O que você diria para si? (autocrítica – reta final)

A pergunta do título é um convite à autorreflexão. Sintam-se livres para questionar o que não foi satisfatório nesse ano. Todavia, não esqueçam-se que para atingir esse ponto no qual nos encontramos, vocês precisaram se vencer todos os dias para manter essa ideia fixa e continuar acreditando na possibilidade material da concretização dessa fase.

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“O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma” Clarice Lispector

Esse ano de 2018, sem dúvida, é um ano atípico. E não digo apenas pelo cenário político que estamos vivendo (farei uma análise disso ao final do texto). Muitas coisas aconteceram e fizeram que meus métodos tivessem que ser adaptados.  Mas, sem delongas… Vamos ao que importa!


PONTOS NEGATIVOS:

Fiquei mais isolado…

Apesar de ter cogitado muitas coisas, como a possibilidade de sair mais com os amigos, e até mesmo de me dispor ao lazer, não consegui ser fiel nisso (pra não dizer que praticamente não fui fiel… rs).

Não consegui evitar o atraso de conteúdos…  

É impressionante pensar que nem a experiência evitou que eu tivesse períodos de atraso maior ou menor em determinados conteúdos. Apesar disso, minha flexibilidade e coragem de intervir nesses momentos, ajudou a evitar o que poderia ser catastrófico (risos).

Sensação de vazio… 

Em alguns momentos tive um sentimento de que nunca conseguiria passar e que tudo era insuficiente. Questionei muita coisa, inclusive o que minha experiência construiu. Conversei com um amigo sobre isso, ele também teve a mesma sensação. Também se dedica muito para findar esse sonho. O engraçado é que às vezes ficava inseguro até resolvendo questões de conteúdos que eu dominava… Mas, não conseguia sentir esse domínio de forma prática. Essa foi uma coisa difícil de trabalhar, mas que não fugi.


PONTOS POSITIVOS:

• Aprofundei melhor…

O fato de ter atrasado conteúdos se deve em grande parcela por ter me permitido aprofundar mais o conhecimento e ficar mais preso em assuntos específicos. Decerto, tive atrasos por nunca ter feito isso. Eu resolvi arriscar para que tivesse mais densidade nas provas. E me sinto satisfeito por chegar em véspera dos vestibulares com repertório para enfrentar os tipos de questões que eu certamente pularia sem hesitar.
Não sei até que ponto isso será positivo, mas, é inegável que virou uma ferramenta necessária para que pudesse sair de onde estagnei nesses últimos anos. Errei em espaçamento do tempo, mas, acertei em solidez de repertório.

• Me preocupei menos com o vestibular…

Engraçado que fui questionado por um amigo esses dias se eu estava nervoso com o Enem, por faltar tão pouco tempo. E não consigo sentir nada extremo sobre o Enem, nem alegria, nem uma descontrolada ansiedade, muito menos medo… Seria mentira minha se eu dissesse que às vezes não senti aquela leve angústia em ver como o tempo voa e que eu  deveria ser mais ágil, mas, não passou disso.  Aliás, isso se repetiu bem antes de chegar essa fase final. É meio que um alerta de que preciso aumentar a intensidade. Isso é mais benéfico do que maléfico (no meu caso).
Esse foi o ano em que me centrei mais em aprender do que propriamente em ir bem nas provas. Eu senti a necessidade de focar muito nas coisas que tiravam meu sono, que não eram difíceis, mas exigiam tempo e empenho direcionado.
Chega um momento em que você sabe, muita coisa que cai numa prova você acertaria com conhecimento de anos anteriores (mesmo que seja um conhecimento mais raso, pois não há tanta especificidade no assunto). É inútil ficar preso à isso.
Agora, outros assuntos, mesmo estudando, existe um risco inequívoco de errar. E pelo menos no meu caso, esses assuntos apareciam com frequência (mais em vestibulares específicos, mas que começam a ganhar força no Enem também), porém, me faltava o ímpeto de tomar coragem e enfrentá-los. Eu fugi do meu antigo tradicionalismo nos estudos. Fui mais ousado e estratégico.

 Dormi melhor…

Se tem uma coisa que fez diferença para que pudesse encarar conteúdos cansativos e complexos, isso se chama: “noite” bem dormida. (as aspas em noite são justificadas por eu dormir no turno tarde/noite, pois trabalho de madrugada).
Muitos dos compromissos desmarcados devem-se também em parcela significativa ao meu sono. Sei que prometi sair mais… Mas, sair em que horário? Eu tinha que escolher, se saísse de tarde, teria que inverter forçosamente meu ciclo de sono. Se fosse sair de manhã, abriria mão dos estudos nesse turno, e dependendo do horário do término desse “rolê”, poderia ter dificuldades para dormir e atrapalhar o turno de estudos no serviço (acreditem, eu estudo no serviço, pois o ambiente e a escassez de atividades são favoráveis).
Dessa forma, muitas vezes não tinha saída. Sobrava então o final de semana. Cujo sábado era reservado para revisões e o domingo (na maior parte deles, prova). Muita coisa foi ajustada, mas, conforme foi se aproximando os meses que antecedem as provas, o tempo foi ficando ainda mais escasso. E as escolhas, ainda mais inclinadas às minhas necessidades.


RESPOSTA À PERGUNTA DO TÍTULO e CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A resposta à pergunta do título é a mais plausível possível: Alexandre, meu amigo.  Você errou em muitos aspectos. E talvez isso tenha algum impacto em seus resultados. Entretanto, você errou nos outros anos e mesmo que isso tenha acontecido, a progressão não inexistiu. Isso significa que o fato de estar disposto, dando o seu melhor, terá êxito sobre o erro. É impossível o êxito isento de erro. Basta analisar que tudo faz parte de um processo, com consequências pesadas numa balança imaginária.
Portanto, caro, ao meu ver, você se sobrepôs ao erro, por ter enfrentado todos os seus monstros, ao invés de ter fugido na primeira oportunidade. A característica que mais admiro nisso tudo, é que você reconhece que falta muito para ter o conhecimento que sempre almejou, mas, o consolo que te ofereço é que ninguém passa dominando tudo. Então, o que te digo, meu caro, é que continue firme em suas convicções e arriscando sem omissão, pois sua meta principal é muito clara. E até aqui, a balança é superavitária.

Sobre as considerações finais, penso que ter chegado até esse extremo com ideias claras e sem ter abdicado do objetivo principal, é uma grande vitória. Mas, é nítido que muita coisa mudou. Quem me acompanha sabe que não sou o mesmo de outrora, fica evidente pelo tom dos meus textos. Antigamente, meus escritos tinham traços ilusórios de uma motivação exacerbada, sem finalidades práticas. Hoje o reflexo maior dessa mudança é que o que te faz caminhar é, sem dúvidas, olhar para trás e ver o quanto você já andou pela simples decisão de fazer em vez de idealizar fazer.
Você pode agilizar ou não o processo. Depende de você e da sua coragem para arriscar. Desse modo, a única coisa que pode te impedir de ser aprovado enquanto determinado, é uma catástrofe externa. Isso foge ao seu planejamento.


