CLEYTON IGNACIO – APROVADO |MEDICINA – UFCSPA|

Salve, caros Leitores do Blog!! Demorei, mas eu voltei… Cheio de novidades e com a inauguração de uma área especial (PAPO COM O APROVADO) para quem precisa ter provas de que é possível realizar um sonho! O entrevistado de hoje é meu amigo e fez cursinho comigo em 2014, Cleyton Ignacio que será nosso entrevistado,  aprovado em Medicina em três grandes Universidades,  optou pelo seu sonho na UFCSPA. Por conseguinte, ele irá inaugurar essa novidade na página!  Então, chega de delongas… Vamos ao momento mais esperado! Vamos à entrevista…

Quem é Cleyton Ignacio? 

Quem sou eu? Hahah, apenas mais um cara comum… Não tenho muito o que dizer, 21 anos, natural de Mauá e estudante de Medicina. Hoje morando em Porto Alegre e estudando na UFCSPA, e que no momento pensa em fazer Neurologia (mas até o fim do curso acho que vou mudar a escolha, hahah). Fico feliz por ter sido convidado a participar dessa entrevista e espero que as dicas que eu vou dar ao decorrer das perguntas ajudem, não só aos vestibulandos, como também aos futuros calouros, e também deixo meu facebook disponível pra quem quiser tirar qualquer dúvida.
Falar um pouco sobre o curso… Posso dizer que foi incrível, é algo que não dá pra explicar: o fato de ter que conciliar os estudos, a limpeza da casa, a roupa limpa, a comida pronta, era uma aventura – a qual se tornava impossível em semanas de prova. Não vou dizer que é fácil, o curso tem uma carga horaria bem pesada, foram 11 matérias, mais as matérias optativas e aulas de ligas. Mas o pessoal sempre se ajudava, postavam resumos, tirávamos duvidas em grupos do whats, o que ajudava bastante. O primeiro ano é baseado em 3 pilares: anatomia, bioquímica e citologia que são matérias básicas que se complementam, tentando explicar o funcionamento do corpo humano. É bastante conteúdo (principalmente em anatomia) que é dividido em áreas para facilitar o aprendizado.O curso exige que o estudante tenha tido 300 pontos complementares, que serão dados através de horas de atividades extras: matérias optativas, aulas de ligas, participar de ligas, dar monitoria de alguma matéria, etc. (A liga acadêmica é uma entidade criada e organizada por acadêmicos, professores e profissionais para complementar a formação acadêmica por meio de atividades que atendam os princípios do tripé universitário de ensino, pesquisa e extensão). No começo é difícil, o ritmo da faculdade é outro do que estávamos acostumados, e a mudança de estado dificultou ainda mais. Mas com o passar do tempo dá pra se organizar e fazer tudo que tem que fazer.
No que diz respeito a faculdade, é a melhor universidade do Rio Grande do Sul e a terceira melhor do país em cursos de graduação, de acordo com o MEC, e na classificação geral a UFCSPA é a segunda melhor universidade do Estado e a 14ª em nível nacional. Mas, mais do que esses números, tem um complexo hospitalar imenso formado por 7 hospitais: Santa Clara (destaca-se a assistência clínica e cirúrgica em cardiologia, cirurgia geral e cardiovascular); São Francisco (área da cardiologia intervencionista e cirurgia de coronária); São José (neurologia e neurocirurgia); Pavilhão Pereira Filho (Pneumologia clínica, cirurgia torácica e radiologia do tórax); Santa Rita (especializado em oncologia); Hospital da Criança Santo Antônio (especializado em pediatria); Dom Vicente Scherer (centro de transplantes); Além disso a estrutura da faculdade, laboratórios, são incríveis, tudo novo e de última geração. As aulas de anatomia práticas vão bem a fundo, e temos contato com o corpo humano desde a primeira área. É fascinante.

Porque você escolheu Medicina? Quanto tempo de cursinho e o que isso acrescentou em sua vida?

