Como faço Redação?

Salve, caros! Tudo bem? Sempre fui questionado sobre Redação, e muitas pessoas me perguntam se tenho facilidade em sua produção, por ser blogueiro… Minha resposta é não! rs Acreditem, enfrento as mesmas dificuldades de todos vocês. Mas, tenho uma ressalva; tenho facilidade no formato da Fuvest, por me sentir mais confortável e trabalhá-lo desde 2014, além de amar temas filosóficos e não ter que tecer um desfecho com proposta de intervenção, como no Enem. É fácil notar que pela minha indagação eu tenha mais dificuldade com o formato do Enem. Então, trarei para vocês um exemplo de Redação, em que tirei a nota 880,00 do Stoodi. Detalhe: eles são muito rigorosos nas correções, e os alunos costumam ter uma margem de erro positiva no dia da Prova oficial. Então, sem mais delongas… Analisem e critiquem a vontade, até porque estou me formatando para esse formato, já que é outra porta pra entrar na USP! rs

PROPOSTA – ENEM – 2006

TEMA: O poder de transformação da leitura.

Minha Redação:

Democratizando a leitura

É inegável aos contemporâneos que o Romantismo marcou o início da democratização do universo escrito; o que se difere de períodos anteriores, em que ler era distinção social e não trazia inclusão.
Com a ascensão da burguesia, era necessária a existência de veículos de comunicação em massa, o que obteve êxito nos romances de folhetim, criados para nutrir a sede que esse público tinha de viver o universo leitor.
Nos anos posteriores, a leitura transformaria a realidade de um autor que ainda hoje influencia gerações com a profundidade psicológica de seus personagens, Joaquim Maria Machado de Assis ascendia e criava o Realismo brasileiro, com a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, que em seu ápice criativo, traz um defunto-autor tecendo suas críticas à hipocrisia corriqueira do contexto em que viveu. A pluralidade escrita é transcendente; cria personalidades, transforma pensamentos, denuncia de forma mais sutil, mas não menos revolucionária, as injustiças cometidas pela coerção das elites.
Sobre o papel de denúncia, um exemplo de destaque é Graciliano Ramos, que deu voz ao sertanejo abandonado pelo Brasil oligárquico. De modo que conseguiu trazer a sonoridade na fala dos personagens, a economia no vocabulário pobre, denunciando a falta de oportunidade que os retirantes tinham, em que exploração por quem detinha o mínimo conhecimento era regra.
Na Filosofia de Kant, é possível sintetizar tudo o que foi levantado anteriormente numa única frase: “o homem é aquilo que a educação faz dele”. A produção de conhecimento, o deslocamento para mundos desconhecidos, a luz que guia o pensamento humano, a autonomia e o usufruto digno do livre arbítrio, só são possíveis com o acesso ao universo impresso.
Portanto, é preciso democratizar a leitura de forma eficiente. Uma ação que pode ser feita é a criação de cartazes publicitários disponibilizados pelo Ministério da Educação às escolas da rede pública, com imagens motivadoras ao ato de ler de forma gradual. Não como a atual, que implica no desinteresse precoce dos alunos por coagi-los a iniciar em clássicos de difícil compreensão. Nos primeiros anos do fundamental as obras devem ser infantis, e, aos poucos, com o desenvolvimento intelectual da criança, a complexidade também pode crescer. Para que o projeto não enfraqueça, é primordial que o incentivo transcenda ao estímulo nas escolas, é preciso que as mídias virtual e televisiva também contribuam na propagação de campanhas conjuntas com o Ministério da Educação pelos esforços na mudança do quadro leitor brasileiro. Com isso, a médio e longo prazo, as consequências esperadas são a redução da polarização social no que diz respeito ao acesso à informação, e o aumento no significado do termo “cidadania”.

Nota da Redação por competência do ENEM:
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Linguagem

Competências 1 e 4:
“escrito; o” / escrito o
“personagens, Joaquim” / personagens. Joaquim
“fundamental” / Ensino Fundamental

Conteúdo e estrutura

Competência 2 e 3
“era necessária a existência de veículos de comunicação em massa”
– Por quê? Procure explicitar.
“denunciando a falta de oportunidade que os retirantes tinham”
– Por que ela ocorria?
“em que exploração por quem detinha o mínimo conhecimento era regra.”
– De que modo se dava a exploração a que se refere? Qual era a regra?
“A produção de conhecimento, o deslocamento para mundos desconhecidos, a luz que guia o pensamento humano, a autonomia e o usufruto digno do livre arbítrio”
– Procure exemplificar cada um desses elementos.