UMA ANÁLISE A PARTE…

Saindo completamente do assunto, não poderia me despedir sem deixar o que penso de tudo o que anda acontecendo em nosso país. Para nós que desejamos ser médicos, que teremos um papel fundamental no desenvolvimento do nosso paciente, no envolvimento com a comunidade e com a saúde coletiva, é necessário deixar um pouco sobre o cenário catastrófico pelo qual estamos passando.
É entristecedor ver a proporção em que o embate por políticos (não por política) tem reverberado o caos social. Antes de querer dizer qual “lado” defendo (quem me tem no Facebook, certamente já sabe), digo que acima de qualquer viés político-ideológico, está uma nação regida por uma constituição que deve ser considerada. Muita gente foi torturada e executada para que pudéssemos exercer nosso direito de votar. E vejam… Milhares de pessoas morreram e não tiveram a oportunidade de respirar a redemocratização. E nós? Somos fruto de conquistas que não são nossas. Mas, podemos lutar e deixar nosso legado todos os dias, pois os próximos a inexistir em algum momento, seremos nós…
Sou pró pluralidade democrática, sou favorável às conquistas dos Negros, das Mulheres, da comunidade LGBTQ+, da ascensão do Pobre, dos direitos dos Deficientes, e do respeito à laicidade do Estado, portanto, é inviável para minha racionalidade construída num longo e exaustivo processo de estudos, aceitar o fato de um candidato se opor à tudo isso, e vir com uma frase em que coloque uma vertente religiosa acima de TODOS que estão sob uma constituição clara; não adianta agora querer tornar o discurso menos radical, acompanho certas figuras de outros carnavais, não será agora que nascerá um novo “Messias”. (atentem-se à polissemia do termo…rsrs, fica ainda mais evidente contra o que estou me manifestando).
Quero deixar claro que não estou buscando confronto com ninguém. Muito menos querendo desperdiçar o tempo de quem leu visando a única e exclusiva proposta do texto.
É primário que o posicionamento de um futuro médico tem que ser (deveria em muitos casos) conivente aos princípios que ele se banhará no conúbio com a medicina. Não podemos deixar que aspectos de caráter secundário no convívio coletivo, sejam superiores ao bom senso com a pluralidade de nossos concidadãos. Pensem na coletividade, em especial, pensem em quem mais carece de auxílio para fazer parte efetivamente da democracia que deveria abraçar a todos.
Tempora mutantur, amigos. Uma hora o “status quo” entraria em crise. Pois em algum momento, todos que estão sob tutela da constituição cidadã de 1988, buscariam seus direitos. E toda mudança exige esforços e coloca muitas frentes em choque. Mas, não podemos nos esquecer que os princípios defendidos constitucionalmente, precisam ser efetivos. E é óbvio que a conta que a concentração histórica devia, chegaria mais cedo ou mais tarde.

 

Beijos, Abraços, até breve e BOAS PROVAS!! 😘❤

 

 

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A importância de sempre revisar

Sem títuiuiuiuiuiuiuiuulo

É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe. Epicteto

Epicteto foi um filósofo grego antigo pertencente ao estoicismo. Com o domínio romano da Grécia, ele acabou se tornando escravo e perdendo sua liberdade. Diante disso, ressignificou sua vida, passando aceitar as condições que não dependiam dele, como por exemplo: ser escravo, e buscar a mudança em tudo o que podia depender de seu esforço, como a própria prática filosófica. A partir de sua condição, conseguiu encontrar a verdadeira felicidade, sem se prender ao que não dependia dele.

A frase da imagem mostra exatamente o contraponto conclusivo de quem leu a introdução sobre Epicteto e, de repente, disse para si: “mas, isso é conformismo!”. Calma! Não crie inferências de um período em que você não viveu, pelas perspectivas do seu livre-arbítrio de hoje.

A importância dessa frase é algo que carrego já há algum tempo e que cada vez faz mais  sentido. Se o contraponto não ficou tão claro, explanarei: quando pensamos ter conhecimentos prévios sólidos a respeito de algo (como a história de Epicteto, por exemplo) e damos nossa visão com muita ênfase na sua “veracidade” (eu diria, verossimilhança), não nos abrimos às possibilidades de aprendizados constantes, porque, pensamos que já sabemos tudo o que pode ser sabido acerca daquilo. É como se já soubéssemos tudo, então, não existe necessidade de aprender mais. É aí que estagnamos. 

O que fazer para não cair nessa armadilha na preparação para o vestibular?

Simples. Não acredite que domina tudo o que já estudou como vestibulando. Porque, independente desse ser seu segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, (x) ano de vestibular, sempre existem detalhes que estamos dando pouca importância. E mesmo quando lapidamos nossas fraquezas, precisamos insistentemente fazer revisões. Pois, infelizmente, nosso cérebro tem um talento inestimável em deletar informações importantes (obrigado cérebro, seu lindo 😡).

Inclusive, estava falando com um amigo sobre como é triste além de estudar, fazer questões, tirar atrasos, ainda ter que ficar igual um louco revisando suas checklists de determinada matéria. Além de sempre que sobrar um tempinho extra, dar uma revisada em algum assunto que você errou na prova porque esqueceu algum conceito.

Essa nossa vida é complicada. Entretanto, é primário que não é assim apenas no vestibular. Acostumem-se com uma vida de constante cultivo de assuntos específicos, de muita leitura, em que vocês só terão como sustentação as bases aprendidas. O restante, é colerepara que as bases fiquem ainda mais fortes e repletas de novas estruturas.

Hoje, como faço minhas revisões?

A princípio, digo que talvez se aplique ao seu caso, talvez não. Mas, o importante disso tudo é que você filtre só o que for útil e o restante, crie algo para seu perfil.

Organização própria…

Faço anotações com palavras-chave durante o estudo programático, isso facilita muito no momento da revisão. Não sou um aluno “copy-cole”, mas sim, um estudante com olhar analítico que filtra criticamente os assuntos mais relevantes e os transcreve de uma forma que eu sei que vou entender.Não é magia. Eu pauso os vídeos antes de assisti-los, e anoto da minha forma.

Se você faz cursinho, é possível fazer isso (calma, não pausar a aula! E sim, fazer anotações esquemáticas 🤣).Você precisa aproveitar enquanto o professor está escrevendo na lousa; se ele for do tipo que explica e vai preenchendo, não tem saída, aproveite os momentos em que ele escreve na lousa e tente não se dispersar do raciocínio, ou se preferir, foque-se somente na aula e imediatamente após centrar-se nela, faça a revisão do seu entendimento sobre a esta com as suas palavras.

Flexibilidade é necessário…

Nem toda matéria dá para revisar da mesma forma. Por exemplo, em Física, vejo a aula extensa de revisão do site que assino (stoodi), depois faço os exercícios que ainda não fiz, e se tiver ainda algumas lacunas, resolvo outros das minhas listas extras. Já para história, eu gosto muito de ler. Então, leio meus resumos e faço exercícios. Entretanto, leio livros que abordam a História Geral e do Brasil de uma forma reflexiva, daí, acabo indo além do conteúdo do vestibular. Isso geralmente acontece com matérias de humanas. Geografia é uma exceção, acabo vendo a aulas específicas para reforçar algo, aula de revisão e resolvendo exercícios, além das listas extras. Deu para perceber que Geografia é a que me desgasta mais das matérias de humanas, não é? 😅

É importante enfatizar que independente dos métodos que uso para cada matéria, vejo as aulas de revisão, ou aulas de algum aspecto específico, quantas vezes forem necessárias, porque só me sinto em paz depois de estar no mínimo tranquilo para enfrentar qualquer tipo de questão dos assuntos estudados, independente do formato ou grau de dificuldade.