Ainda durante o ensino médio, quando todos falavam os caminhos que queriam seguir eu, sem nenhum recurso fiquei bem relutante em escolher Medicina, sempre me identifiquei com as humanas, a mudança que a área representava para mim, mas eu queria mais, queria ir ‘lá’ e fazer algo que causasse uma mudança efetiva, queria fazer a diferença na vida de alguém e, mais do que isso, fazer a diferença na minha. Ao terminar o Ensino Médio consegui um serviço em um cursinho, que como “pagamento” deixava eu assistir as aulas; o fato de eu ter entrado na metade do ano e ter que trabalhar, dificultou muito, só fiz enem aquele ano por fazer. No ano seguinte eu consegui um trabalho “melhor”. Era de telemarketing e só das 18H às 23H, o restante do dia ficava no cursinho, entrava as 7H e nada me fazia parar, foram 4 longos meses, até que minha família conseguiu arcar com as despesas. Naquele ano sentia-me mais preparado, apostei todas as cartas que tinha, prestei 12 vestibulares, particular, pública, estava confiante… Mas foi necessário mais 1 ano.
Foi só ai que eu percebi o que eu tinha passado para chegar ali, e vi que em momento algum eu escolhi a Medicina, mas eu tive a sorte dela me escolher. Hoje eu vejo que foi a partir daquela “escolha” que minha vida mudou muito. Acrescentou? Sim! Responsabilidade. Me ensinou o valor de correr atrás dos nossos sonhos, de não desistir, apesar de tudo convergir à isso.

Como você se sentia diante da reprovação?

Da primeira vez não me importei, inclusive foi muito bom pois não estava nem um pouco preparado para a faculdade, não dominava a matéria básica do Ensino Médio e não tinha disciplina alguma, não sei se teria suportado a intensa rotina da faculdade se tivesse entrado tão despreparado daquela forma. Da segunda vez, entretanto, foi bem traumático, não por mim, mas pensava principalmente nos meus pais, eles haviam feito de tudo para conseguir custear os meus estudos, e a única coisa que eu conseguia sentir é que eu havia os desapontado. Apesar de nunca haver nenhuma cobrança desse tipo por parte deles, eu me cobrava muito nesse sentido, o dinheiro que eles haviam gastado de vestibulares, tudo. Em segundo lugar, lembrava da minha situação, sentia-me bem preparado para ingressar, mas a faculdade não tinha espaço para mim, era uma situação que me chateava, mas em momento algum desanimava, pelo contrário, só me fortalecia.

Como você se preparou no ano em que foi aprovado?

Eu tive um primeiro ano de cursinho muito proveitoso, resolvi todos os exercícios das apostilas do Objetivo, tentava deixar toda a matéria em dia, ia sempre ao plantão de dúvida, tinham amigos que me ajudavam muito, mas era tudo um aprendizado, era a primeira vez que eu me deparava com aquele conteúdo, a dificuldade era inevitável. No segundo ano, foi diferente, foi mais uma revisão, comecei com tudo, mais do que isso, no primeiro semestre conciliei exercícios físicos ao estudo, o que me ajudou a manter a calma, era das 7H às 19H no cursinho, e às 20H ia à academia. Ficava no cursinho o dia todo, não assistia todas aulas, mas mantinha todos os conteúdos de todas as matérias em dia. Outra coisa que me ajudava muito era ensinar aos outros, quando alguém perguntava eu me prontificava a ajudar, tanto alunos, como os próprios professores. Em humanas eu anotava TUDO, não perdia nada para depois poder entender como aconteceu determinada situação, como se desenvolveu até chegar ali, as datas que me confundiam mais eu escrevia várias vezes. Em exatas tinha que resolver os exercícios, só aí você aprendia casos específicos, e de tanto fazer você precisava mais de formulas, lendo o enunciado você já via o que ele te dava e o que ele queria, se tornava automático, assim também ocorria com redação, o segredo era prática. Tentava fazer 1 por semana, se não desse, eu fazia 2 na semana seguinte, levava o tempo que precisava, riscava o rascunho inteirinho, mudava tudo… para então levar 4. Mas não me desanimava, pratiquei ate começar a tirar 10. Em biologia o segredo era fazer esquemas, tinha muita coisa pra decorar e fazer esquemas coloridos e tentar entender e memorizar ajudava muito.
No segundo semestre eu não consegui mais conciliar com atividade física, os professores estavam atrasados na matéria, e eu tive que correr atrás do conteúdo por conta própria, então não ficava quase em aulas mais, estudava muito sozinho, e ia aos plantões. Duas semanas antes do Enem eu já havia terminado tudo e então comecei a resolver as provas dos anos anteriores. Resolvi todas desde 2009 (ano em que havia mudado o formato da prova) e fiz isso com as demais provas, na semana da Unicamp resolvia todas as provas anteriores, umas 2 por dia, na da unesp a mesma coisa e na Fuvest a mesma coisa, tudo isso, tentando conciliar com as apostilas de revisão do Objetivo. Fiz isso até final de dezembro que foi a minha última prova. Depois do ano novo voltava a rotina, em janeiro ainda faltavam 2 provas e estudei até o último momento que eu pude. Nada conseguiria me parar.

