DIÁRIO – Junho de 2018 (o diário voltou…♥)

DIÁRIO || 22 de Junho de 2018 ||

Querido diário, sei que o abandonei por meses e quase desisti de compartilhar algo com você. Acredite… Estou cansado. Muito cansado mesmo… E sem ócio para devanear… Mas, continuo alimentando meu sonho diariamente. Consigo dormir bem, isso é ótimo. Contudo, meu desgaste é quase crônico. Um acúmulo que vem desde que comecei a levar a sério essa rotina de vestibular. É difícil ter sempre que direcionar sua vida aos estudos monótonos e generalistas do vestibular, gostaria muito de já estar começando a Faculdade de Medicina. Todos os dias imagino como vai ser libertador ver meu nome na Lista mais que esperada. Poder parar de estudar tudo direcionado ao vestibular. Tirar as algemas que impedem meu exercício como parte social importante. Acontece que essa vida é bem maluca. A cada ano percebo que muita coisa muda, que tudo se relativiza e que (das minhas últimas experiências) confiança nem sempre significa algo. Por isso, esse ano precisei dar um tempo de pessoalidades. Tentei manter apenas o lado funcional do Blog, com assuntos que não abarcassem tanto minhas aflições. Não pense que sou uma pessoa completamente sã. Todos os dias é uma superação nova. E isso se acumula quando bate o cansaço. A minha rotina desde 2014 tem sido essa: trabalho de madrugada (estudo no trabalho). Das 7h até as 16h (estudo em casa), das 16h às 21h30 durmo, depois tomo banho e vou trabalhar, daí em diante o ciclo se repete. Isso porque não estou falando do tempo que fiz cursinho e nem de quando tentei (mero mortal) ser atlético… (quanta inocência…kkkkkk)
Essa rotina sem muito acréscimo para lazer acaba desgastando a gente. E não tem muito como fugir disso, porque vestibular é assim: um cochilo no tempo e quando você vê a matéria está completamente fora de dia e o vestibular se aproximando freneticamente, querendo te dar um “abraço de estivador”, como canta Chico Buarque em “Hino de Duran” rsrs. E você, na maior inocência, pensa que vai terminar tudo e resolve acelerar e acaba não tendo tempo de aprofundar nada. Vestibular é assim. Tem que se manter concentrado desde o início do ano. Evitando ao máximo perder o foco ou “deixar a vida te levar”. Tem que continuar nadando, simplesmente. Sem pensar muito no processo de nadar, ou planejar como deveria nadar para ir mais rápido. É literalmente, nadar e nadar… Sem olhar para trás..rsrs  A não ser que seja preciso revisar um nado pouco sincronizado que não deu muito certo…rsrs Essas coisas podem acontecer, nesse caso é só manter o controle, reparar pontualmente, e continuar…
A única coisa boa nisso tudo é que não me cobro tanto como antes. Antigamente em qualquer intervalo que eu fazia ficava me martelando “deveria estar estudando”. Isso era horrível, porque nem nos momentos de descanso eu estava completamente descansando. Estava carregando um mundo de angústias numa corda e desequilibrando, prestes a cair… Sempre estava em dívida com a minha consciência; a coisa mudou. Não me cobro. Mas, os resquícios dessa loucura psicológica do passado não são facilmente reparados. É um tratamento a longo prazo. É como aquele empréstimo desnecessário que você fez apenas para consumir futilidades (que você nem tem mais), mas que para liquidar, você terá que passar por meses de privação. O importante é que eu aceitei que precisava pisar no freio. Se é que posso chamar isso de freio…rsrs Ah.. Vai… É um 1/2 Freio rsrs. Fato é que estou mais tranquilo. Entretanto, é inevitável bloquear por completo a angústia das incertezas. Mesmo que alguém com um discurso muito aprazível me diga para relaxar, descansar ou sair mais… O conflito não é do “eu” com o mundo. E sim do “eu” com o existir e ser finito. São muitos conflitos internos. E pra somar, ainda tem as incertezas que esse sistema capitalista nos imprime. Nunca há satisfação com nada. Você sempre precisa correr atrás de algo. Sempre tem que corrigir uma “imperfeição”, e por mais que seja alguém disposto a fugir disso, esse sistema nos afeta; em algum momento teremos que enfrentar essas situações, olhar no espelho e dizer: eu vou te vencer. Ainda bem que existem as mudanças. Não gostaria de conviver com meus “eu’s” passados, são todos chatos…rsrs Provavelmente meu “eu” futuro criticará de forma voraz meu “eu” deste presente.
Outra coisa que me impede de sair mais: tenho que ter tempo para resolver mais provas. Estou bem empolgado com a progressão que ando demonstrando em meus resultados. Ponderando como estou, as coisas estão se consolidando. Estou numa fase boa de crescimento gradual. Sem nada abrupto. Porque coisas abruptas são frágeis. Posso afirmar com convicção, porque já aconteceu de beirar 80 acertos numa prova, e em outra não chegar nem a 70. Um decréscimo de mais de dez pontos não é um saldo sólido, por isso, se Aristóteles me visse, diria para que eu buscasse a prudência. Para equilibrar as coisas. É o que estou buscando rsrs. E dando o prazo necessário para absorver os resultados e melhorar nas próximas provas. Sempre estabelecendo metas realistas. Entretanto, estando em junho… Não dá mais para sair num fluxo periódico. Até porque as matérias não tiram o atraso por si próprias (risos). Ou seja; o final de semana se tornou sagrado, até porque por mais que você tenha organização, a programação da semana consome muitas horas e, sendo assim, não é tão suficiente. Tenho que estudar em casa e no serviço para não piorar as coisas (risos). Tenho muita sorte de ter um trabalho em que eu possa estudar. Em que não tenha atividades, contando mais a presença. Isso é ótimo… 😀
Estou mantendo minha sanidade lendo, dormindo, assistindo coisas que gosto, tendo o apoio da minha mãe, fazendo o que me der vontade de fazer; exceto, saindo rsrs… Até que saí bem esse ano (bem mais que ano passado). Mas, nesse ponto em que estamos, já está mais difícil resolver esse impasse. No mais, é isso, diário. Não vou mais cair na hipocrisia de dizer que tudo está fácil, que estou empolgadíssimo para as provas e que vou passar dessa vez. Não direi isso, porque nada é certo sem ter acontecido. Porém, o que posso dizer é que existe a possibilidade real de conseguir realizar esse sonho agora, e é por isso que estou fazendo um esforço sobre-humano para antecipar o máximo que puder essa aprovação (de preferência para agora). Mas, não estou contaminado pelas cobranças externas e até internas. Felizmente essa parte da minha vida eu consegui controlar (mesmo que tardiamente). Estava com saudades de desabafar aqui… Porque é mais pessoal. Não preciso ficar editando texto, alterando fontes, fazendo isso, aquilo, etc… Aqui sou mais eu, sem edições, sem preocupações, sem ligar para julgamentos. E se surgirem… Dane-se.. Ando bem “foda-se” com isso…rsrs
É isso aí… Tchau, diário. Até a próxima.