Não tenho medo de mudanças…

Seria engraçado nessa altura do campeonato me assustar com as mudanças. Elas fazem parte do processo de metamorfose do vestibulando. É a principal descrição do meu Blog. “A metamorfose de um Vestibulando Comum, em Estudante de Medicina”. Óbvio, essa parte não aconteceuainda -, ela vai acontecer.É importante saber que tudo faz parte de um processo e que só não é aprovado quem desiste. Muitos dos meus amigos que persistiram passaram, e aqueles que estão lutando, estão próximos de findar esse trajeto.

Agora, falando das mudanças necessárias: se tiver alguma ideia em mente, algum método, alguma forma de revisão, ou até mesmo uma mudança de hábito para o estudo de alguma matéria em específico, não tenha medo. A única coisa mais difícil de se fazer nesse ponto é voltar desde o começo nos assuntos estudados, entretanto, não existem impossibilidades. Já vi gente pegar para estudar a partir de agosto – apenas – e conseguir passar.

Eu não duvido de mais nada nesse mundo do vestibular.
As únicas coisas que sempre nos restarão, independente de ter ou não sucesso, serão as consequências – em algum momento serão positivas -. O importante é não ficar no impasse de ousar.

Lembre-se, o vestibular é um jogo. Um pouco desleal em muitos aspectos, mas se você jogar e adotar as melhores estratégias, pode ou não antecipar sua aprovação, a probabilidade de conseguir êxito é maior quando você opta por otimizar sempre a qualidade dos seus estudos, mas, não necessariamente isso acontece. Não posso te dar certeza disso. E aí? Vai arriscar?

Faço provas, mas tenho intervalos para trabalhar os resultados…

Uma das minhas maiores auto-críticas do ano passado está na quantidade pela simples necessidade de fazer. Hoje vejo que é muito mais eficiente fazer as provas com intervalos para refletir os resultados e trabalhá-los para que da próxima vez não haja o mesmo erro. Até ano passado para mim só importava fazer as provas loucamente, porque no método mecânico, teria os resultados subindo.

Porém, isso se mostrou ineficaz aplicado ao meu caso. Hoje percebo a diferença de saber o porquê, verdadeiramente, não fui bem nisso ou naquilo. E o filtro que faço das provas, trabalho o quanto antes.Geralmente pego a aula do tópico específico, revejo e faço exercícios nos mesmos moldes. Isso dá bastante resultado. Consegui aumentar significativamente o número de acertos nas provas que resolvo, num intervalo menor ao que levava antes.

Contudo, nem tudo são flores…
Minha preocupação não está apenas em aumentar o número de questões, mas, manter uma solidez que independente do grau de dificuldade das provas, não haja uma queda abrupta de desempenho.

Isso é mais delicado de se trabalhar, porém, mantendo a pegada de trabalho nas provas, nas revisões, no conteúdo programático, no aprofundamento de questões… Acaba dando certo. É só ser paciente e não queimar etapas. E óbvio, dar bastante ênfase às dificuldade.

Revisão não é apenas feita no final do ano…

O que aprendi nesse tempo todo é que nunca dá tempo de ver tudo. É um velho  clichê de quem presta vestibular. Partindo disso, para que deixamos nossas revisões somente para o final de ano? Sei que muitos dirão por conta do tempo, principalmente se estiverem fazendo cursinho.

Porém, muitos dos meus amigos de cursinho iniciavam as revisões antes mesmo de chegar na famosa revisão final que era aplicada pelo cursinho. Acredite, é possível. Você só tem que ser seletivo e estratégico. Se está com mais dificuldade em Matemática e Ciências da Natureza, para que vai começar a fazer revisões soltas de Humanas? Não faz sentido…

Eu tenho uma cheklist que fiz de todas as matérias. Nela, existe um espaço para eu demarcar as revisões feitas. Desse modo, na minha concepção, não existe mais essa ideia de “revisão final”, eu vou fazendo minhas revisões sempre que posso. Sem um dia, horário, nada fixo. Sempre surge tempo, seja acabando algo antes, ou quando não tenho prova agendada, etc.

De qualquer forma, minhas revisões são feitas nas horas vagas (não ocupam o tempo que reservei para meu lazer), sendo assim, a ideia mesmo é que estou sempre revisando. Quando acabar a cheklist prioritária, se tiver algum conhecimento fragilizado do que revisei, retorno, sem nenhum ressentimento. Se estiver tudo certo, sigo para as menos prioritárias. E quando estiver próximo das provas, farei o mesmo. Mas, com uma ressalva: revisando apenas os conteúdos que ainda erro por fragilidade em algum aspecto, e fazendo prova.

Considerações Finais

É importante que vocês deem um jeito de descansar e que tenham uma válvula de descompressão. Sei que isso parece ser incogitável de se aplicar nessa altura, mas pensem que vocês deram o máximo que podiam até esse ponto em que nos encontramos e que não adianta ralar tanto para depois disso, não conseguir abrir uma prova sem querer esfaqueá-la, ou rasgá-la, ou acender um isqueiro e admirar friamente aquele monte de papel e tinta queimando (eu prefiro essa versão mais maquiavélica 😂).

Pensem em como seria desagradável ter se preparado tanto, para chegar no final e não ter condições físicas ou emocionais de enfrentar o “grande momento“. Então, apesar de considerarem alguns pontos de intensidade desse momento em que nos encontramos, dá para tirar aquela folga no final de semana, sem nenhum remorso.

No final, ninguém consegue ver tudo com profundidade. Então, vocês só precisam ser estratégicos, para chegarem mentalmente vivos em Novembro, para enfrentar Enem e seus coleguinhas.
Muito obrigado por ter chegado até aqui! Agora me diga: como está fazendo suas revisões? Isso pode ser muito útil para outros leitores, pois, quanto mais formas de revisão, maior será a probabilidade de alguém encontrar algo bom para si!

Obrigado!! 😘❤

Cotas Raciais: injustificáveis por sofismas, justificáveis pela história

 

Antes de iniciar o texto, antecipo que essa análise não faz parte do meu “mimimi”, que não sou “vestibulando nutella”, que não estou me “vitimizando”, tampouco, cometendo a mais nova indagação: “racismo inverso”.

A imagem ilustrativa só enfatiza um traço amplamente contraditório em nossa sociedade: quem é que aparece lutando contra a aplicação das cotas raciais?

A frase de um cartaz traz outro problema sério do nosso contexto de iletrados históricos: “melanina não mede minha capacidade”. É a velha história da ideia de sociedade meritocrática, que usa a ideia de “vence quem se dedicou mais”, sem aprofundar nossas raízes escravocratas, cuja marginalização do negro foi determinante para sua exclusão social, que ainda é real. Já deu para sentir o teor do texto, não é? Então vamos aprofundar um pouco mais nossas cicatrizes, com uma breve frase:

O persistente caráter autoritário do sistema político brasileiro, associado à mitologia da democracia racial e da ideologia do embranquecimento, mascara os antagonismos raciais e desmobiliza a comunidade afro-brasileira, numa característica estratégica de subordinação racial. (Abreu, 1999, p. 37)

Hoje estava conversando com uma amiga sobre o vestibular (manterei sua identidade em sigilo), e desse diálogo senti uma perturbação imensa para criar esse texto, visto que já quis fazer isso, mas não tive coragem de penetrar um assunto tão delicado.

Minha amiga faz alguns trabalhos informais (eufemismo para “bicos”) para conseguir se manter estudando para o vestibular e reside numa região periférica de Santo André. Seu atributo é trabalhar para famílias de poder aquisitivo mais elevado, para ajudar em casa e fazer um esforço sobre-humano para conseguir estudar online e juntar dinheiro para pagar as provas que se aproximam.