Quais eram suas maiores dificuldades no cursinho e o que você fazia para superá-las?

Ahhh…o cursinho, que lugar louco e deslumbrante era aquele, cheguei lá sem saber nada, e não minto ao dizer que tive dificuldade em tudo. Para quem se encontra na mesma situação, eu tentava acompanhar sempre os professores, mas é obvio que não dava tempo, e eu tentava correr atrás nos finais de semana. Acho que o grande segredo foi tentar resolver todos os exercícios: pra exatas não tem outro jeito. RESOLVAM TODOS. Minha maior dificuldade era na física, a mecânica me bateu muito, fui muito ao plantão, olhei muito as resoluções, e tentava ver a resolução até entender, se não ia plantão. Outra que me tirou muito o sono foi a geografia, história eu amava, não era um problema para mim, mas a geografia, odiava ficar decorando as características dos relevos, onde estão os minérios, quem exporta o que, em que era geológica aconteceu o que. Até hoje tenho alguns rabiscos desses na minha parede, toda riscada com várias informações. Química eu achava difícil, mas à partir do momento em que eu sentei para estudar eu aprendi com bastante facilidade, adoro estequiometria até hoje. Acho que o grande segredo é a persistência. Não conseguiu? Tenta de novo. Perguntou e não entendeu? Pergunta de novo. Enchia o saco de todos os plantonistas, tinha o whats deles, e mandava pergunta sempre, haha.

Havia alguma inspiração nos momentos de tristeza?

Eu tinha alguns amigos que foram aprovados e pensava: “se eles conseguiram, por que não eu?”. Minha real motivação era quando eu ia ao hospital, aquele cheiro me acalmava, gostava daquele lugar, olhava para as pessoas e imaginava o que será que havia ocorrido para ela estar naquela situação, eu me importava com todo aquele cenário. Ver o médico então era ótimo, sempre simpático, e me imaginava naquela situação como algo impossível. Mas quando eu realmente estava abatido, não pensava em outra coisa a não ser nos meus pais, o que eles estavam passando para me manter ali, trabalhando muito e então, via como minha obrigação ser aprovado porque eles já davam o máximo que podiam para realizar esse sonho, eu também tinha que dar tudo de mim. Levantava a cabeça, enchia o copo de café, pegava o lápis e ia.

COMO FOI SER APROVADO?

As lágrimas são inevitáveis. Dá um aperto no coração e você sente um alívio imenso. Você não sabe o que fazer, se corre, se grita, que chora, se conta pra todo mundo. Por alguns instantes só existe você no mundo, algo que parecia impossível começou a tornar-se realidade. Você fecha os olhos e sorri, e vê que tudo pelo que passou VALEU A PENA. É uma sensação de algo finalizado, apesar de ser apenas o início de tudo, você sente-se agradecido e realizado. É algo indescritível, mas que faz o cursinho parecer nada. Após isso, coloca os pés no chão novamente e já começa a preparar-se para essa mudança de vida, na maioria das vezes de casa, e toda aquela burocracia. Todos te acham o máximo, mas não sabem o quanto você lutou por aquilo. Você vai ser médico. O sonho está mais próximo da realidade do que nunca.
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Como é a sua rotina hoje na Faculdade de Medicina?