BeFunky-photo
Essa foi a última foto registrada da minha última saída rsrs. FMUSP, dia 10/06/2018… Foi muito divertido e agregador!!


 

Continue a nadar

BeFunky-photo                           Visita monitorada da FMUSP, realizada no dia 10/06/2018

O tempo nos desafia a continuar ou largar tudo e buscar a “felicidade” em algo mais imediato. Somos desafiados diariamente a continuar ou abandonar a rotina e dormir, curtir algo mais agradável, conversar com amigos no WhatsApp, ou qualquer coisa que nos livre da enfadante rotina de estudos em ano de vestibular.
Existem algumas formas de evitar que infindáveis subterfúgios tirem nosso foco no ano mais importante das nossas vidas. Sei que algumas pessoas repudiam essa ideia de evidenciar um ano como decisivo, compactando toda uma complexa existência e largando-a ao relendo dos “leões” feitos de papel e tinta. Entretanto, o vestibular é cruel. Não descobri isso brincando de vestibulando ou “tirando selfies estudando”, como já me acusaram... Descobri arriscando anos da minha vida, cruciais, e que não voltam mais; algumas realidades se derreteram, ficaram no passado… Mas, sobrou a que tenta alertar quem está perdido: o vestibular não quer saber se você está em paz consigo, ou angustiado com os paradoxos existenciais que surgem ao longo do ano nesse conflito incessante consigo; sua finalidade é apenas selecionar friamente aqueles que percebem como funciona esse filtro de personalidades, não necessariamente escolhendo os potenciais melhores profissionais, mas, somente optando por características que venham a manter a reputação de determinada instituição. Hoje algumas delas (não todas!) até se preocupam com a humanização, inclusão, e outros termos similares que estão em voga, a fim de continuar fazendo o mesmo supracitado: a reputação é o que mantém o jogo apaixonante do capitalismo; formar profissionais para o mercado e não prioritariamente para a vida. Mas, deixando essa acidez para outra oportunidade… Vamos conversar um pouco 😉