Sobre nossa conversa, ela disse que tem muito ódio quando seus patrões discutem alguns tópicos que estou abordando aqui: cotas raciais, racismo, etc. E não fala nada, porque depende do dinheiro para continuar acreditando na possibilidade de mudar de vida, quando findar essa rotina de estudos para o vestibular e ver seu nome na lista de aprovados. Se você está se perguntando, eu respondo: sim, minha amiga é negra. E, sim, está servindo uma família de ascendência caucasiana (pele branca).

Numa das conversas em que ela foi obrigada a ouvir enquanto os servia (não sei se por provocação, ou pura indiferença com o ser humano que os servia), eis que surge a seguinte frase: “racismo existe porque os negros ficam falando”, então outra pessoa retrucou: “racismo contra negro não existe mais não, tá de boa, pra médico, aqui não existe não”.

Das pessoas que disseram essas frases, a primeira foi um senhor, com estabilidade social. E a segunda, sua filha, médica formada e estabilizada. Ambos residentes de uma das cidades com IDH-M elevado. Não preciso aprofundar tanto, não é? Creio que com conhecimentos básicos da formação social do nosso país, já dá para tirar algumas conclusões de discrepâncias dos atores sociais.

Puxando outro link… Vocês já ouviram falar sobre Ações Afirmativas?

Provavelmente, se você presta vestibular, já deve ter visto o termo ou sua definição em alguma questão do Enem, com respostas que encaminhem para essa conscientização; está certo. Entretanto, o termo nasceu da política norte-americana com o presidente John F. Kennedy, com o intuito de reconhecer as lutas da população negra e criar condições que trouxessem igualdade jurídica entre brancos e negros.

No Brasil, esse termo ganhou força no final da década de 80, no findar da ditadura militar, em que visava reconhecer e dar condições para que as minorias sociais (Negros, Mulheres, Homossexuais), tivessem igualdade jurídica e maior representatividade nos setores sociais.

Então já deu para entender, não é? As cotas raciais são uma Ação Afirmativa.
Buscando um breve histórico da proposta da Lei de Cotas, quando esta estava prestes a ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 2012, aconteceu uma série de manifestações como a que a imagem inicial dessa postagem carrega; a supremacia dessas manifestações ou era composta pessoas de etnia contrária a que seria supostamente “favorecida”, ou, infelizmente, propagava falaciosamente discursos não pertencentes a si, mas, que foram implantados ao longo de séculos de exploração e que não às foi dado o direito ao esclarecimento, pois, racionalmente, defender veementemente a não criação de um benefício legítimo de sua parte social, não passa de ideologia.

Eis um exemplo da reação das pessoas à criação da Lei de Cotas, em consonância com a falta de esclarecimento para sua implantação:

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Reportagem da página Pragmatismo Político

Eis as reações à essa publicação….

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Comentários sobre a postagem da página Pragmatismo Político


Sobre o que penso dos comentários
, não estão completamente errados. Existem intersecções de problemas sociais graves que precisam ser reparados. A pobreza é um deles. Entretanto, uma resposta involuntária sem a devida reflexão, é desfocar a real questão tratada. É descentralizar o problema da supressão étnica que ocorreu em nossa história. E se for buscar uma análise mais minuciosa, a maior parte da população periférica possui ascendência negra.

Vamos refrescar a memória e puxar um pouco nossas raízes…

Após a abolição da escravatura em 13 de maio de 1888, o Brasil tinha algumas opções para substituir a mão de obra perdida. A mais lógica, era assalariar os negros e integrá-los socialmente à República que nascia, visto que estes, fizeram parte da história desse país, trabalhando e sustentando uma nação que dependia do escravo, além de terem valor de mercadoria, sustentando até a economia por séculos. Entretanto, qual foi o pagamento que o negro recebeu pelos “serviços prestados”? Foi substituído pela mão de obra de supremacia europeia, se marginalizando ainda mais e agravando o preconceito com ex-escravos. Para piorar (e isso eu não sou favorável, mas tem suas complicações para o lado mais fraco), os senhores de engenho após a abolição não receberam nenhuma espécie de indenização do Império brasileiro pela perda de suas “ex-propriedades”, o que enfureceu ainda mais esses senhores, que tinham uma força política imensa. Ligando todos esses fatos, com algumas filosofias que surgiram para ajudar ainda mais na marginalização do negro no Brasil, como por exemplo, a “Tese do Branqueamento” da população, criada pelo antropólogo e médico, João Baptista de Lacerda, inspirado em outras teses eugenistas europeias que já vigoravam no Império brasileiro. Em sua tese ele tratava as etnias como “raças” em que a raça superior e espelho para as outras era a branca. O objetivo dessa teoria visava combater a “raça” negra ao longo das gerações com a miscigenação; sim, um modo eufêmico para algo deplorável: genocídio étnico.

Alguns argumentos contrários às cotas, com observações…

Vivemos numa democracia constitucional, em que o princípio mais exaltado é a isonomia jurídica. Na constituição cidadã de 1988 (vigente), no capítulo I dos direitos e deveres individuais e coletivos, no Art. 5º, eis a máxima que enfatiza a isonomia jurídica entre indivíduos: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…”

Eis que então, existe um problema que muitos detectam previamente e apontam ofegantes numa solução sofista: na democracia constitucional brasileira todos são iguais perante a lei, logo, negros e brancos são iguais juridicamente, portanto, as cotas são antidemocráticas.

Não sei se todos sabem o que é um sofisma, mas, explanarei resumidamente. Na Grécia Antiga, em meados dos séculos V a.C. – IV a.C, existiu uma escola filosófica chamada “Escola Sofista”, seus iniciadores, Protágoras e Górgias, tentavam buscar a verdade através dos debates, no qual os melhores discursos, com melhores dialéticas e que fossem mais convincentes, eram vistos como “verdade”. Logo, não buscavam “a verdade”, perceba o artigo definido. Buscavam uma verdade conveniente à vitória no debate. O importante era a verossimilhança da verdade, não necessariamente a própria.

Apesar das críticas, os sofistas contribuíram muito para o pensamento ocidental, especialmente, para os cursos que usam Lógica e Retórica, como Direito, por exemplo. Ademais, foram cruciais para movimentos humanistas. Quem nunca ouviu um professor de História ao falar encantado sobre o Renascimento, repetir a famosa frase de Protágoras “O homem é a medida de todas as coisas”, base fundamental do antropocentrismo. Entretanto, o problema acontece quando o raciocínio sofista é utilizado num contexto em que debates filosóficos não vão solucionar questões práticas, como a questão das cotas raciais.

Como vimos, o primeiro argumento contrário foi o caráter antidemocrático, muitas inferências são findadas na euforia das relações lógicas, sem necessariamente pesar o caráter histórico desse reconhecimento. Além disso, existe uma justificativa jurídica para esse caráter de exceção das cotas raciais, as próprias já explanadas ações afirmativas.

Mais um argumento contrário às cotas raciais? Vamos lá…

Em vez de priorizarem o mérito do aluno, priorizam a raça, logo, é racismo. Bom, esse argumento confesso que vi algumas vezes. Ele é um pouco absurdo, porque usa – novamente – a lógica sofista para tentar persuadir quem usufrui (ou deveria usufruir) do direito dessa política pública a pensar – erroneamente – que o Estado está agindo com preconceito étnico contra ele, o chamando de incapaz.

A principal via para mascarar isso é através do discurso falacioso da meritocracia.
O discurso meritocrático pressupõe que todos os inseridos possuem iguais condições de competição, desse modo, possuem as mesmas condições materiais para buscar algo. O derrotado, por sua vez, acaba sendo considerado fracassado, por não se esforçar.