A rotina é bem intensa, é das 8h às 15h, e às vezes até ah 17h, e você chega em casa exausto. Com o passar do tempo você vai conseguindo conciliar, e adicionando coisas extras a sua grade de horários (matérias eletivas, aulas de liga). Nem sempre conseguimos estudar a matéria do dia, no dia, eu, por exemplo, chegava cansado depois de passar o dia na faculdade, ai ia arrumar a casa, cozinhar, lavar a louça, tomar banho, quando ia ver já era umas 9h da noite e, quando precisava, ficava estudando até umas 2h, porque se deixasse tudo pra semana da prova, me ferra muito.
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Como foi seu primeiro ano na Faculdade de Medicina?

Esse ano foi bem complicado, principalmente, pela mudança. Iniciei o ano morando com alguns colegas da faculdade, mas com o passar do tempo a convivência não deu certo e acabei ficando sem um lugar para ficar, bem em época de provas, o que atrapalhou bastante meus estudos. As primeiras provas eu não havia ido muito bem, só sabia estudar para o vestibular, no ensino médio eu praticamente não tinha provas, não sabia como era estudar para uma prova, e acabei devendo nota, depois, ao ficar sem casa, fui mal novamente, devendo mais nota. No segundo semestre, agora morando sozinho, pude me dedicar muito mais aos estudos e recuperar as notas que eu havia perdido. Por isso uma dica que eu dou: conheçam as pessoas antes de aceitarem dividir uma casa. Morar com um completo desconhecido pode dar muito problema.


Na Medicina, teve algum momento em que você se desanimou ou sentiu dificuldades? O que fez para superar isso?

Sim, diversas vezes, e não tenho vergonha de admitir. No final do ano você já está exausto, com os nervos à flor da pele, estressado, e o pior de tudo… sente-se sempre sozinho. Mas você não está sozinho, seus colegas agora são sua família, a família que você escolheu. Você conta sempre com eles, pra explicação, resumo, conseguir algum livro, alguma apostila e, o mais importante, quando você sente-se sozinho lá está ele para te dar apoio. Outra coisa que  ajudava era fazer academia, mas algo que não consegui conciliar com os estudos no segundo semestre. Às vezes a rotina muito exaustiva te deixa destruído, mas as festas servem para você poder descansar a mente, mesmo que o corpo fique mais cansado, às vezes é bom ir.
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Você sente saudades da sua família e amigos? O que faz para suprir essa saudade?

Sim, com o passar do tempo a saudade só aumenta, você fica sempre naquele silêncio, e sente falta da sua mãe gritando, ou dos seus irmãos te enchendo. Não dá para explicar esse sentimento de solidão, mas você tem um foco e nada irá te deter. Os meios de comunicação ajudam a realizar videoconferências, conversar por mensagens, áudios, mas nada compara-se à presença. Os amigos de verdade permanecem mesmo em semanas sem nos conversarmos, de vez em quando um ou outro aparece para perguntar como estou, como está a faculdade. Mas a saudade mesmo só matamos nas férias, época de reencontrar a família e os amigos, e recarregar as energias paras passar mais um período longo longe.

Que mensagem você pode deixar aos Vestibulandos de Medicina do Blog?

Assim como me disseram uma vez, gostaria de dizer-lhes de todo o coração, se vocês tiverem ido mal esse ano e estiverem pensando em colocar outo curso, tanto no sisu, quanto no prouni, só porque não aguentam mais cursinho, se acham que estão velhos, se querem ir logo para a faculdade, pensem bem. Essa é uma decisão para a vida, daqui a alguns anos vocês irão olhar para trás e pensarão “mas e se eu tivesse tentado de novo… e se…” só que aí sim poderá ser tarde, talvez você não tenha mais seus pais para te ajudar. Você não está velho, passará no momento certo, se não deu certo essa vez, veja o que você está errando. Tente. Arrisque. Dê o máximo de si, você não vai se arrepender, apesar de todos os problemas, esse é o melhor lugar do mundo, se é aqui que você quer estar. NÃO DESISTAM NUNCA.

ABRAÇOS,

Cleyton Ignacio