Proposta de intervenção

Competência 5
“a complexidade também pode crescer”
– Que critérios estabeleceriam os níveis de complexidade da leitura?
“propagação de campanhas”
– Como elas poderiam ser elaboradas?


Viram galera? Escrever é complicado até pra quem já lida bastante com isso… Então, por mais que vocês sejam bons na escrita, pratiquem muito! Sério.. Só porque sempre tirei notas altas nas Redações no formato Fuvest e nas provas oficiais do Enem vinha tendo um retrospecto ascendente nos últimos anos, quando comecei a trabalhar direcionando minhas dificuldades de escrita e no formato do Enem, percebi que estava longe da utopia que almejava. Só que agora é só seguir o método socrático… Ter consciência do quão sou ignorante e a partir daí, trabalhar metodicamente na redução da minha ignorância, pra poder atingir a sabedoria. Sintam-se à vontade para comentar e se tiverem alguma dúvida é só fazer a pergunta que responderei abaixo. É isso… Abraços e continuem focados! E claro.. Façam muita Redação! Treinem muito. E quem mira Enem, tenha empenho, pois o mínimo pra complementar as notas e ampliar as chances de passar em Medicina, deve ser pelo menos 900 na Redação. Acima disso, as chances aumentam ainda mais. Então, estratégia! Foquem nas suas dificuldades, não apenas na Redação, mas, em tudo!

OBS: Quem tiver dúvidas sobre como planejo minha Redação, ou sobre citações, etc… Só mandar nos comentários! Abraços!!

 

 

 

 

 

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O planejamento que fiz no início do ano está dando certo? E a revisão? Fiz adaptações? Como andam os resultados?

Salve, caros! Aproveitei a folga dos estudos para trazer à lucidez algumas promessas que fiz no início do ano e dizer o que deu certo, o que precisei adaptar, e o meu atual saldo, se estou tendo bons resultados, se tive quedas e qual foi meu comportamento para contornar tudo isso; vamos lá…

Meu planejamento deu certo?

Bom, na maior parte sim. No início do ano nossa euforia é díspar das nossas limitações. Algumas coisas pensei que dariam extremamente certo, não deram, e precisei utilizar a experiência para contornar a frustração e não deixar meu ânimo decair, e, por conseguinte, não cair numa “bola de neve” de marasmo e falta de estímulo para estudar. O que deu errado? De forma objetiva, a distribuição de provas nos respectivos dias não surtiu o efeito esperado. E fiquei muito decepcionado na minha primeira prova, por ter ficado abaixo da meta. Só que após corrigir e refletir sobre o resultado, vi que estava desgastado. O resultado não era por falta de conhecimento, mas sim pelo excesso de cobrança, pela negação das minhas limitações, por não ter dado uma pausa adequada para descansar a mente. Então, decidi trabalhar alguns pontos, um deles foi ter colocado no calendário o começo mais tardio de algumas disciplinas, pra crescer gradualmente; poucos conteúdos iniciei em janeiro, e quando chegou em março, estava com quase todos os conteúdos encontrados. Alguns de vocês podem se perguntar: nossa! Você só pegou firme em todos os conteúdos em março? Como assim? E lhes respondo, sim! Porque vinha de uma ascendente muito grande e de um desgaste quase crônico, fora a frustração de ter reprovado… Então, minha conclusão foi que precisava repousar. Mas, sem abandonar tudo, porque isso me faria esquecer de alguns detalhes, e me daria insegurança em outros. Minha solução foi colocar duas matérias mais longas à partir de janeiro e em março, quase todas estavam lá. Depois complementei  em abril com as únicas que faltavam, que eram Artes e Filosofia. Essa estratégia foi para pegar ritmo gradativamente, para poder descansar bastante e não me cobrar tanto. Feito isso, em março já estava a todo vapor. Com a confiança renovada. Eis que fiz meu segundo (considero o primeiro) simulado, agora já mais descansado, no meu melhor estado. E vejam! Superei minha meta, e poderia – se não fosse a desatenção – ter acertado muito mais. E isso me animou demasiadamente. E foram entrando mais matérias. E as coisas começaram a fluir, porque respeitei meu corpo no momento certo e dei ar à minha mente. Essa atitude foi fundamental para estar no atual estado de espírito e ter adiantado muita coisa, para poder respirar, e ter tempo livre para aproveitar o melhor da finitude… 