Minha principal indagação a respeito disso é: como alguém que não possui condições primárias de sustento – com privações nutritivas – pode lutar em equidade com outra pessoa que só tem a “obrigação” de ir aos melhores cursinhos das melhores capitais, estudar às 7 da manhã, ingerir suas vitaminas e frutas e esperar o pai buscá-lo de carro às 21h para ir à academia e depois disso ter um sono sem preocupações, pois o arroz e o feijão não estão acabando, portanto não haverá necessidade de fazer nenhum bico para comprar alimentos básicos. Pasmem, por mais inacreditável que possa parecer, acontece isso no Brasil. E quem é a parcela que mais sofre isso? Preciso mesmo explanar?

Como nada é perfeito…

Muitos encontram subterfúgios numa fragilidade da Lei de Cotas: a autodeclaração. Infelizmente existem pessoas de etnia branca que se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas. Isso é lamentável, pois acontece em vestibulares de concorrência elevada e não existe um controle sobre isso, pois a lacuna da autodeclaração, acaba fazendo com que parte dessas pessoas sintam-se livres para ingressar nessas vagas, pois sentem-se irresistivelmente atraídas pelas notas de corte relativamente menores que as vagas de ampla concorrência.

Isso é abominável para quem busca carreiras que vão ter importância para o desenvolvimento social desse país, é praticar a corrupção livremente e depois gritar enfurecido que os políticos são corruptos. É ter condições de esclarecimento, ter acesso ao conhecimento, e contradizê-lo. É saber exatamente qual o público alvo das vagas, e negar esse conhecimento (fingindo demência – ao meu ver), só para se livrar de ter que estudar mais aquele ano para o vestibular de medicina.

A pergunta é…. E o público que deveria usufruir dessas vagas? Boa parte dos que se arriscam acabam desistindo. Pois, independente de terem tido a sorte grande de conhecer a existência do vestibular, e fazer um esforço sobre-humano para estudar e trabalhar para competir com outros grupos com as mesmas dificuldades de ascensão, acabam perdendo as vagas para quem se autodeclara e afirma na maior autoridade: “tenho um tatatatatataravô que foi negro”.

Isso que nem estou citando casos daqueles que vão passar um lindo verão na praia, para pegar um bom e belo bronzeado, tudo antes da matrícula na Faculdade de Medicina. Sei que é difícil ler tranquilamente isso, independente do seu posicionamento. Entretanto, esses casos ficam em off, muita gente sabe que isso acontece em proporções desconhecidas. Porém, poucos ousam falar. E quando isso ocorre, é chamado de “nutella”.

Dos casos mais famosos de fraude da Lei de Cotas, um aconteceu na Faculdade de Medicina da UFMG. Eis a reportagem:

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Link da Reportagem: Folha de S. Paulo
Quer outra? Vamos lá…

 

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Fonte da Reportagem: EM

Pra finalizar, vamos à USP…

 

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Fonte: G1

 

 

Considerações Finais

Hoje precisei falar desse assunto que estava engasgado, que pôde gerar algo que considero no mínimo relevante considerar. Saiba que não quis levantar bandeira de nenhum partido, não quis menosprezar ninguém. Apenas peço por reflexão.

Que tipo de vestibulando (que se considera aguerrido) consegue viver em paz sabendo que está tirando a oportunidade de quem já teve suas oportunidades tiradas ao longo da nossa história?

Quem consegue pensar que será um médico exemplar e alguém que sinta orgulho de suas conquistas, se estas custaram os futuros que nunca vão existir, porque as pessoas desistem. Especialmente aquelas que sempre têm as portas fechadas.

Então, minha súplica é: Se pertencer à tais etnias, faça usufruto de seu direito constitucionalmente e historicamente justificado. Se não pertencer, e por favor, não finja demência, pois quem pertence às etnias referidas certamente não exita, conhece suas heranças e sabe o que vê ao olhar no espelho. Respeite essas minorias. As Universidades estão lutando para se colorir, entretanto, a cada ano, as turmas de medicina estão mais homogêneas do que nunca…

Se você souber de algum caso de fraude no uso das cotas raciais, denuncie. Não se cale. Não falei das violências que a população negra sofre, seja a violência policial, violência virtual e preconceito velado. Acho que até esse ponto atingi o que esperava. O restante, deixo para você que me leu.

Quero saber o que você pensa, sinta-se a vontade. Se quiser elogiar, será lindo. Se quiser me xingar e distorcer tudo o que eu disse. Será igualmente lindo. Pois, estarei provando com mais força do que a esperada que você faz parte da parcela privilegiada, ou na pior das hipóteses: está alienado. Independente dos comentários, precisava publicar algo sobre isso.

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A exceção que prova a regra: eu consegui contar três negros na formatura da turma de Medicina da UFBA. Vocês encontraram mais?

Fim da postagem.
Reflitam!
Obrigado

 

 

 

Você se ouve?

 

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“Uma parte dos homens age sem pensar e a outra pensa sem agir.”  Jean-Jacques Rousseau

