quero estar daqui a 5, 10, 15 anos? E me jogava nos livros, pois o tempo passa de qualquer forma, então que passe comigo fazendo o que amo, aí a pressão diminuía.

O que foi determinante para você no ano em que foi aprovada?

Os anos anteriores rs. Parece piada, mas foi o que passou que me possibilitou chegar onde estou. Cada ano é um novo aprendizado que você agrega e que te joga no meio dos aprovados.

Agora narre para nós como foi o dia em que você “cruzou a linha de chegada”, o que estava fazendo? Qual sua sensação? Transmita-nos toda a emoção de presenciar seu nome, mais do que merecido, na LISTA DE APROVADOS.

Ah! Me emociono de lembrar. Eu fiquei na lista de espera e estava esperando sair minha classificação final, pois no Sisu tem aquele negócio de confirmação de interesse em participar da lista. Eu estava em 55 na lista e sabia que tinham 26 vagas para a segunda chamada. Aí, no dia que saiu a lista eu tinha subido para 22! Ou seja, sabia que seria convocada logo na segunda lista! Eu estava na sala da minha casa mexendo no computador quando fui xeretar o site da faculdade, porque eles não deram a data que a lista sairia; quando vi que ela tinha saído, chamei meu marido enquanto o arquivo abria. Dei um ”ctrl F”, busquei meu nome e gritei: “Vinte e dois” e desabei a chorar. Nesse momento, todos o sacrifícios dos anos de cursinho tinham desaparecido e pensei: faria mais 5 se precisasse para sentir isso. Indescritível!
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Sobre a Faculdade; você já foi visitá-la? Como foi a matrícula? Teve trote? Conte-nos, qual é a sensação de mudar de Estado para realizar seu sonho, Doutora?

Já visitei nos moldes do ano passado, esse mês inaugurou o prédio para o curso de medicina que só vi em construção e estou ansiosa para começar as aulas com tudo novinho e feito para gente. No dia da matrícula eu cheguei bem cedinho e fui a primeira a me matricular. Conferi as três vias dos documentos que levei umas 1000 vezes, para não ter erro. Como cheguei bem cedinho, não tinha ninguém da faculdade lá, mas fiquei sabendo que não teve trote. Na minha faculdade, os veteranos são muito legais e bem solícitos e em nenhum ano teve trote pesado, só o solidário.
Agora quanto a mudar de estado estou com um frio na barriga rs Mas ansiosa também. É um preço que me predispus a pagar e vou de alma lavada!

Na vida acadêmica, o que deseja realizar daqui para frente? Já existe alguma área de interesse, ou projeto paralelo à Faculdade?

Eu quero sugar o máximo de conhecimento acadêmico e de vida durante esse tempo para me tornar a médica que eu desejo que atenda meus familiares. Ainda não tenho uma área definida, gosto de muita coisa. Então, vou esperar aquela batida mais forte do coração quando formos conhecer as especialidades.
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Aos Leitores do Blog, que mensagem você pode deixar?

Só você pode trabalhar para ter a vida que deseja. Então ande, corra, pule, levante, cure as feridas. Mas sempre na direção daquilo que sonha! E não esqueça: só não passa quem desiste.
Boa sorte, boa prova e boa caminhada para vocês!!

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Um dia inesquecível, que ficará eternizado no coração de todos que participaram dessa comemoração; esse é o nosso grupo forte e persistente.

 

Agora sou eu, galera!! Confesso que para mim foi uma grande responsabilidade entrevistar a Mirelli, ela merece colher todos os frutos que tanto cultivou, acompanhei essa luta de perto e a vi nos dias de prova, pude vibrar e ver a emoção na comemoração que fizemos por essa linda conquista, cujas fotos vocês puderam acompanhar. Gostaria de alertar inclusive as pessoas que estão há algum tempo como eu, para dizer que as palavras dela realmente expressam a realidade. Quando você quer resultados diferentes, você precisa agir diferente, seguir estratégias diferentes numa nova linha. Realmente, essa parte foi a que mais se inseriu na minha realidade atual, hoje vejo como evolui por essa atitude.

À todos, muito obrigado, não poderia deixar de publicar essa entrevista nas vésperas do ENEM que é o “Start” de todas as provas que estão por vir. Foco galera, não desanimem, que os próximos depoimentos podem ser de vocês!!