Como estão as coisas? Já estamos em Julho…

Depois da notícia de sexta, em êxtase…
Agora tenho duas formas de entrar na Medicina da USP. Antes tinha um pouco de autocobrança para ir à segunda fase da Fuvest, não que não tenha hoje, mas tirei um peso de 1.10^99 newtons das costas. Agora tenho duas chances em um ano de entrar na FMUSP. Graças a adesão das 50 vagas ao ENEM, para incorporar o SISU. Isso foi a coisa mais maravilhosa que sempre sonhei que acontecesse e aconteceu. Agora ganhei um fôlego extra para condicionar o ENEM com o mesmo grau de importância que condiciono a Fuvest. Mas, falando do mês de julho. Estou muito contente. Quando canso, sei que não vou render, então, descanso bastante e depois retomo os estudos com uma disposição ímpar. E nesse ritmo consegui adiantar muita coisa, e acreditem… O conteúdo de Física fluiu tão bem esse ano, que só falta Ondulatória para finalizar. A previsão era fechar Física no máximo na primeira semana de outubro. E finalizei quase tudo em julho. E iniciarei ondulatória na segunda-feira. Antes que surja a indagação de como eu faço pra não esquecer os conteúdos e conseguir assimilar tudo tão rápido.. Eu estudo nos meus picos energéticos, nas maiores disposições, e isso só ocorre porque optei abdicar de fazer cursinho nesse ano. E desde então, consigo conciliar muito bem estudo e descanso, gerando equilíbrio e potencializando meu rendimento e desempenho. Isso é fabuloso. Mas, claro… Tem dia que durmo o dia todo, até a hora de ir pro serviço de madrugada (risos), lá estudo alguma coisa, e em casa estudo mais de 10 horas complementadas com as 5 horas do serviço – estudo lá – … Naturalmente.. Só flui… Não é um empecilho pra mim. É a minha forma de me autogerir, pelo autoconhecimento. E não é necessário que fiquem embasbacados com meu jeito de estudar, isso não afeta em nada minha saúde, porque descanso muito bem. É difícil entender as “extravagâncias” do outro, quando esse não é a gente… Mas, é assim que funciona para mim. Essa forma de estudar estranha, é o que traz equilíbrio pra mim (risos).

Revisão, como faço?

É, sei que ficou estranho o método de revisão da minha primeira planilha; quando você está em ano de vestibular, no clímax e anticlímax com as suas imperfeições, e quer fazer o que nosso organismo se esforça ao máximo para manter-nos saudáveis (homeostase), as mudanças são necessárias! Tanto é que um novo mantra que direciona meu pensamento e minhas ações é termo em latim que li no livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” do Machado, nos últimos capítulos, “Tempora mutantur” (os tempos mudam). Uma das poucas verdades absolutas e irrefutáveis, diz respeito às mudanças causadas pelo tempo. Os tempos realmente mudam. Você não é como era no dia anterior. Você matou seu “Eu” passado, e é um novo Ser. Somos seres em constante metamorfose. E até quando partirmos, nossa matéria se transformará. Então, quem sou eu pra ter medo ou pra evitar a mudança? Nada melhor que seguir aquela “voz interna” que diz:”você precisa fazer isso”, “se continuar fazendo dessa forma, chegará no final do ano sem ter atingido sua meta”. Então, o que mudei? Minhas revisões hoje não constam na planilha. Eu simplesmente faço um esforço pra adiantar a parte teórica com aplicações pontuais, pois, depois me sobra muito tempo pra fazer revisão toda semana. Darei um exemplo. Eu finalizei o conteúdo de Mecânica Clássica adiantado, era para finalizar em outubro, finalizei antes do início de julho. O que faço pra não esquecer e não perder a prática? Vamos lá: nas horas que estaria vendo um novo conteúdo – o que adiantei -, eu faço listas do que já estudei. De tudo! Faço uns três exercícios de cada conteúdo estudado, até o último visto. Todos nivelados, básico – revisão de conceitos -, médio – densidade teórica – e difícil – aprofundamento do conhecimento, ver até onde consigo chegar -. E faço isso sempre. Toda semana. Farei até o último dia de preparação para o vestibular. E se encontrar mais complementos para meus métodos, seguirei e testarei. Afinal… Tempora mutantur…

Eis um exemplo de revisão em exercícios de Inequação Polinomial do 2º Grau.
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Você tem conteúdos em atraso?