A pergunta vai além do título. Você já parou para se ouvir? E se fez isso, já aplicou suas inferências alguma vez?
Em ano de vestibular acabamos executando muito a primeira parte da indagação da frase de Rousseau, ligamos o modo automático e seguimos uma vida de acrasia, porque mudar é enfadante, em alguns casos traz medo ou simplesmente não é conveniente, podendo ocasionar – segundo nosso pensamento mais sabotador (que nem sempre está certo) – ansiedade, desordem e sensação de que deveríamos estar estudando. Sim, é a maldita auto-perseguição de vestibulandos em crise, que ignoram a necessidade de se conectar com suas singularidades, arrumando sempre justificativas para não atendê-las.
Talvez, assim como alguns exemplos, seja possível a aprovação sem a necessidade de buscar autorreflexão. Realmente, o objetivo é exatamente ser aprovado; entretanto, as consequências das nossas abdicações interiores vão além da fase de vestibulares. Vocês já pensaram nos impactos que essa ausência desencadeará em toda a vivência na medicina, na vida pessoal, nas relações interpessoais e na forma como interagimos com o mundo? A princípio não é tão evidente. E talvez pareça torpe, ou até mesmo uma exigência que não convém num momento de plena dedicação. Mas, elucidarei o exemplo que um amigo me passou – acredito que em algum momento falei disso, mas, não recordo em qual texto -. Meu amigo disse que na faculdade de medicina que ele cursa, um professor contou aos calouros que alguns de seus alunos do último ano estavam um pouco desnorteados na vida, pois não criaram laços fora daquele ambiente, laços para vida, além de terem se privado de muitas necessidades das suas individualidades, em prol de exclusivamente se dedicarem ao curso, sem nenhuma experiência exterior que preenchesse o interior deles. É algo bem triste de imaginar, chegar ao final de um ciclo em que você tanto desejou que durasse, mas não estar com condições mínimas de seguir em frente, na profissão que você escolheu. Eu não penso apenas em passar em medicina. Penso na faculdade, penso na residência, penso na vida médica fora da universidade, na minha saúde mental, penso na vida completamente desatrelada à profissão, penso nas pessoas que perderei e em como precisarei estar firme para conseguir lidar com todas as mudanças que virão, isso inclui o envelhecimento. É difícil imaginar estar prestes a findar a primeira etapa do seu sonho, e não ter um significado além da perspectiva conhecida. É como o vestibular. Já passei pela situação de me sentir com conteúdo para prova, ter conhecimento para poder buscar a aprovação, mas, não estar preparado para a aprovação. É contraditório isso. Entretanto, às vezes, pode ser um choque ser aprovado. É uma mudança gigantesca na sua vida, já tive medo de ser aprovado, confesso… Conversei isso com meu amigo também. Ele ficou em choque quando foi aprovado, chegou a sentir medo também. São muitas mudanças, por isso, você precisa estar pronto e tem que refletir sobre as coisas, aplicar algumas conclusões para seu bem-estar, além de não negar alguns prazeres inerentes à sua humanidade. Sabe-se lá a proporção das devastações que tais abdicações trarão à sua vida. É primário que, antes de se tornar médico, você é humano. E não deixará de ser humano até o momento em que suas moléculas se desagregarem. Portanto, precisa se permitir experimentar suas necessidades, não importa quais sejam (desde que não prejudiquem outras pessoas – risos). Não se prive. É maravilhoso pensar que seremos médicos e se você está numa fase de grande aprendizado e sente que é seu ano, é melhor ainda. Entretanto, até o ponto em que nossos conhecimentos conseguem elucidar a vida, não existe nada após a linha de chegada. As religiões buscam confortar o ser humano nesse aspecto tal como a filosofia, cada qual com seu método, mas, se fôssemos buscar um ponto de convergência entre ambas, é que nenhuma das duas traz plena convicção no que possa existir (ou não existir) além da morte. Então, só cabe à você arriscar; a escolha é só sua. Se acredita que morrerá e terá um lindo lugar para a eternidade, corra seus riscos, sabendo das consequências. Se acredita que a morte é a continuidade da vida (tal como os antigos egípcios), viva sereno com suas escolhas e seus retornos. Se acredita na reencarnação, aproveite enquanto está vivendo seu exclusivo momento como você, essa é sua única existência com suas singularidades; colha seus frutos. Se é ateu, possui ainda mais motivos para viver sua finitude, porque a vida acontece agora, somente agora, mas, como em todos os outros casos, as consequências são suas. Independente das suas crenças, o tempo para vida humana é finito. E cada segundo desperdiçado são menos abraços, menos sensações, menos pensamentos, menos leituras, menos respiração, menos prazeres reais que nos façam dizer “valeu a pena existir para sentir isso!”
A vida é essa coisa incrivelmente complexa, que mesmo em momentos difíceis, nos faz ter novas experiências e tirar lições de tudo. O importante é: sentir. Não importa quais os seus métodos para isso (lembrando novamente, desde que não prejudique o outro – risos²).

Mas, cara… Eu tenho que estudar, já estamos em julho! Acorda! Essa maluquice não dá para ser aplicada… Por isso que você não passa…

Como disse anteriormente, especialmente na parte em que justifiquei com algumas religiões ou ausência delas: a escolha é sua, as consequências também. Os impactos das suas escolhas te acompanharão a vida inteira. Não é apenas renunciar-se para cursar medicina. Proibir-se de ter esse momento introspectivo é negar-se a oportunidade de ser um ser humano que te orgulhe mais, é reduzir a possibilidade de sentir-se pleno, mesmo após a realização. É respirar a fugacidade que o mundo contemporâneo (que é regido pela velocidade do consumismo) te impõe. É ampliar as chances de se frustrar, por esperar que a medicina te fizesse feliz; nada que está no mundo concreto pode te fazer feliz por muito tempo. A felicidade está na sua capacidade de dialogar com os seus pensamentos, de conseguir executar boa parte deles, e independente das consequências, não renunciá-las, buscando crescer mais pela reflexão e o questionamento de si, sem fugir dos problemas. Entretanto, como o próprio Rousseau afirmou na frase em que citei, especificamente, na segunda parte: “… pensa sem agir”, essa é a parte de não sentir suas vontades. Deixando-as apenas no mundo das ideias, sem poder usufruir verdadeiramente delas. Ambos são problemas, por frearem o ser humano. A solução é novamente a ideia da prudência de Aristóteles que citei no texto anterior, cuja ideia resume-se em: “A virtude consiste em saber encontrar o meio termo entre dois extremos.” Justifico… Só pensar, não te traz a verdadeira vivência das suas ideias cruciais, e só agir mecanicamente, não te faz ouvir seus pensamentos para saber suas reais necessidades. O equilíbrio está em saber dosar os momentos em que precisamos pensar, e aqueles que só precisamos aplicar o que pensamos em algum ponto do nosso ócio. Existem momentos em que você precisa, de fato, ter sua rotina de estudos, isso é básico numa organização eficiente. Entretanto, ressignificar algo, flexibilizar outro, adaptar tudo às suas necessidades, levando em consideração a sua humanidade, é algo necessário para quem pensa além de ser aprovado. E quem determina tudo isso? Espero que sua resposta seja “eu”.

Ok! Até entendi seu ponto de vista. E agora concordo com alguns aspectos. Mas, não consigo entender: por que você só descobriu isso agora?

Simples. Eu vivia na acrasia. Fazia pouquíssimo esforço para mudar algo em minha vida, isso acabou me prejudicando por anos. Não dei espaço para reflexões. Neguei o ócio produtivo que ajustaria alguns pontos em minha vida. Não entendi que a importância não está em ser aprovado, mas, sim em viver a minha primeira etapa com plenitude, visando um bem-estar que se prolongue para a vida inteira. Se você pensa que isso é auto-ajuda, pode findar tudo o que leu até aqui, pois leu de forma apática e sem buscar entender a importância dessas descobertas, não correlacionando uma vírgula às suas experiências. A filosofia não responde, te faz refletir. A auto-ajuda responde, mas, não necessariamente te faz atingir algo. Tudo depende de você. É triste isso, muitos hoje leem com indiferença, vivem apáticos e são guiados pelas determinações que a sociedade os impõe. Espero que você seja diferente, e viva de olhos abertos.

O que você tira de lição da mudança filosófica que acredita estar te moldando para melhor?

Não vivo apenas para o vestibular. Eu tenho sim meus compromissos, e estou estudando horrores para concretizá-los, não serei hipócrita de dizer que só estou vivendo, ou só estudando. O que posso dizer é que sigo minha rotina com algumas liberdades já pensadas. Se precisar flexibilizar algo, faço. Se não precisar e sentir que estou tendo um bom desempenho, continuo como estou. Se estou cansado, descanso um pouco e compenso no serviço. Se preciso respirar, paro tudo o que estou fazendo e me dou alguns minutos, suficientes para retomar a sanidade. Se me sinto isolado, saio para a rua, vou conversar com alguém, vou brincar rapidamente com meus cachorros, mas, faço algo que sinto ser o melhor para aquele momento. Alguns podem pensar: mas, Alexandre… Fazer isso não é correr o risco de se sabotar em algum momento e procrastinar? Minha resposta é: depende do quão você convive conscientemente consigo, para saber se está ou não se sabotando. Depende também do seu estado interior, se você não se dá tempo para descansar, refletir, para ler algo bom, para brincar… Etc… Você simplesmente tentará evitar ao máximo estudar. Qualquer motivo que surja que justifique sua distração, será mentalmente reconfortante no instante que desejar involuntariamente adiar os estudos. Existe outra forma que ajuda, é estar apaixonado pelo seu sonho. Mas, não falarei tanto dessa, porque às vezes estamos tão enfadados de tudo, que nos esquecemos da sensação que sentíamos quando nos apaixonamos pela medicina. Além de ter algumas pessoas em fase de indecisão, que não saberão responder exatamente se é isso que querem. Sendo esse, um método eficaz por pouco tempo. Então, um jeito que pode ser mais duradouro é o anterior, atender as suas necessidades como indivíduo e se conhecer, para perceber quando a tentativa de se sabotar estiver tentando atrapalhar. Se conhecendo, você se respeita. E estuda com seriedade, por não achar justo ter lutado tanto para assimilar essa nova realidade e pôr tudo a perder pelas distrações criadas involuntariamente pela sua mente. É difícil pôr isso em prática… Mas, não queiram ter que tentar essa abordagem depois de reprovar anos no vestibular e ter que replanejar tudo. Existe a possibilidade buscar se conhecer melhor antes de ter que reprovar para entender a realidade do vestibular. Não acontece com todos, mas grande parte das pessoas que são aprovadas passam por esses existencialismos e precisam buscar aprendizados que sejam aplicáveis às condições delas. Ou seja, precisam se conhecer.