Sobre experiências que tive da última visita monitorada em que fui…

Semana passada (10/06/2018) fui na visita monitorada da FMUSP. Compareço nesta visita anual desde 2014. Contudo, a cada ano tenho um aprendizado diferente. Sei que muitos aqui já viram o título “continue a nadar” no filme “Procurando Nemo”. Entretanto, apesar da frase enigmática, ela ganhou um significado especial para mim nessa visita (espero que seja minha última como vestibulando). Vou justificar…
Vocês já pensaram em desistir em algum momento, acredito eu. Às vezes passamos a vida correndo atrás de respostas que estão latentes suplicando uma única reflexão. Passei esses anos todos buscando métodos, aperfeiçoamentos, achando que estava falhando em não conseguir achar meu defeito, ou que o problema era a minha “acomodação” como já li – desse jeito mesmo – de um leitor menos informadoEm algum momento falarei sobre como foi minha preparação, como superei inúmeras dificuldades, sejam as defasagens que eu trouxe de um Ensino Médio de Rede Pública Estadual. Não estranhe como enfatizei isso. É que ainda no século XXI, existe gente que acredita em meritocracia, sem atentar-se aos nichos sociais, por isso fui enfático. Também direi das dificuldades financeiras e por na maioria das vezes em que estudei, desde meu colégio, ter precisado trabalhar para ajudar em casa. Existe gente que relativiza sua trajetória, sem ao menos entender seu contexto social, porque só consegue enxergar o mundo pela sua minúscula perspectiva, sem nenhuma empatia. Não culpo estas, a vida é diferente para cada um que lê esse blog. E não vou falar disso agora, haverá o momento certo.
Todavia, retomando ao cerne… Essa frase significou muito nessa vez. Porque às vezes nessa loucura de correr atrás de resultados, não nos damos conta de que para atingir nosso objetivo, só precisamos continuar nadando; encontrando soluções na experiência experimentada. Não estranhe essa combinação! Um dos estudantes de Medicina disse que às vezes nada fazia sentido para ele. E parecia que estava correndo em círculos, isso o angustiava. Mas, essa simples frase que cultivou ao longo do ano em que passou, com efeito, o fez manter-se firme até nos momentos de maior instabilidade. A frase “continue a nadar” fazia com que ele parasse de pensar em como cumprir suas metas… E agisse. Enquanto ele continuava nadando sem pensar que deveria isso, ou aquilo. Ele estava caminhando gradualmente de encontro com sua realização. O importante é não parar!
É difícil essa nossa vida, gente. Por isso que quando leio o depoimento de vocês dizendo que estão esgotados, que não conseguem mais fazer nada com o mesmo vigor, que pensam até em dar um tempo, em especial aqueles que estão há alguns anos. Eu sei o que vocês estão dizendo. Eu sinto isso na pele. É difícil continuar animado depois de tantas reprovações, após ver as pessoas se realizando, passando, terminando a faculdade… E a nossa vida parecer estar estagnada. Mas, só precisamos continuar. E não olhar para o lado… Nadar ininterruptamente, até o momento em que chegarmos em nossa margem. Só precisamos seguir nossa trilha, sem pensar que deveríamos estar estudando mais, ou menos, ou melhor… O importante é continuar caminhando e extraindo o máximo que pudermos de nós mesmos, respeitando nossa humanidade, sem deixar de lutar. Só precisamos nos manter vivos. Vida requer movimento. Então… Continuem nadando!