Seria mentira se dissesse que não. Alguns conteúdos me permito atrasar. Até porque sei que dará tempo de finalizá-los, ciente de que terei dias pra tirar o atraso. Esses conteúdos são os mais chatinhos, que estudo mais gradualmente, que não assimilo com tanta velocidade, e repito várias vezes pra cada vez ter mais solidez na assimilação. Um exemplo é a Gramática. Se querem outro… Alguns tópicos de Geografia. Como são coisas mais complicadas de interiorizar, é necessário permitir-se um contato mais ponderado desses assuntos. Não atrasei muita coisa. Só que acelero só assuntos mais fáceis destes. Não tem como ser um “robozinho”, fechar cada bloquinho com a certeza de que nunca vai errar mais aquilo… Se fosse assim, seria maravilhoso. Mas, não é.. rs Então, nos viramos com a nossa humanidade. 

E a planilha? Você registra os conteúdos que fez?

Sim. Registro todos. Essa parte não tem como não ser burocrático. É o meu rendimento que está registrado, e um filtro interessante pra saber o que preciso aprofundar, e qual a linha seguir sem se perder. Então, é relevante registrar as conclusões, pra saber com exatidão, quais os assuntos que farei listas de revisão. Uma coisa bem prática que utilizo fora dessa organização metódica, é quando tenho tempo livre e nada pra fazer, pra otimizar o tempo e matar o “tédio”, pensar em partes dos conteúdos de exatas que não me sinto tão seguro, e fazer exercícios daquilo. Sério… Não consigo ficar parado. Só paro de vez quando estou dormindo. Fazer exercícios é maravilhoso. Além de te dar segurança, te poupa muito tempo em revisões específicas. Pra tentar abarcar o máximo de conteúdos úteis e que a maioria das pessoas erram.. E que podem fazer diferença nos desempates! Você precisa se ver como alguém que sempre pode melhorar. Que nunca será completo, e sempre buscará o conhecimento que te falta. Isso não te permite a acomodação. E é um passo importante para o repertório necessário da vida universitária.

Exemplo da planilha de organização preenchida com as atividades que fiz, não tentem decifrar, pois é uma distribuição conforme as minhas necessidades, mas, por curiosidade, dou como exemplo 6 – Fís_1_1 (Dia 6 – Física Pasta 1 – Bloco 1). Daí, abarca os conteúdos que organizei de modo que ficasse mais proveitoso meu rendimento e minhas necessidades. 
asasasssssssssssssssssssssssss

Considerações Finais

Eu só desejo à todos muito sucesso na preparação. Muito obrigado pela mensagem, por toda a repercussão do Blog que está beirando o primeiro milhão de visitas. Vocês são o motivo de continuar com esse Projeto. Vocês que, assim como eu, acreditam no futuro, querem mudanças, querem sempre atingir o máximo de evolução como pessoa. Espero com meus sinceros desejos que consigam suas vagas. Porque é assim que a Medicina fará a diferença. Tendo consciência e preocupação com as pessoas, desde a vida como vestibulando. Sem egoísmo, mas, longe de ser o ser mais altruísta do mundo, só fazendo a nossa parte, sem querer prejudicar os outros. É possível passar e torcer para seu amigo passar, ajudando-o quando requisitado. Tenho amigos que prestam Medicina que estão comigo até hoje, mantenho o contato com todos. E torço pra alcançarmos a realização juntos, no mesmo lugar – de preferência -, porque são amizades que aconteceram num momento de autodescoberta.. E que agora fazem parte da minha vida. E torço por essas pessoas. Assim, como torço por vocês! Foco, força e caFÉ!