Considerações Finais

Sei que atualmente ando escrevendo bastante sobre temas filosóficos e algumas pessoas não gostam, por ter uma profundidade difícil de compreender de imediato, sem a reflexão, mas acreditem, se eu tivesse trabalhado mais esse lado, não teria que passar por mais uma frustração num ano em que me sentia preparado e que no momento do jogo real, não consegui externar meu aprendizado e me senti frágil, numa prova em que me preparo seriamente desde 2014. Essas coisas podem acontecer. Contudo, você pode contorná-las através do auto-conhecimento. Sei que para alguns é tolice, que aparentemente não estou falando nada com nada, e que não tenho nenhuma autoridade para falar sobre isso, já que nem passei ainda. Mas, uma coisa que aprendi perfeitamente nesse tempo em que me preparo para o vestibular, foi a respeitar as pessoas que estão há anos nessa luta. Não é fácil. E não queiram ter que perder tudo para perceber isso. Não queiram ter que reprovar anos, não queiram ter que aprender a ignorar certos comentários dispensáveis, não queiram que as pessoas olhem vocês como quem olha algum fracassado que nunca vai conseguir nada (mesmo que vocês saibam que são mais fortes do que essas pessoas imaginam). Só digo isso. Se estão começando a prestar vestibular agora, aproximem-se dessas pessoas que estão lutando contra tudo há anos, aprendam com elas em vez de olhá-las com algum desprezo. Até que sejamos definitivamente aprovados, não existe nada certo. O vestibular me ensinou que seu processo é cruel. Que muitas vezes os melhores, os que se empenham, que ralam, que sabem o conteúdo na ponta da língua, às vezes desistem. E os que sobram, levam anos para realizar. Então, mais empatia com quem está lutando. Aprendam com essas pessoas. E se você está há mais de um ano nessa luta, enfrentando tudo por esse sonho, sinto orgulho de você. Não desista, porque você vai conseguir. É só continuar caminhando e driblando o cansaço, os problemas acumulados nesse tempo e tudo mais que surgir. Vai dando o seu jeito e sinta orgulho. Porque muitos que conheci nessa jornada já desistiram. E os que continuaram batalhando, estão próximos de realizar ou já realizaram. Me admiro pela sua vontade tão grande, que não fica apenas guardada. Ela resiste a toda essa corrosão de hipocrisias que nos cerca, a sua hora vai chegar. Continue a nadar! E para não fugir completamente do assunto discutido, dê uma amenizada nesse ritmo frenético e se ouça. Muitas decisões importantes para nossa vida, além do vestibular, são tomadas enquanto você pensa no porquê iniciou tudo isso. Às vezes nos perdemos no meio do caminho, e apesar de ser determinante apenas “continuar nadando”, é necessário ter uma pausa, respirar e ressignificar muita coisa, e construir outras além dessa realidade desgastante da nossa preparação. Não deixe de desenvolver todas as suas arestas, se deixar alguma de lado, pode deformar sua figura e nunca mais recuperar sua conformidade, por mais que consiga alguns resquícios de arestas impecáveis.

Acreditar não é suficiente…

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“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar”  Friedrich Nietzsche

Lembro ainda hoje quando decidi fazer medicina. Passados alguns dias da catarse que tive, fui pesquisar mais a fundo a ideia de abrir mão de uma história que poderia ter se tornado real, mas, não necessariamente era a realidade que eu queria vivenciar.
Para quem acompanha o Blog há alguns anos a referência é mais clara. Entretanto, aos recentes leitores, explanarei… Não serei tão específico com datas, até porque minha memória é tão sólida quanto a possibilidade de entrar duas vezes no mesmo rio (Heráclito daria risada dessa piada 😂). Deixando meus péssimos trocadilhos de lado, foi assim…
No ano em que estava prestes a me formar como Técnico de Enfermagem, fiquei balançado com algumas histórias que li a respeito de pessoas que tinham profissões renomadas e que abriram mão de todo o prestígio que tinham (conheço gente bem sucedida que largou tudo), para entrar nesse mundo louco de vestibulares. Até esse momento tudo era apenas um sonho, um belo e maravilhoso sonho (eu ainda tinha uma visão bem pueril do vestibular de medicina, não havia conhecido seus espinhos mais intimamente), estava prestes a entrar de cabeça na busca desse sonho.
O catalizador que faltava para acelerar o processo só veio após a maior experiência que tive – até hoje – e que me fez perceber que meu sonho era, com efeito, medicina. Isso ocorreu numa visita que fiz em um Hospital durante o estágio. Até aí, tudo normal. Era só mais um dia de prática de enfermagem. Porém, como tínhamos poucos pacientes, sobrou bastante tempo para circular no Centro Cirúrgico. E de repente, nossa professora disse que conseguiu com um responsável que permitisse que nós assistíssemos a uma cirurgia ortopédica, os médicos estavam na metade da cirurgia, já tinha algumas horas. Era um procedimento no fêmur, para colocar pino e placa. (qualquer incoerência, perdoem-me! O desejo é me tornar médico, ainda não sou um…). Nunca antes do ocorrido tive uma experiência tão íntima com a medicina. Por isso, tive uma catarse. Inicialmente, quando anunciaram a oportunidade, fiquei com medo de desmoronar todo o resquício de sonho que estava alimentando internamente. Mas, definitivamente, após esse dia, nunca mais fui o mesmo! Foi uma experiência determinante para que me tornasse o vestibulando aguerrido de hoje. O tempo? Ele passa para qualquer um. É impetuoso. Sei que já faz alguns anos que estou nessa luta. Porém, no mesmo dia em que assisti esse procedimento, decidi que seria médico. E minha promessa foi: estudar até passar. Para que descumprí-la? Só por causa do capricho de quem enxerga o tempo numa perspectiva individual e ínfima? A experiência desses anos espinhosos me fez criar uma blindagem contra as pressões sociais que vivemos, que tentam criar uma reificação total das coisas, isso inclui até mesmo a reificação do ser humano nos moldes e pressas do mercado. Aprazivelmente, meu único intuito é: passar no meu tempo.

Mas, afinal…
O que eu quis dizer com “acreditar não é suficiente” ?

Não é tão simples como parece. Algum leitor mais desatento pensaria que perdeu todo seu tempo chegando até aqui, para ler o óbvio. E fecharia a página enfurecido pelos minutos que serão descontados dos cálculos das questões de refração. Mas, assim como a refração não é tão óbvia aos nossos olhos e por isso existem equações que nos fazem compreender melhor esse espinho – para alguns – (hoje estou impossível 😂²), títulos aparentemente óbvios podem ser mais profundos do que esperávamos. Esse é um exemplo.

Justificando…

Quando estamos estudando para um curso tão concorrido como medicina, acabamos irresistivelmente indo atrás de fontes motivacionais para nos inundar de “vontade de potência“. E é algo que de fato ajuda. Agora… E quando você está tão exaurido, enfadado do tempo em que presta vestibular ou até da rotina desgastante, que você não sente motivação com qualquer fonte motivacional? Já chegaram nesse extremo? Eu cheguei. E o que foi preciso fazer para continuar focado nos estudos? Na Grécia Antiga, muito antes de qualquer doutrinação, Aristóteles dizia: “A virtude consiste em saber encontrar o meio termo entre dois extremos.” Isso significa que viver em um dos extremos, pode ter o peso da autodestruição. A prudência é o caminho da realização equilibrada, é exatamente o que comecei a entender depois de secar minhas fontes. Não adianta passar em medicina sem condições físicas ou psíquicas para cursar.
Se motivar demais não traz resultados concretos. Assim como viver uma vida sem nenhum significado. É simples atingir a nossa prudência. Basta atender as nossas necessidades como indivíduos, sem nos deixar corromper pelo sentimento de fugacidade que as pessoas nesse mundo contemporâneo respiram. Isso retoma a ideia que elucidei sobre reificação, que é viver num mundo dominado pela ideia de consumo, a ponto de reificar tudo aos moldes do mercado, os afetos, as pessoas e a ideia de tempo…

Como busquei conhecer a minha prudência?

Antes, justificando o termo “minha prudência”, quero me referir desse jeito porque  concerne ao meu equilíbrio, não é o seu. Meus extremos são diferentes dos seus. Por isso, cada um precisa tentar encontrar os próprios e centralizá-los, de modo que as vicissitudes sejam suprimidas, mas, sem auto-repressão. Sei que é complexo, todavia, no fundo vocês entenderam o que quis dizer.
A princípio, não é sempre que me sinto bem. Isso faz parte do jogo. Contudo, sei lidar com meus momentos de fraqueza. E não deixo de vivê-los. Até porque torcer para a vida passar apenas aos bons momentos é, simplesmente, não viver. Pois os momentos ruins são muito mais duradouros, e não preciso ir muito longe para encontrar exemplos. Faz parte dessa nossa natureza perturbada que já brotou na terra sem saber “O que sou?”, “De onde vim?”, “Para onde vou?”, “O que é que estou fazendo aqui?”, temos sempre mais indefinições, do que respostas.
Sei que para alguns não fará sentido, porém, quem está levando isso a sério, quem tem contato com o conhecimento de uma forma íntima e não apenas automática com um fim exclusivo de aprovação… Quem consegue sentir o que está estudando e entender que todo conhecimento faz parte de um processo de aprimoramento e compartilhamento entre seres humanos para que pudéssemos sair do estado de Natureza, para que atingíssemos avanços significativos que melhoram nosso IDH, que reduzem nossa mortalidade infantil, que aumentam nossa expectativa de vida, que reduzem significativamente a fome global (apesar de algumas controvérsias), melhoramos muito devido esse aprimoramento intelectivo e capacidade de cooperar. Então, é o mínimo que posso me dispor a fazer. Aprender! Por mais que eu sinta dificuldade (todos nós sentimos), independente de precisar repensar meus métodos sistematicamente, minha forma de produzir conhecimento, minha forma de pensar… Independente dessas instabilidades e inconstâncias, faço o máximo esforço para aprender melhor. Não apenas decorar as coisas. Aprender e entender tudo o que me cerca. Se querem que compartilhe algo que traga a importância de aprender, e não apenas decorar, elucidarei. Tenho um amigo que fazia cursinho comigo e que hoje faz Medicina na UFRGS, nos comunicamos na medida do possível com alguma frequência. Ele disse algo que guardei e que considero positivo no meu método de estudos. Ele contou que levou tempo para passar, mas que fez de tudo para aprender verdadeiramente o máximo que podia, sem ficar apenas decorando as coisas. Ele queria de fato ter conhecimento para uma profissão tão exigente e importante como a nossa. E isso fez muita diferença na vida estudantil dele na Faculdade de Medicina, pois muitas pessoas do curso adotaram o método mais imediatista, e hoje encontram extrema dificuldade para acompanhar, se adaptar ao conteúdo denso e a buscar uma forma mais eficiente de estudar (coisa que poderia ser planejada enquanto vestibulando, mesmo que levasse mais alguns anos), tanto é que ele foi um dos poucos da turma que tirou uma nota bem alta numa prova difícil. Isso ele aprendeu enquanto estava no vestibular. Essa forma insistente de aprender, de buscar os ápices dos métodos que são eficazes nas suas características de aprendizado. Já antecipo que manterei esse amigo em anonimato, mas ele tem um papel muito positivo na minha preparação. Agradecerei bastante quando atingir meu objetivo.

Considerações finais

Se pudesse resumir tudo em uma única frase, seria numa máxima socrática (que tantas vezes já utilizei): “Conheça-te a ti mesmo”. E isso possibilitaria uma ponte com o conhecimento aristotélico e sua prudência, visando encontrar o seu equilíbrio através do autoconhecimento e do autoquestionamento. Se estiveres pensando que isso tudo é algo que se encontra nos livros de auto-ajuda (que ajudam alguns escritores a terem uma vida mais aprazível 😂³), estás nimiamente enganado. Isso não é receita desses livros (com todo respeito aos respectivos autores). É experiência de quem sente essa luta difícil na pele e precisa de subterfúgios para conseguir estudar todos os dias. Desse modo, levando em consideração os itens supracitados, já é mais que provável dar um salto qualitativo na situação de estudante. O conhecimento tem que ser levado a sério, porque não teremos as menores condições de sermos bons médicos, se não tivermos condições intelectivas de diagnosticar nossos pacientes, e não digo apenas uma avaliação física. Falo de uma observação profunda, do estado bio-psico-social do indivíduo. Infelizmente muita gente consegue passar apenas com conhecimentos aplicados em áreas exatas, mas, o médico não opera uma máquina. Ele precisa conhecer seu paciente, logo, precisa ter conhecimentos em Sociologia, Antropologia, Pscicologia e Filosofia, por mais simplistas que sejam, é preciso pensar nesse aspecto amplo, não apenas na parte prática. Sei que é exigir muito, entretanto, confiamos nosso bem mais precioso aos médicos, nada pode substituir isso, absolutamente, nada se sobrepôs a importância da vida. Se não fosse a importância da vida, não estaríamos nesse diálogo, não haveria uma preocupação em prolongar a existência humana, não existiriam cientistas preocupados com reprogramação genética, com pesquisas médicas na área de oncologia, com buscas cada vez mais vorazes em órgãos biônicos mais eficientes, em lugares com condições favoráveis ao desenvolvimento da vida, a literatura não se preocuparia com assuntos que adaptem o intelecto do indivíduo às mudanças que virão, etc… Não é preciso ser tão empenhado para perceber que a ciência se preocupa com a nossa longevidade e, sobretudo, com a vida. Sei que o mercado acabou criando interesses paralelos e de certa forma direcionando as pesquisas, entretanto, para que haja mercado, é preciso que haja consumidores. E para haver consumidores, é preciso que nossa espécie esteja viva.

Muito obrigado por ter chegado até aqui!
Agora me diga: o que você espera da sua vida nos próximos anos? Não precisa ser apenas “passar no vestibular”, vá além! Se tiver algum projeto, perspectivas, etc.. Compartilhe! E, novamente, obrigado pela leitura! ❤ 😘